Os prazos de validade

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Tudo na vida tem prazo de validade.

Em alguns casos pode durar menos, outros mais, o fato é que chega o tempo em que a textura muda, o sabor termina, o doce azeda.

Se nem tudo vem com rótulo, cabe a nós discernirmos o tempo de cada coisa, interpretando os sinais de que, o que era bom, agora deixou de ser. Venceu.

O problema não é que as coisas estragam, mas a nossa incapacidade em perceber que o prazo venceu.

Profissões também vencem.

Se ao envelhecer, o sujeito continuar com as mesmas expectativas do tempo em que estudava, será um eterno estagiário.

É preciso realimentar as ambições, direcionando os passos a partir do último degrau galgado, não do primeiro.

Casais que esperam encontrar no passar dos anos exatamente os mesmos sentimentos dos primeiros dias, se decepcionarão.

A relação não ficou ruim, ela só mudou.

Tudo muda.

Saber disso, é andar consciente e, só para de caminhar, quem venceu todos os prazos.

Com o tempo, os prazos vencem, a vida muda de cor e o que fazia sentido perde o valor.

Mas é sempre assim.

Dê valor enquanto tem, entregue enquanto pode, mas, o dia em que o prazo vencer, não insista. Não lute contra ele.

Caminhe com gratidão, sabendo que deu seu melhor e que chegou onde deveria chegar, partindo em seguida para novos e melhores caminhos.

Depois dos prazos, novas contagens, novas estradas, novas possibilidades, renovação.

Para tudo há um prazo, cada coisa o seu tempo, o que começa , um dia acaba.

Sábios os que percebem.

Por um único som

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Você sabia que a vida é cheia de música ?
Em cada movimento, em tudo o que acontece, nos bichos, natureza, nas pessoas, nos movimentos naturais, cotidianos, simples do dia a dia; existe um som que sai do choro, do sorriso, da felicidade e da tristeza também.

A vida é muito mais do os sentidos conseguem captar.

Quando a gente percebe as bilhões de possibilidades embutidas em cada acontecimento, a gratidão é inevitável. Gratidão por enxergar, ouvir, sentir, pelos processos que aos poucos nos desentopem dos resíduos depositados diariamente – e de vários formas – pelo que chamamos de cultura.

Quando nos libertamos do olhar da massa, descobrimos nosso próprio olhar e, então, chegamos mais perto de poder ouvir o som que sai das ruas, das pessoas, de todos os lugares e, como resultado, com a contribuição pessoal e intransferível de cada individuo, produzirmos, entre muitas musicas, um único, vibrante e harmônico som.

Em que ponto você está?

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Não é a toa que ás vezes acordamos com a sensação de que não sabemos a história toda. Que só vemos em parte. Que estamos longe de casa.Que vivemos entre mundos: Entre o mundo criado a sua volta e aquele que existe dentro de você, entre o senso do que a media considera real e sua consciência questiona como verdade, entre o que dizem sobre você e aquilo que sabe ser, entre o que parece verdade mas não encaixa, não convence, não conquista. Entre o mundo que você vive e o mundo que vive em você, em que ponto você está?

Como você reagirá ?

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Quem anda conforme seus medos e usa seus pre-conceitos como tangenciador de caminhada, se enclausura, se esconde, se fecha em si mesmo.

É como se vivessem em um porão escuro, sem janelas, sem jamais ver a luz do sol. Como se pertencessem a caverna de Platão.

Apesar da crescente valorização de palavras como “liberdade”, “democracia” e “consciência”, basta um simples olhar mais apurado para discernir o quanto somos aprisionados como cães de laboratório, respondendo a estímulos de consumo disseminados com enorme sutileza.(as vezes nem tanto)

Você que acorda cedo e sai para o trabalho. Se inquieta com seu salário e os rumos da economia. Paga seu plano de saúde, o seguro do carro e o de vida. Lê seus jornais pela manhã e no fim do dia assiste aos tele jornais antes de descansar. Você que está atento e informado sobre os rumos da tecnologia e não perde uma oportunidade de comprar a mais recente novidade.

Talvez você se considere um ser espiritual, evoluído, iluminado ou simplesmente em dia com suas obrigações religiosas, afinal acredita em Deus e respeita o próximo. Está em dia com seus impostos, certo ? Não compra produtos piratas, não sonega, não suja as ruas e segue todas as campanhas politicamente corretas.

Você que se diverte e investe em seu lazer, viaja sempre que dá, assiste aos seus programa de televisão e tem suas próprias opiniões em relação a política, futebol e comportamento da sociedade.

Você que vive sua vidinha normal, sem excessos, seguindo o fluxo do que a média aceita, tolera e considera saudável.

E se você estiver preso em uma caverna sem saber ?

E se houver luz do lado de fora ?

E se o caminho da média – estrada para a mediocridade – for o único caminho que você trilha ?

E se um dia você entender que sua vidinha é uma jaula de conforto e, de repente, se sentir a um passo da liberdade ?

Já pensou se – ainda que você não queira – uma curva inesperada em seu caminho colocar sua vida de pernas para o ar e, em questão de segundos, tudo o que parecia estável e encaixado perder completamente o sentido ?

E se não for mais possível fingir que não vê ? Que não sente ? Que não quer ?

Que tipo de sentimento terá quando, não mais o piso fechado, gelado, estável e seguro da jaula estiver diante dos seus pés, mas a grama, a terra e o sol ?

Como será que você reagirá ?

Ou será que você realmente acredita que esse teu comodismo existencial que lhe dá sensação de conformo e segurança justifica sua existência? Ou será que você realmente acredita que estará para sempre no controle e o que hoje lhe parece tão seguro, permanecerá assim eternamente ?

Acredita mesmo que sua saúde, seu dinheiro, seus argumentos, sua aparência, sua articulação, sua influência, sua sanidade nunca terminarão? Tem absoluta certeza de que aquilo que você tanto almeja e chama de poder, conquista, metas ou vitórias, lhe conduzirá para fora da jaula?

Como será o dia em que a jaula se abrir e você olhar para a luz do sol?

Quando perceberá que tudo o que precisamos é nos expor a luz e ver o quanto ela brilha aqui dentro?

Até que ponto lhe parece plausível que nada lá fora fará sentido, até que simplesmente seja iluminado pelo Sol? Exposto, encarado, enfrentado?

Até que ponto está disposto a enxergar-se, questionar-se, libertar-se? Olhe para si mesmo, encare-se e descubra que a vida não está la fora, o mundo é só reflexo, mas dentro de você. Consegue perceber? Pense nisso.