Da perplexidade a gratidão

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Que tal resolver enfrentar esse dia seguir adiante? Usar cada pedra para construir um pedaço da morada que cresce para dentro, superando, ultrapassando, transcendendo minha própria dor, projetando significados, enxergando espaços para crescer, por mais difícil que seja, por mais que eu queira sentar e chorar – e há tempo para isso- , por mais que eu ache que não dá.

Quando a noite for embora, levanto da cama e me surpreendo por conseguir andar, por ver o sol de novo, porque a noite passou e a manhã me trouxe até o dia da minha escolha, o dia chamado hoje, o dia eterno daquele que entendeu que esse é o único dia que existe, que o agora não é um evento no calendário, mas um espaço existencial.
Não tenho controle sobre todos os acontecimentos, mas o que fazer com eles é unica e exclusivamente escolha minha.
Não posso evitar todas as tragédias, mas posso escolher entre revivê-las sucessivamente todos os dias ou ultrapassá-las e sair mais experiente do outro lado.

Não gosto de tudo o que vejo e, se pudesse, pularia uma série de etapas, mas são elas que me tiram da zona de conforto e me dão chances para enxergar o que existia em mim, mas estava escondido.
Não sei lidar com uma série de imprevistos, mas aprendo se mantenho a serenidade de olhar, mesmo diante da momentânea perplexidade em lidar com aquilo que não quero.
Não quero experimentar tragédias e dores, prefiro o descanso e a paz, mas, ao enfrentá-los, desloco a experiência do descanso e da paz para dentro, não como fruto da necessidade de uma vida tranquila e estável, mas como reflexo de quem entendeu que é na interioridade onde vive a realidade.

Não concordo com tudo o que acontece, definitivamente mudaria muitas coisas na vida e assim, aprendo a esperar e ter calma antes de qualquer coisa, entendendo que dores são oportunidades para a paciência, a paciência para experiência , a experiência, esperança e a esperança gratidão.
De dores em dores, de perplexidade às tragédias que não escolho, da luta e o do susto que não domino, sou eu quem escolho, afinal, o que vou fazer com isso?

Um comentário sobre “Da perplexidade a gratidão

  1. Salomé

    Pergunto sempre para mim mesma, o que vou fazer com tudo isso? Com tantas dores, desilusões, medos e agora solidão… tenho tentado olhar para dentro de mim mesma e encontrar essa tal realidade que vem de Deus através de Cristo para cada um de nós. Superar e viver contente e grata em todas essas situações, ou como vc fala no texto anterior, viver na contramão de tudo o que entendemos como realidade. Perplexidade, tragédias… como vc descreve bem nos textos muitas vezes dá vontade de sumir, mas acredito que sem fé e esperança naquele que tudo pode isso tudo não seria possível. Tô tentando, mais do que já tenho tentado a minha vida toda. Espero na esperança nEle que tudo pode.
    Seus textos tem me trazido muita luz e força nesses momentos difíceis.
    Obrigada Flávio.
    Abraço

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