As sementes, as variáveis, os tons e os sons

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Para cada tema existem milhões, talvez bilhões de variáveis.

Não existe só preto e branco. Entre as duas cores, uma infinidade de tons.

Também, sobre o som. Nossos ouvidos não captam todos os timbres e variações, a gente só ouve em parte.

Há variáveis, infinitos tons, variação de sons.

Vivemos no mundo das possibilidades e convivemos com os desdobramentos de cada escolha que se entrelaça, emenda, conecta com outras escolhas e juntas transformam-se em uma coisa só.

Há bilhões de caminhos, mas só vemos um ou dois.

Olhando aqui de dentro, parece que vivemos em uma teia. Ela parte das nossas escolhas, passa por uma série de conjecturas e acomodações, se alocam, deslocam, emendam, desfazem, espessuras que nem sempre são as que imaginávamos.

Tudo começa com uma semente e suas sementes definirão que tipo de frutos colherá, mesmo que até lá as coisas pareçam estranhas.

Ainda que ninguém saiba exatamente como serão os dias e mesmo não tenha controle sobre o futuro, as coisas que acontecem em sua vida sempre são fruto daquilo que você plantou.

E sabe qual a importância de saber isso? É que, ainda que nem tudo esteja ocorrendo como gostaria e o fruto possa estar parecendo amargo, espere, se aquiete, lembre-se que entre as variáveis, tons e sons, você não percebe quase nada.

É só questão de tempo para que você entenda que a hora da colheita virá.

Para uma árvore crescer saudável, terá de ser regada, enfrentará tempestades, será podada. Isso pode doer, faz parte do processo.

Enquanto poda, o jardineiro sente o coração despedaçar, mas sabe qual a semente que plantou e que daqui a pouco os frutos virão.

Que tipo de sementes tem plantado ? Quais suas prioridades ? O que espera da vida, de si e dos outros?

O que você plantar, certamente colherá. Pode levar um tempinho, mas os frutos sempre virão. Sim, eles virão.

A sabedoria e os espaços

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A sabedoria aceita espaços vazios na interioridade, dúvidas, tocas de silêncio que não podem ser preenchidas. São aberturas ao reconhecimento do mistério, esse que nos relativiza, questiona, humaniza e alimenta a certeza de que, quanto mais me chamam de “mestre”, mais aprendiz entendo que sou.

Perdoar sem reciprocidade?

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Um diálogo que aconteceu com um querido leitor de Portugal nos comentários aqui do blog. Como nem sempre todos leem, resolvi dar mais destaque. O assunto: perdão.

Leitor: Bom dia Flávio! Sem discordar formalmente daquilo que diz, o facto é que quando nas nossas diversas relações com as pessoas, as respeitamos e as consideramos, gostamos que haja reciprocidade! Muitas vezes isso não acontece! O Flávio fala em perdoarmos sempre que se verificam situações de ingratidão. De acordo. Mas muitas vezes o Perdão deve de ser acompanhado por alguma justiça, para que ambas as partes compreendam e assimilem o que aconteceu e ambas possam assim aceder a um patamar superior de compreensão. Um abraço!

Flavio: Perdoar é difícil porque não pressupõe reciprocidade, tampouco deve se vincular a escancaradas ou tímidas demonstrações de arrependimento justamente por uma razão: Não perdoo para o outro, mas para mim. É o perdão que me liberta do corrosivo sentimento de ter sido injustiçado, vítima de qualquer coisa, ainda que de fato eu tenha sido ofendido. Estou falando sobre um passo além, sobre uma perspectiva acima, sobre um olhar transcendente que não pode se condicionar a nenhum tipo de expectativa, deixando-se sequestrar na dependência de que, antes que eu perdoe, o outro me peça perdão. Arrepender-se, pedir perdão, tomar consciência da ofensa é importante para o ofensor, isso o libertará do peso do ato, ainda que porventura tenha que pagar pelo que fez, no entanto, meu perdão só será genuíno se, quando o arrependido chegar, antes mesmo, ele já estiver perdoado por mim. Não é fácil e, talvez por isso, seja um exercício tão profundo e tão pouco praticado. Experimente ! Grande abraço pra você também.

Crescemos com a dor?

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Quando crianças, enquanto seres tomados por profundo senso de liberdade, quando não há noção de pecado, errado, vergonha, ou nenhum tipo de contingenciamento seja de qual natureza for, livres, conectados, sensíveis, espontâneos, não percebemos que a idade tende a deixar o brilho do olhar mais opaco, especialmente na proporção que a escola, a família, as leis, a mídia, a cultura, a universidade, a sociedade, o mercado de trabalho, enfim, camadas e camadas de regras e referências que se acumulam sobre um espírito essencialmente livre, impondo verdades, criando absolutos, domesticando com o tempo, transformando liberdade em loucura, formatando, padronizando, massificando, argumentando para que aceitemos o inaceitável e nos acostumemos ao sofrimento e a dor. É quando nascem absolutos do tipo “é bom sofrer”, “a dor purifica”, ou “é nobre sofrer”. Será? É quando o sorriso escasseia, a felicidade é relativizada e trocada pelas “alegrias” do consumo, quando crianças se tornam adultos com raros frames de memória de um tempo distante, inocente, onde, sem saber ou pensar, eram felizes. Acostumar-se com o sofrimento é um tipo de domesticação. Aceitar que a vida não pode acontecer na dimensão da felicidade – ainda que esta seja pontuada por momentos de tristeza, mas que ainda assim não anulam o estágio da paz – é sequestro, é prisão, é encarceramento do espírito humano, essencialmente livre, essencialmente feliz. Nesse mais novo INSIGHT uma reflexão sofre significados, sobre o que de fato nos torna melhores e mais humanos. Reserve 12 minutos para o vídeo e tenha um dia melhor. Fique bem !