O mundo que estamos criando

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Nossas cidades abrigam milhares, milhões de mundos.

Elas refletem em suas curvas e contrastes, luzes e sombras, altos e baixos, nossas próprias mazelas interiores, nossos poços e nossos mares, nossos medos, erros e acertos, o que somos expresso em pequenas atitudes de solidariedade, de desapreço, em correria, pressa, desumanização vertical na mesma medida que deixamos de ser.

Nossas construções projetam no espaço o tamanho de nossa sede. Imagem do progresso, belezas da arquitetura que se estende sobre frágeis corpos apressados, estressados na eterna luta pela sobrevivência, fixados em miragens , desatentos… desalmados humanos.

A alma de cada cidade é a somatória das nossas almas. Nossa cultura, sociedade, planeta, apenas o reflexo de nossos mundos, de cada mundo, de cada mente.

Cercados por arranha-céus, sitiados pela massa, feitos anônimos pela multidão, sentindo-nos como peças sem importância, sem relevância, sem voz, cada individuo é um mundo e cada mundo um universo em potencial.

Seguimos o fluxo, cabisbaixos, atentos apenas as sombras que as luzes piscantes produzem com suas mensagens de consumo, trombando-nos, desviando dos vultos que cruzam nossos caminhos, sentindo-nos muitas vezes forasteiros, esquecendo-nos de quem somos.

Esses mundos que as cidades abrigam, essas almas que cada corpo carrega, que acordam todas as manhãs sem saber direito a razão, que chegam em casa todas as noites e dormem tentando entender os “por quês”, essa gente que segue com pressa e nem pensa para onde vai, que seguem a média, que aprovam a moda, que investem no medo, que habitam no mundo, talvez, se quiserem, despertarão e, como um piscar de olhos se enxergarão.

Verão o poder que lhes habita no contraste da fraqueza, a força que carregam nas dores de existir, a verdade que liberta, que conecta, que abre os olhos.

Cada mente que desperta dá a luz a um novo universo. Cada ser que se enxerga, cada humano que transcende a si mesmo e, como vagalumezinhos que brilham a noite, contagiam seu ambiente, influenciam sua geração, constroem seu próprio mundo que desfaz o cinza que nos habita e apaga a noite em nossa alma, esse olha para o mundo, a cidade em que vive, e apesar de forasteiro, brilha.

Você muda o mundo quando seu mundo muda em você.

A cidade continuará aonde está, e tudo como sempre foi, no entanto é o bom olhar que projeta no caos o equilíbrio e permite que um dia nossos mundos se cruzem, se abracem e completem, somando-se, crescendo na consciência de que uma mudança de olhar faz toda a diferença.

Nossas cidades abrigam milhares, milhões de mundos. Todos eles, vivem em sua mente.

Qual mundo você está criando?