Meninos e pipas

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Um dia, um menino empina a pipa e, orgulhoso aponta lá em cima, alto, distante e se impressiona. Mais tarde um homem chega nas nuvens, maravilhado, olha tudo do alto e sorri por recordar-se quão baixo sua pipa voava. Mas as nuvens ficaram lá embaixo, ele sobe e agora já não sabe onde estão as nuvens, as pipas e os meninos. Ele não pensa que ainda nem subiu, que, sobre o céu há o espaço, sobre o espaço o infinito e, depois, quem sabe? Não há grande conhecimento que não passe de uma pipa, de um olhar impressionado a partir de uma perspectiva menor e que se torna sábio quando reconhece que sequer chegou nas nuvens, que quanto mais alto pensa voar, mais perplexo ficará diante da própria relatividade. Somos todos meninos empinando pipas, impressionados, maravilhados, mas pouco atentos para o infinito que se estende sobre elas, pipas, apenas pedacinhos de papel coloridos presos em cordas se trombando no céu.

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Todos nós

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Quem ignora que cada atitude, cada escolha, por menor que seja, impactará de alguma forma na vida de outros, interferirá no ambiente, construirá novos cenários, será chamado para um confronto com a realidade e, acredite, isso pode ser doloroso.

O que faço aqui chegará aí e o que vem de lá, passará por aqui. Se o apelo consumista é para que nos sintamos como ilhas, a realidade da existência nos provoca constantemente para que nos enxerguemos como parte de um todo, promotores de consciência ou insanidade, viajantes da mesma nave, membros de um corpo só.

Viver em sociedade é um grande exercício de auto percepção. Nosso olhar em relação ao desconhecido, nossas atitudes relacionadas ao bem de quem virá, a consciência de que minhas escolhas impactará outras pessoas e produzirá sequências de acontecimentos correlacionados, interferirá, tocará, influenciará na vida de quem vejo, criará situações que nunca saberei para pessoas que nunca vi, essa percepção, tem o poder de deslocar meu eixo gravitacional, diminuindo o próprio ego, modificando prioridades, aproximando-me do outro e iluminando minha mente para que eu veja o quanto precisamos uns dos outros, o quanto cada um de nós é fundamental na construção de uma vida melhor. A minha vida, a sua e de todos que virão.