A procura da felicidade

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A felicidade não é um estágio alienante, um comercial de margarina, uma caixa só de alegrias, bem estar e devaneios. Quem diria, mas, na felicidade há pontuações de tristezas também. Chega determinado tempo onde aprendemos que felicidade e tristeza não são necessariamente opostos, óleo e água, mas muitas vezes complementares. Um caminho sem absolutamente nenhum tropeço, nenhuma dor, nenhuma relativização, nenhum interromper de planos, cauterizaria nossa sensibilidade de percepção, especialmente porque a esmagadora maioria de nós não vive consciente, mas reage mentalmente a estímulos e impulsos. Achamos que bem é o que nos afaga a alma e mal o que a dilacera e quase nunca consideramos os processos inteiros, os salvamentos do ego, a sensibilização do olhar, o desintoxicar dos sentidos que, de outra maneira, continuariam entupidos por nossas “necessidades” de consumo, prazer, autoafirmação… Quer realmente ser feliz? Então, antes de tudo, é preciso aprender a caminhar na ambivalência, desconsiderando o conceito publicitário de felicidade, experimentando a vida como uma dádiva, feliz, grato, humilde, solidário, sabendo que tudo coopera para o crescimento, ainda que alguns dias sejam maus.