A procura da felicidade

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A felicidade não é um estágio alienante, um comercial de margarina, uma caixa só de alegrias, bem estar e devaneios. Quem diria, mas, na felicidade há pontuações de tristezas também. Chega determinado tempo onde aprendemos que felicidade e tristeza não são necessariamente opostos, óleo e água, mas muitas vezes complementares. Um caminho sem absolutamente nenhum tropeço, nenhuma dor, nenhuma relativização, nenhum interromper de planos, cauterizaria nossa sensibilidade de percepção, especialmente porque a esmagadora maioria de nós não vive consciente, mas reage mentalmente a estímulos e impulsos. Achamos que bem é o que nos afaga a alma e mal o que a dilacera e quase nunca consideramos os processos inteiros, os salvamentos do ego, a sensibilização do olhar, o desintoxicar dos sentidos que, de outra maneira, continuariam entupidos por nossas “necessidades” de consumo, prazer, autoafirmação… Quer realmente ser feliz? Então, antes de tudo, é preciso aprender a caminhar na ambivalência, desconsiderando o conceito publicitário de felicidade, experimentando a vida como uma dádiva, feliz, grato, humilde, solidário, sabendo que tudo coopera para o crescimento, ainda que alguns dias sejam maus.

3 comentários sobre “A procura da felicidade

  1. O vídeo lembrou-me de um texto que escrevi certa vez “Preciso lembrar como é ser feliz, como é mesmo? Eu já não consigo lembrar a última vez em que estive feliz. O lazer é preencher a solidão anestesiando meu corpo e a minha mente já viciada na angústia. Como suportar? Como superar? Eu pensei que tudo ia ficar bem… que Deus ia cuidar de mim. Eu sempre achei que Deus cuidaria de mim por mérito, não é… irônico? Eu estou pronto pra escolher qualquer… caminho que possa me trazer… vida, mas não consigo ver nada, parece que é neblina, acho que não vai cessar. Quando você me encontrar logo verá que falta vida em mim, olho no espelho e vejo que me falta cores, eu tenho olhos opacos, sépia. Lembranças me aterrorizam o tempo todo, arrependimento das escolhas mal feitas, de ter sido tão ingênuo e ter me metido em tantas enrascadas, dias de erros, de buscas sem sentido, de tombos. Talvez eu esteja deprimido. Absolutamente, eu estou deprimido. Posso dizer muito deprimido? Existe superlativo para a depressão ou a depressão é o aumentativo da tristeza? Alguém disse que a felicidade é uma escolha, mas não vende no supermercado (apesar do anúncio me perguntando o que me faz feliz) e nem na internet. A aeromoça não me perguntou se eu quero ser feliz ou triste no último serviço de bordo e nem a menina do drive thru me ofereceu uma porção de felicidade média pelo acréscimo de apenas três reais no pagamento do meu pedido. Gostaria de abrir o armário todos os dias de manhã e vestir felicidade para sair de casa e cumprir minha rotina, por alguma razão eu acredito que a felicidade está no armário, está perdida em algum canto empoeirado, empoeirada também, e eu vou acabar encontrando sem querer (mesmo querendo muito) hora ou outra… mas nada ainda”

  2. Carla Locatelli

    Flavio, estou apaixonada pelo seu blog. Você é muito bom com palavras, diz exatamente o que é preciso ouvir e exprime de uma forma tão natural seus pensamentos. Gratidão por compartilhar pensamentos tão ricos. Parabéns!

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