Sinto-me desconstruída. Amor é uma utopia. Será que estou entorpecida? – Pergunta Leitora

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Pergunta Leitora: Olá, Flávio.
Vi seu vídeo na internet sobre a desesperança e foi muito pertinente para mim num momento conturbado da minha vida pessoal. Há três meses conheci um homem muito interessante, inteligente, maduro e diferente de todas as experiências que já tinha vivido. Foi muito bom e pensava (finalmente), ter encontrado quem eu procurava. Me apaixonei! De uma hora para outra, tudo mudou… ele começou a dizer que tinha muitos problemas (pessoais e privados) e se afastou de mim. Sumiu. Eu, me sentindo sozinha, terminei o namoro. Estou péssima, um terremoto me atingiu e me perdi na tempestade. Pensei: Perdi a esperança!!!
Diante dessa situação, constatei o quanto me fechei pra vida! Deixei de me relacionar com pessoas amparada por um medo insuportável de viver. Abdiquei da minha vida pessoal em troca de estudar.. no final das contas, me formei mas não quero exercer a profissão (sem vocação). Meus amigos depois de alcançarem sucesso, desapareceram!
Flávio, suas palavras edificam e mexem comigo, porém como é difícil praticar o que você diz. Não consigo aquietar, porque minha alma grita, sufoca. Penso que eu não tenho mais jeito, minha autoconfiança é ZERO! Parei de escrever meus poemas e textos por achar que era em vão. Sinto-me desconstruída. Amor é uma utopia. Será que estou entorpecida?
Por favor, me ajude!

Resposta Flavio: Você me descreveu que, ao encontrar o “homem muito interessante”, finalmente encontrou o que procurava. O que você procurava? Segurança, amor, cumplicidade…o que? De repente ele apareceu, inteligente, maduro, diferente das experiências que você já tinha vivido. Chegou e pareceu se encaixar no que você procurava. “É isso!” – Precipitou sua mente e pronto, esse homem, que é apenas um homem, foi imantado por tudo o que você procurava. “Me apaixonei!” – você me escreveu. E, apaixonada, como entender que tudo o que você procurava/procura, não estava nesse homem? Nem em outro, nem em nenhum, por melhor que seja, por melhor que vier. Nem na profissão, nada! E sabe quando isso ficará claro para você? Justamente quando parar de procurar por ai e entender que essa tal felicidade que você me pergunta se é utopia, existe, e mora em você.
Tenho uma frase em um dos meus textos que sugere ” antes de encontrar a pessoa certa, encontre-se, para não sobrecarregá-la com a responsabilidade de te fazer feliz”. Nenhum homem, ou mulher, ou quem quer que seja, aguenta essa sobrecarga. Provavelmente esse homem não aguentou. É natural. Nem pai, nem mãe, ninguém. Ser feliz é responsabilidade de cada um, mas nunca entenderemos isso, nunca seremos felizes, nunca encontraremos o que estamos procurando, parece que tudo continuará eternamente vazio enquanto projetarmos em alguém, em algo ou em qualquer coisa que estiver fora da gente. Continuaremos cativos das emoções, hora radiantes, felizes, apaixonados, hora deprimidos, desesperançosos, autovitimizados, como se não houvesse lugar para gente nesse mundo.
Nosso lugar nesse mundo é o único onde cabe o mundo inteiro, nossa interioridade. Portanto, aquiete-se. Esqueça as possibilidades, independente de quais sejam, de encontrar a felicidade fora de você. Isso não existe. A boa notícia é: em você, há felicidade, há paz, há Deus, então, descanse, não de ouvidos para o choro, as lamentações e ruídos produzidos por sua mente. Ela apenas tenta fortalecer seu ego, ainda que de forma negativa, para que você se enfraqueça, se desvie de si mesma. Não faça mais nada. Não tente. Não corra atrás. Não projete. Não faça planos. Não se desespere. Apenas pacifique-se e, silenciosa, simplesmente ouvirá. Pacificada, simplesmente verá. Está tudo ai em você, não fuja e, lembre-se: antes de encontrar a pessoa certa, encontre-se, para não sobrecarregá-la com a responsabilidade de te fazer feliz. Eu sei que vai conseguir. Vai sim.

3 comentários sobre “Sinto-me desconstruída. Amor é uma utopia. Será que estou entorpecida? – Pergunta Leitora

  1. Jarbas Lins

    Pois é amigo, em 1998 tive uma grande paixão que me deixou assim feito essa leitora. Foi então que um amigo me enviou um texto de nome “Estações” e depois que li esse texto foi que comecei a conseguir me “levantar”. Segue:
    —————–
    Estações

    Era um planeta vazio…
    Sim havia vida ! Mas uma vida microscópica, invisível, básica.
    Tudo a volta era escuro, via estrelas ao longe, inalcançáveis.
    Era frio.

    Mas havia uma estrela q começava a brilhar mais.
    Não, não era uma estrela. Era um sol !
    Um sol com uma gravidade muito forte, um brilho diferente.

    Pensei: se aumentar a velocidade de rotação, consigo sair de minha órbita e ser pego por sua gravidade. É um risco, mas parece valer a pena.
    Arrisquei-me.
    Saí de minha órbita. Sabia que não poderia ser por muito tempo, que teria hora para voltar.

    Nossa !! Como o sol é quente.
    Foi quando eu vi a vida fervilhar em mim.
    Veio a Primavera e o Verão. Um quase ao mesmo tempo que o outro. Me disseram que se chamavam “Estações” e que haviam outras duas, mas que iria conhecê-las em seu momento certo.
    Porém, não estava interessado em saber das outras, queria aproveitar estas.

    A Primavera, o descobrimento do surgimento da vida, o florescer, o amanhecer… tudo é maravilhoso.

    Verão… nossa! Que calor, sensualidade, sexualidade. A vida já existe e quer se multiplicar, quer crescer, aproveitar o sol. O que era isso ? Como era bom! Me senti forte, estruturado, pronto para enfrentar todas as dificuldades que o Universo impusesse a mim. Estava bonito, completo.

    Então o tempo me dado extinguiu-se. Tinha que voltar a minha galáxia, os outros planetas, terras, asteróides reclamavam minha presença. Poderia dar uma de maluco, e continuar nessa nova órbita criada, mas era um risco demasiado. Afinal, conhecia esse sol há muito pouco tempo e, apesar de saber como era maravilhoso, vi o quanto estava instável, e que, a qualquer momento poderia sair do eixo e me deixar sem gravidade, ou pior, criar uma gravidade negativa, impulsionando-me para longe.

    E, afinal, foi o que acabou acontecendo. Fui pra longe. Mas sabia que, de tempos em tempos, poderia voltar pelo mesmo caminho que fui.
    Não… ledo engano. Veio o Outono. Vi o que a distância do Sol começou a causar. A vida iniciou seu processo de envelhecimento. As folhas caíram, os animais hibernaram, tudo ficou mais lento e feio. E comecei a ficar desesperado.

    Agora percebi. Eu vivia num eterno inverno, não queria voltar a mesma situação. Não desejava voltar a ser frio, sozinho, pequeno.
    Sim… estou no inverno. Mas diferente do que vivi na ultima estação. Porque eu não sabia que estava no inverno, pensava que sempre seria assim. Sei que não é. Conheci a Primavera, Verão e Outono. Vi como são importantes e as quero novamente.
    (autor Desconhecido)
    Sei que, muito provavelmente, não será possível ser com o mesmo sol, mas agradeço a Deus por ter conhecido este Sol, que me ensinou que a vida dá muitas voltas.

  2. Que pancada no coração! A verdade dói no primeiro momento mas em seguida, liberta… Muito obg por suas palavras meu amigo… Como o meu coração é abençoado por vc!

  3. Isabela

    O seu dom com as palavras é incrivel. Obrigada por compartilhar sua sensibilidade e sua capacidade de transmitir paz pelos textos e assim acalmar as nossas almas “cegas” da simplicidade das coisas!

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