Um passo além do “pensamento positivo”

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Desvendando o tal “pensamento positivo”, afinal, como isso funciona? Uma conversa simples, rápida e reveladora.

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Desfechos

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Independentemente dos desfechos, ainda que haja sofrimento, tudo pode ganhar significado se a atmosfera diante da crise for de gratidão, por tudo e por todas as possibilidades que cada evento carrega; de amor, que se projeta nos cuidados, na esperança, no olhar; de fé, não necessariamente em um desfecho específico, mas na certeza de que, aconteça o que acontecer, no fim, tudo dá certo, que a vida cumpre seus ciclos, que em toda situação de dor inexoravelmente há presentes de amor.

Letras que matam

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Letra é só letra. Letras são apenas códigos e nada mais. São meios de comunicação, tentativa de expressar no limitadíssimo alfabeto, em 26 letrinhas, os mistérios, o céu, o vento, o mar, os sentimentos, a natureza, a vida, o amor, Deus. Mal usadas, podem matar.

Como encapsular o oceano? É possível apreender o vento em uma caixa? Você acha que alguém pode proteger-se do temporal escondido em um guarda chuva? Ou refletir os mistérios da vida apenas pela via dos códigos, das palavras, da mente?
Você diz ser um “homem da letra” sem perceber que, quando assim o diz, confessa seu próprio limite: as letras. Letras são mortas. Não passam de combinações, fechadas, reduzidas a infinitas interpretações, limitadas ao intelecto, prisioneiras da razão.

Não há vento na palavra “vento”, não há vida na palavra “vida”, sequer há uma pequena dose de amor na palavra “amor”, assim como “deus” é apenas a combinação de quatro letras, tudo será assim, é assim que é, até que de fato você experimente.

Não há palavras, nem códigos, nem contingenciamento, nem controle de nenhuma natureza quanto deixo que as letras façam seu trabalho, me levem até o ponto onde entendo que, a partir dali, elas jamais entrarão, não há códigos nem palavras, não há meios para expressar o que transcende minha apequenada racionalidade e se projeta em outro nível de compreensão, em outro estágio, bem além da mente, mas da interioridade, da espiritualidade, do amor.

Você não precisa das letras, você precisa do amor. Quando entendo assim, me calo em reverência. Quando vejo como é, perco a pretensão de ser portador de qualquer verdade, apenas porque agora eu vivo nela, naquela verdade que não cabe em palavras, que não é dos cristãos, nem dos judeus, muçulmanos, budistas, taoistas ou ateus. Nem dos cientistas, nem dos filósofos, nem dos mestres. Ela não é minha nem sua.

A verdade que supera meus códigos e me salva da loucura de pensar que “agora eu sei”. Quanto mais aprendo, menos sei, menos arrogante, menos ansioso e tudo por uma única razão: aprender implica em assumir que não sabe, em esvaziar-se e, humildemente, entregar-se ao mistério e a perplexidade de existir.

Você não sabe absolutamente nada. O que pensa que sabe, o que sente que lhe diferencia é menos que poeira, sem nenhuma relevância para o mistério da vida. Letras? Palavras? Conhecimento? Do que ? Você acha que isso lhe credencia para entender os mistérios da vida? Para ser luz? Para irradiar o que realmente importa? É preciso pacificar-se. Liberte-se da angústia de “salvar o mundo”, mas salve-se a si mesmo.

Aquiete-se, desobstrua-se, silencie as vozes, as conclusões apressadas, os ruídos que não servem para nada. Apreender parte do mistério é para quem está em silêncio, para quem se esvazia, para quem desaprende.

Enxergar, ainda que seja pela fresta, é para quem sem aquietou. Talvez esteja na hora de sair do campo das idéias, das letras, dos debates e argumentos e calar-se, enxergar-se, permitir-se absorver pelo mistério, pela quietude, pelo amor que tudo revela, que tudo mostra e que nos ensina que, no fim das contas, tudo é uma coisa só.