Quem disse que seria fácil?

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É mais fácil acomodar-se. Mais fácil dizer que não dá, que é assim mesmo, que a maioria faz, que mudar a mente, evoluir, enxergar com mais abrangência, é para poucos.

É mais fácil permanecer na contrariedade, insistir na amargura, abraçar-se na rigidez de alma, de olhar, de pre conceitos, proteger-se na opinião dos outros, mascarar-se com desculpas esfarrapadas.

É mais fácil permanecer no sono a despeito da insistência do despertador, enrolar-se no cobertor, virar para o lado e prolongar-se enquanto já deveria ter levantado, sim, é mais fácil. Apesar de reconhecer que assim é, nesse vídeo faço um convite que vai em desencontro ao que parece mais fácil. Afinal, quem disse que seria fácil?

Pacificados

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Quem enxerga, não discute quem está certo ou errado. Não tenta provar qual o melhor discurso, religião ou filosofia, não tenta provar nada a ninguém porque já sabe para si e isso basta.

Perceber a vida nos abre a mente e naturalmente desconecta o cabo que nos prende a discussões rasteiras, valores distorcidos, sentimento de superioridade de qualquer natureza.

Viver é uma grande e profunda experiência e cada acontecimento uma grande oportunidade para, no fim das contas, entendermos que aprender a amar é a finalidade de toda experiência. –

A dimensão do essencial

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Não coloque propósitos para seu crescimento espiritual, como se estivesse estipulando prazos e metas, como se precisasse atingir determinado estágio para sentir que “chegou lá” a tal ponto que, todos os dias, cobra de si mesmo alguma evolução.

Aquilo que muitas vezes consideramos objetivos a serem atingidos, deve ser consequência, não pode ser causa, motivação da busca. A gente busca sem perceber, sem fazer força, sem colocar angústia no caminho, sem tecer prazos ou metas. Tudo o que devemos fazer é caminhar, e caminhar com atenção.

Quando estou fixado em metas, elas serão minha referência, é por elas que vou aferir até que ponto estou “evoluindo” e isso sempre irá gerar decepção porque vida espiritual não se mede, afinal, não há como medir o que é dentro, não se vê e nem sempre segue caminhos lineares de mensurabilidade.

É como se você plantasse uma árvore para lhe proteger do sol, e todos os dias sentasse ao lado dela, mesmo que fosse ainda apenas uma plantinha, lamentando que ontem estava do mesmo tamanho de hoje, portanto, não cresceu. Reclamará da árvore sem saber que ela cresceu sim, um pouco a cada dia, até que você desista de esperar e, lá na frente, seja surpreendido pela enorme e frutífera árvore.

Você pensa em suas tentativas, seus caminhos, os lugares onde passou, tentou, se esforçou, as filosofias, as religiões que acreditou serem os verdadeiros canais de evolução. Deixe-se me dizer: nenhum deles é. Absolutamente nenhum.

Tudo pode ser ferramenta, tudo pode ajudar, mas espiritualidade é algo que se vive para dentro, ainda que irradie para fora, ainda que promova vínculos, ainda que lhe possibilite exercitar o amor com o próximo, isso é ótimo, mas é consequência do que antes cresceu dentro.

Não projete sua busca em uma religião, por mais legal que ela seja. Não pense que será uma filosofia, um ritual, um livro ou o que quer que seja que substituirá a possibilidade de enxergar na vida, nas relações, na não linearidade do caminho, mas em você, dentro, onde ninguém vê. Portanto essa busca cheia de angústia só irá causar dependência, nunca paz interior. Você já tem o que precisa, a paz que tanto quer já é, e de modo algum está vinculada a nada, absolutamente nada fora de você, é por isso que sente tanta dificuldade em encontrá-la.

Engraçado como, de maneira geral, sabemos que o dinheiro, o trabalho, o consumo, não nos trará paz, mas nunca pensamos em relação as religiões, filosofias ou afins. Essas não dão paz pela mesma razão que as outras não dão: estão fora de você, por que seria diferente?

Como encontrar seu caminho? Não se cobre, viva sua vida em paz, use o bom senso, sem culpa, sem angustia, apenas preste atenção no caminho, perceba os movimentos diários e insistentes da vida, de tudo, a terra toda apontando para o simples, está tudo a sua volta, perto, presente, vivo, cada detalhezinho do dia, cada brisa do cotidiano, cada som, cada dia, cada noite, cada silêncio, cada dor, cada alegria, cada conversa, cada momento construído para que você se enxergue, valorize o simples, observe, esteja realmente presente, ame, seja grato, perdoe.

Tudo o que passar disso pode ajudar sim, pode ser útil em algum momento, mas nunca estará na dimensão do essencial, portanto, não corrompa a busca, não inverta as coisas, não projete em nada aquilo que, com simplicidade, naturalmente é e nunca está restrito a grupos ou filosofias especificas.
O que realmente importa já vive em você, portanto, sua função é apenas aquietar-se e perceber.