Essa tal liberdade

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Não encontro liberdade entre os que a proclamam. Nos discursos, nas poesias, nos ensaios, nos homens e mulheres da moda, nos donos da mídia, nos sistemas de educação, em quem vota ou é votado, ainda que me esforce, chega um ponto onde ela, a liberdade, se revela e, então; miragem. Entre os polos fundamentalistas, entre os “ismos”, opostos que se atraem, mobilizam-se em embates e ataques, desgastando-se, esforçando-se em destruir quem se opõe, pregam a liberdade sob a égide do controle, do sequestro do bom senso, dos direitos, do achatamento do senso crítico, do esvaziamento de espírito, da humanidade, da reflexão, da consciência. Não encontro liberdade nas religiões, nos políticos, tampouco em nossa democracia, simplesmente porque liberdade não se conjuga com sistemas, com instrumentos de persuasão modeladora, silenciosa, sorrateira, sabotadora.
Mas a verdadeira liberdade não é uma utopia. Ela está na interioridade de cada homem e mulher que, de tão livres, permitem-se viver sob a luz da consciência, abstendo-se da algema da culpa, desprendendo-se do controle do medo, expondo-se a um nível de abrangência de percepções tão clara, tão profunda, tão desconstrutiva, tão libertadora, tão consciente, tão visceral, dolorosa muitas vezes, mas presente em cada escolha, até o ponto onde o simples fato de existir seja um verdadeiro ato de rebelião e, então, finalmente, de profunda liberdade.

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