O que realmente importa

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As grandes descobertas, as percepções mais profundas, os insights mais iluminados, os entendimentos mais essenciais não nascem de mentes sobrecarregadas, nervosas, pressionadas pela necessidade de superação, de produtividade, competitividade, autoafirmação, nem de livros, discursos ou cartilhas. As coisas que realmente importam nascem de mentes relaxadas, abertas, desimpedidas, corações pacificados, conectados em simplicidade, desintoxicados da mágoa e da falta de perdão. Esses, quando menos esperam, prestando atenção no simples, vivendo a cada dia sua própria porção, presentes no agora, de repente percebem, simplesmente veem.

Simplicidade

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O cotidiano é difícil, os dias sobrecarregados, os fardos pesados e, então, corremos o risco de perder o que temos de mais importante e poderoso: a simplicidade do olhar. Simples, como uma bola de madeira caindo em pedaços de bambu.

Doenças psicossomáticas, medos e desvios

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Vivemos na geração do assombro.

Seja pela espetaculização do terror real, transformando dores em commodities da comunicação, monetarizando a tragédia alheia, glamorizando o terror fictício, ou mesmo pelos pequenos sustos no dia a dia.

Enquanto nossos avós se acostumavam a dormir com o por do sol, hoje somos estimulados o tempo todo pelo som da buzina, toque do despertador, celular, carros, maquininhas, televisão, com olhos grudados na tela clara do computador recebendo estímulos o tempo todo, em todos os lugares, viciados, dependentes, grudados em nossos aparelhos.

Como se não bastasse, estamos expostos a cobranças de aumento de produtividade incessante, onde empresas que só enxergam números estabelecem metas quase impossíveis de cumprir.

São milhares de estímulos, são vozes, ruídos, interferências que intoxicam a alma, fixando-se e distorcendo nossa auto imagem, acumulando-se, sobrepondo-se, somatizando-se, não apenas na mente, mas no corpo também.

Surgem as doenças psicossomáticas.

Síndrome do pânico, stress, depressão, nomes cada vez mais presentes nos diagnósticos atuais, incluindo os de gente muito jovem.

Diante desse cenário, é curioso entender a razão pela qual, apesar de nossa natural e involuntária exposição a tantos estímulos, por que nossa resistência quando os sinais evidenciam necessidade de parar, de evitar sobrecargas, descansar a mente? Por que continuamos a consumir tanto lixo mental, por que insistimos em permanecer em nossa profunda distração? Não pensamos, não questionamos, evitamos fazer escolhas, aceitamos passivamente toda sobrecarga.

Nos deixamos levar por certa hipnose coletiva onde todos correm o tempo todo em busca de não se sabe o que, compramos, comemos, fazemos sexo, trabalhamos, vamos a igreja e nada, a culpa não diminui, a busca não para.

Não prestamos atenção na dimensão de nossas culpas, na motivação dos medos, no medo da morte que nos faz comer mais que o estomago aguenta, caminhar onde as pernas enfraquecem, querer mais do que posso carregar, aparentar o que sei que não sou. É claro que isso gera sequelas.

É preciso mudar o ritmo e a frequência interior.

Redimensionar escolhas, prioridades, perceber o simples e, sobretudo, entender que o significado de cada coisa nasce dentro da gente. Não se deixe levar pelos argumentos publicitários, religiosos, ideológicos, criando dificuldades, vendendo facilidades, separando você de Deus, de si mesmo, esquizofrenizando a mente, promovendo dicotomias de todas as naturezas, gerando cenários de dependência, de exposição, de vulnerabilidade emocional onde simplesmente aceitamos ser conduzidos, sem questionamentos, sem reflexão, sem paz.

Nos perdemos de nós mesmos sempre que perdemos a real dimensão do reino da simplicidade, do reino do amor, do reino das percepções cotidianas, conectadas, presentes nos hábitos mais simples, mais naturais, mais humanos. Insistimos na construção de uma espiritualidade completamente distante de nossa humanidade, quando, na realidade, só cresço espiritualmente quando cresço em humanidade.

Precisamos recuperar nossa capacidade de enxergar, de ouvir, de sentir, de intuir, de silenciar, de esperar, de acreditar, hoje, agora, no momento eterno, sem projetar o que não é, muito menos eternizando uma imagem distorcida do que já foi.

Precisamos de confiança no entendimento de que, os que vivem melhor, não são necessariamente os de mente prodigiosa, mas os de coração simples.

Estamos distantes de nossa natureza e nossos corpos e mentes estão reclamando, manifestando, adoecendo, somatizando o peso que não deveríamos aceitar.

A cura vive em você, portanto, vá com calma, comece a ouvir, perceba o simples, desintoxique sua mente, livre-se do sobrepeso, das preocupações que não levarão a lugar algum, veja além, sinta, perceba, esteja presente no agora.

São passos simples, completamente dependentes da sua vontade, que iluminarão sua alma e curarão seu corpo.

Hoje é o dia para começar. Que tal?