Entre a vida e a morte

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Em nossa desenfreada busca pela felicidade, deixamos de ouvir vozes importantes que, na caminhada, nos faz crescer. Vamos refletir juntos? Esses pouco mais de 5 minutos de conversa a beira do laguinho pode lhe fazer enxergar o que você não está vendo.

Quando chega o dia mau

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Repare nos outdoors. Gente feliz, sorrindo com olhares convidativos e mensagens cativantes.

Cativantes como os títulos de best sellers que prometem ensinar “não sei quantos passos” para a felicidade, o reconhecimento, a vida “plena”.

Alias, plenitude é a propósta : dos programas de TV, pregadores religiosos, políticos e anuncios publicitários.

Você já parou para pensar na quantidade de mensagens – ostensivas e subliminares- que somos expostos desde a hora que acordamos até o momento de dormir e como isso fica repercutindo em nosso inconsciente ?

De um jeito ou de outro gostamos disso e, ainda que seja sem perceber, construimos nossos castelos sobre tais promessas.

Aí chega o dia mau. Quando o imponderado surpreende, nos abala e força os questionamentos.

Por que o avião caiu ? Por que o mundo está sendo destruido ? Por que crianças são abandonadas ? Por que aconteceu comigo ?

Diante das contínuas mensagens de ‘você pode”, “você merece”, “o mundo é seu”, o choque da catástrofe parece nos puxar o pé, dizendo que no mínimo há algo contraditório em nossa percepção de vida.

O problema é que gostamos de ver as coisas sob as lentes do que julgamos merecer. Nosso senso de merecimento está conectado as mensagens estampadas, difundidas, anunciadas, propagadas, disseminadas em todos os lugares, ensinando que a felicidade que todos merecem é aquela do comercial da margarina, sem contrastes, sem dores, sem raizes. Diariamente tomamos pílulas de positivismo para que junto venha o compre, faça, vote, doe, venha.

É uma permuta:

De um lado você cumpre as regras, comprando, consumindo, frequentando, aparentando ser o que dizem para ser. De outro lado eu faço você acreditar que assim será feliz. Até que a nova ordem de comando se renove.

Só que a vida não é assim e quando chega a estação das dores nos sentimos lesados como consumidores e muitas vezes recorremos ao Procon existencial sob forma de estupefamento ou crises de depressão, no mínimo.

Nem tudo o que lhe parece bom é para o bem, assim como nem tudo o que tem cara de mal, faz mau. Nossa visão é parcial, não temos a perspectiva do todo de nossas vidas, não conhecemos nossos próprios caminhos, sequer vemos cada curva, cada esquina, cada ponta que se conectará lá na frente, dando sentido a história. Vemos só o hoje, ou melhor, nem o hoje somos capazes de ver.

Acontecimentos são apenas mídias. Talvez um dia você entenda que a morte é apenas o fim de um ciclo sob a perspectiva do tempo/espaço, que a doença só tem poder sobre o corpo perecível e muitas vezes reflete mágoas, medos, culpas, que a vida não é estática e um dia as coisas simplesmente renovam, transformam se expandem.

Quem dá significado aos acontecimentos é você, isso conforme o que lhe habita o coração.

A vida é assim.

Por isso aquele que constrói seu castelo sobre  propostas de felicidade a qualquer custo, viverá em eterno conflito entre o que gostaria que fosse e o que de fato é. Esse não enxergará as milhares de oportunidades para entender-se, não verá a “caravana passar”, nunca irá se expor a cada oportunidade de crescimento que, inclusive a dor traz. Perderá a oportunidade de enxergar-se simplesmente pela fixação por apenas um lado da história, uma única possibilidade, um condicionamento que se recusa a abandonar por medo.

Esses vivem sentindo-se injustiçados.

A vida não premia ou castiga. A vida não dá o que queremos, mas o que precisamos. A vida ensina e a lição é absolutamente individual.

Procure compreender. Mais do que isso: transcenda-se.

Renove sua mente e dilate seu olhar.

Existe um universo de possibilidades dentro de você, mas você nunca enxergará até que queira.