Para não virarem churrasco

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Para quem não sabe, meu livro novo (ainda não posso divulgar o título) tem como pano de fundo o cenário político. Toda queda e superação do personagem principal, um ex governador que caiu até virar morador de rua, passa pela construção de apoios, chantagens e a relação de poderes entre povo, políticos, mídia até chegar aos que mandam nos que pensam mandar. Nesse processo de revisar o livro tenho encontrado muitos paralelos com nosso momento histórico, muitas reflexões que fiz enquanto escrevia que ganham contornos mais realistas diante do que estamos experimentando no país. Eis um deles:
“Enquanto os eleitores se enxergam desconectados da sociedade, não agem como um corpo e isso significa a eterna ignorância em relação ao poder de mudanças que tem. É bom que pensem que nós, os políticos, ou qualquer representante institucional, como o profeta, por exemplo, tem o poder nas mãos. Na verdade nos alimentamos desse processo. Isolados uns dos outros, desconsiderando o poder de agirem como sociedade, cedem sua força a nós como se os representássemos e nos dão procuração para decidirmos sobre o bem e o mal. Exatamente como aquela centena de bois a um passo do abate, seguindo a voz de um ou dois abatedores que os conduzem, sem medo de que parte da manada desperte em consciência em relação a força desproporcionalmente maior do que a dos homenzinhos e os massacre, negando-se a virarem churrasco.”

Fale de amor e, se preciso, use palavras

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Entre o despertar e o adormecer, entre o dia e a noite, entre o nascimento e a morte, nos expomos a milhões, bilhões de vozes, apelos, ruídos, sugestões de todas as naturezas. Tem gente dizendo que o caminho é nessa direção, outros insistemque melhor é ir para o outro lado, tentando se impor aos que dizem que não há lado nenhum, afinal, ontem chegamos, amanhã deixaremos de estar. Diante disso é fácil nos sentirmos sobrecarregados, muitas vezes confusos e cada vez menos sensíveis as sutilezas, ao sussurrar interior das verdades mais essências, desconectados do próximo, do planeta, do universo, de nós mesmos, dependentes de pirotecnias ou tudo o que aparente novidade e nos cative até o próximo cansaço. Talvez chegue o dia de nos aquietarmos, quem sabe deixemos de nos impressionar com os furacões e atentemos a brisa ? Então o silêncio falará, a vida se transformará em um poema de amor, e as palavras… bem, as palavras serão completamente desnecessárias.