Um fluxo natural na existência

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Perceba que há um fluxo natural na existência. O mesmo presente na natureza, no cosmos, nos oceanos, na vida dos animais, no funcionamento do corpo, nos processos de manutenção da vida. Um fluxo que organiza, movimenta, conecta, desconstrói para que algo novo surja no lugar. Há um fluxo presente em nossas vidas, sempre. É aquele que encaixa os eventos, reposiciona, relativiza, reorganiza as impressões, o olhar, as certezas, nos tira da zona de conforto, nos faz crescer, nos redimensiona as perspectivas. Observe que é sempre o mesmo fluxo, a mesma força. Ele trabalha em favor do reequilíbrio natural, em direção ao que realmente importa, não necessariamente em direção ao que quero, mas o que preciso. Quanto mais o percebo, menos interfiro, mais me aquieto, pacifico e observo com clareza que, na maioria das vezes, o que chamo de “fazer alguma coisa” só atrapalha o processo que naturalmente se encaminharia, naturalmente se resolveria. Um fluxo natural na vida de quem simplesmente aprendeu a viver no dia chamado hoje e, por isso, é grato, por isso, é feliz. Para esse, basta a cada dia sua própria porção

Da perplexidade a gratidão

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Que tal resolver enfrentar esse dia seguir adiante? Usar cada pedra para construir um pedaço da morada que cresce para dentro, superando, ultrapassando, transcendendo minha própria dor, projetando significados, enxergando espaços para crescer, por mais difícil que seja, por mais que eu queira sentar e chorar – e há tempo para isso- , por mais que eu ache que não dá.

Quando a noite for embora, levanto da cama e me surpreendo por conseguir andar, por ver o sol de novo, porque a noite passou e a manhã me trouxe até o dia da minha escolha, o dia chamado hoje, o dia eterno daquele que entendeu que esse é o único dia que existe, que o agora não é um evento no calendário, mas um espaço existencial.
Não tenho controle sobre todos os acontecimentos, mas o que fazer com eles é unica e exclusivamente escolha minha.
Não posso evitar todas as tragédias, mas posso escolher entre revivê-las sucessivamente todos os dias ou ultrapassá-las e sair mais experiente do outro lado.

Não gosto de tudo o que vejo e, se pudesse, pularia uma série de etapas, mas são elas que me tiram da zona de conforto e me dão chances para enxergar o que existia em mim, mas estava escondido.
Não sei lidar com uma série de imprevistos, mas aprendo se mantenho a serenidade de olhar, mesmo diante da momentânea perplexidade em lidar com aquilo que não quero.
Não quero experimentar tragédias e dores, prefiro o descanso e a paz, mas, ao enfrentá-los, desloco a experiência do descanso e da paz para dentro, não como fruto da necessidade de uma vida tranquila e estável, mas como reflexo de quem entendeu que é na interioridade onde vive a realidade.

Não concordo com tudo o que acontece, definitivamente mudaria muitas coisas na vida e assim, aprendo a esperar e ter calma antes de qualquer coisa, entendendo que dores são oportunidades para a paciência, a paciência para experiência , a experiência, esperança e a esperança gratidão.
De dores em dores, de perplexidade às tragédias que não escolho, da luta e o do susto que não domino, sou eu quem escolho, afinal, o que vou fazer com isso?