Hoje

Padrão

Repare: nada existe fora do hoje, do agora, do momento. Nada. O passado aconteceu no hoje e, quando lembrado, revive no hoje. O futuro, quando imaginado, aparece no hoje, ainda que seja apenas uma projeção. Essa projeção cede lugar ao que é, a medida que vivo o hoje. Não há nada fora do hoje. Hoje não é a folha do calendário, nem os eventos que se desenrolam naquele instante. Hoje não é quinta feira. Hoje é um espaço, uma dimensão, uma condição onde a vida acontece. Não há vida fora do hoje. Há lembranças, projeções, ruídos, divagações, ansiedades, medos, culpas, expectativas, metas, projetos, imaginação, sonhos, miragens que não correspondem exatamente ao que foi, pois a lembrança do passado já se misturou com as impressões do presente, nem correspondem ao que será, pois a projeção do futuro está carregada das expectativas de quem ainda não chegou lá. É hoje onde existo, onde sou eterno, onde sou, onde experimento a ilusão do tempo e organizo as experiências empiricamente, catalogando-as entre passado, presente e futuro. Hoje é eterno, e, nesse espaço, há lugar para o infinito, para o que chamo de tempo, para o que chamo de existência. Hoje é existir, então, aceito. Existo no hoje, descanso minha mente, tento não sobrecarregá-la com miragens e exercito, hoje, a gratidão de quem sabe que tudo é oportunidade para que eu veja o sentido do agora, para que eu aprenda a amar e não me preocupar com nada que seja menor do que esse espaço, onde todas as coisas acontecem, se renovam, se transformam, cabem em um frame, um fragmento de tempo que só sei chamar de hoje.