É mais fácil

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É mais fácil acomodar-se. Mais fácil dizer que não dá, que é assim mesmo que a maioria faz, que mudar a mente, evoluir, enxergar com mais abrangência é para poucos. É mais fácil permanecer na contrariedade, insistir na amargura, abraçar-se a rigidez de alma, de olhar, de pre conceitos, proteger-se na opinião dos outros, mascarar-se com desculpas esfarrapadas. É mais fácil permanecer no sono a despeito da insistência do despertador, enrolar-se no cobertor, virar para o lado e prolongar-se enquanto já deveria ter despertado, sim, é mais fácil, é muito mais fácil. Até perder a hora, as oportunidades, a si mesmo, a vida, sem ver, sem viver, afinal, era tão mais fácil.

Como entender tantas injustiças?

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Cada história só tem significado especifico para cada humano. Não se trata de punição ou aleatoriedade, tampouco de justiça ou injustiça. Uma flor não está sendo recompensada por nada assim como um espinho não está sendo punido ao nascer espinho. O cachorrinho doméstico que vive cheio de agrados não tem nenhum privilegio existencial diante de um porco que vive na lama. As coisas são o que são, as pessoas convivem com suas escolhas e sofrem interferências de escolhas alheias, mas o grande erro reside em tentar anexar juízo quando tenta interpretar uma história, ou na tentativa de explicar determinada fatalidade, desconsiderar que você nunca entenderá a razão de possíveis contradições simplesmente porque elas não se aplicam a você. Cada humano é um mundo e só ele poderá dar significado ao que lhe acontece, seja a criança que nasceu doente ou a sã. Seja o pobre ou o rico. Aquele que convive com ótimas oportunidades ou a pessoa que nunca entrou em uma escola. Olhar para eles e tentar interpretar cada contradição a partir de você é completamente diferente de saber que cada contradição só passa a fazer sentido a partir do olhar de seus protagonistas. Esse, mesmo que não veja, está diante da contradição que carrega em si inúmeras possibilidades únicas e específicas. – livro O ÉDEN