O certo sempre é

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Ainda que haja sofrimento, tudo pode ganhar significado se a atmosfera diante da crise for de gratidão – por tudo o que são e todas as possibilidades que cada evento carrega, de amor – que se projeta nos cuidados, na esperança, no olhar. De fé, não necessariamente em um desfecho específico, mas na certeza de que, aconteça o que acontecer, no fim, tudo dará certo, que a vida cumpre seus ciclos, que em toda situação de dor inexoravelmente há presentes de amor. Nem sempre o certo é o que queremos, nem sempre é o que achamos certo, mas é certo que o certo sempre é.

Sempre no caminho

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Saímos de casa, enfrentamos a vida, fazemos planos, lidamos com as pessoas, os problemas, o trabalho, o trânsito e o dia a dia desgastante sem considerar que as flores podem mudar o caminho, que as grandes e melhores mudanças são muitas vezes presentes inesperados que a tempestade trouxe, sem avisar, sem placas ou cartazes, ela simplesmente age e coloca tudo no caminho.

Leia com calma e atenção

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O ego é um “bichinho”, fruto de um condicionamento mental, que faz de tudo para dominar nossas escolhas, para nos fazer acreditar que somos tudo o que ele, carente, pequeno, voraz, é. A razão pela qual não conseguimos nos centrar, não conseguimos nos perceber, ouvir nosso silêncio é que permanentemente damos ouvidos ao ego que produz ruídos incessantemente. Tendemos a acreditar piamente em tudo o que ele diz.

Ele se projeta nos acontecimentos, nas pessoas, nos objetos, no consumo, nos relacionamentos, na tentativa de nos fazer acreditar que sem “isso”, “aquilo”, “aquele” ou “aquela”, simplesmente não sobreviveremos, que precisamos de algo fora de nós para encontrarmos felicidade. Já notou como algumas pessoas se irritam quando ouvem coisas do tipo “a felicidade está dentro de você”? Repare como a fisionomia de muita gente muda para pior quando pensam que a viagem é para dentro, não para fora.

Nos permitimos “marionetar” até que despertamos. Nem sempre é um despertar imediato, aliás, quase nunca é, mas, um processo que começa com uma percepção, um simples insight que evolui para algo mais abrangente até chegar ao ponto de se tornar consciência. Agora você enxerga. Consciência de que você não é seu ego, consciência que desfaz condicionamentos, produz sabedoria para percebe-lo, mas não segui-lo, saber que ele está ali, resista e ele “fugirá de vós”.

Você está buscando respostas em todos os cantos do coração, vasculhando sua mente, pensando desenfreadamente como resolverá os “pepinos” dessa semana. Pare com isso. Não busque. Se aquiete. Respire. Pare de se angustiar. Seu ego precisa dos embates, ele se excita com a contradição, se afirma com as lutas, se alimenta desse vasculhar inquietante que não leva a nenhum lugar.

É por isso que o aquietar-se é tão poderoso. É um jeito de não dar bola para os ruídos mentais, desintoxicar os sentidos, parar e perceber que as respostas que você tanto quer, sejam relativas ao assunto que for, existem, estão prontas. Você já sabe, mas não consegue perceber porque está entregue a esse maremoto de pensamentos, de pseudo soluções, de labirintos, armadilhas incessantes que brotam da sua angustia. Pare e ouvirá. Retome a confiança e perceberá. Descanse. Sim, descanse e simplesmente saberá por onde ir. O caminho sempre começa pelo lado de dentro.

Você não precisa de uma relação conflituosa, um trabalho que lhe suga, uma vida desnecessariamente difícil, desgastante, triste, amedrontada, ameaçada. Você precisa de paz e a paz já é e mora dentro de você.

Ela, a paz, não está fora, mas dentro. Aquiete-se, pare, ouça seu silêncio, não dê ouvidos ao ego, seja quem observa, mas não adere. Não dê grandes saltos, não faça grandes escolhas, não promova intensas reviravoltas enquanto o seu coração estiver angustiado, enquanto seu olhar estiver turvo. Não espere que tudo se resolva antes de pacificar-se. Primeiro se aquiete, durma no barco enquanto o mar se revolta. Durma, pacifique-se, acalme-se e não dê atenção aos rugidos de fora. As ondas se acalmarão, o mar irá se aquietar.

Comece por você. Isso é tudo o que precisa agora para que, pacificado, saiba pra onde ir. E depois, seguir adiante.