Quando a chuva passar

Padrão

Sabe aquela noite de chuva torrencial, quando pingos explodem na janela com violência, uivos de vento misturam-se com trovões, flashes de raios rompem trevas de um tempo que parece nunca acabar? Você se enrola no cobertor, fecha os olhos e sente saudade de alguma coisa que não sabe o que é. Aquela chuva, aquele vento, aquele temporal lá fora refletem a agitação de dentro, a nostalgia, o inexplicável medo de escuro, a solidão que desafia o tempo na noite sem fim. Você chora, primeiro devagar, depois soluça e chora mais em profunda solidão até voltar a ser a criança que não tem mais lágrimas, suspira, fecha os olhos, entrega-se e dorme.
Um raio de sol penetra o sonho esquisito, bate no rosto e lhe acorda. Não há mais chuva. Você joga os cobertores para o lado, se levanta, espreguiça e abre a janela: O sol, as pessoas, o cheiro de mato, os pássaros, a iluminação que reflete sobre as folhas ainda molhadas, estão todos lá, você nem viu quando voltaram. Lá fora a chuva passou e aqui dentro a percepção de algo novo, um estranho sentimento que nasceu na escuridão da noite, mais forte, mais experiente, mais consciente de que a madrugada tem fim, a chuva passa e os trovões são apenas trovões; que o choro pode durar uma intensa, escura e chuvosa noite, mas, a alegria, a pacificação e o consolo logo virão e, com eles, a manhã. Talvez sua noite esteja terminando, talvez tudo o que precisa seja esperar um pouquinho mais, suspirar e descansar. Daqui a pouco o sol voltará a brilhar e tudo será diferente. Espere mais um pouco, acredite e verá. Verá sim.

123918656