O pálido ponto azul

Padrão

Lutamos, matamos, morremos, mentimos, sofremos, sequestramos, nos perdemos por um espaço, por um fragmento de atenção de um pequeno grupo em um lapso de existência nesse pálido ponto azul.

Duvidas sobre o tempo, a morte e as pessoas que se vão

Padrão
“Pelo que entendi até aqui os acontecimentos não estão limitados ao tempo ou espaço.
Parece que o que está limitado é nossa compreensão”.
“Sim”.
“Mas se… Por exemplo, se meu nascimento está se repetindo o tempo todo, ou seja, se ele não está preso ao tempo e se posso revisitá-lo é sinal de que está acontecendo e se repetindo o tempo todo, é isso?”
Anjo sorri, depois responde: “Repetir é uma palavra que só existe se estiver vinculada ao tempo. Se não há tempo não há repetição”.
“Você disse que responderia da maneira mais simples possível”.
“É simples. Tente se desprender dos conceitos fixos, relaxe e atente ao que vou lhe dizer:
Agora a pouco eu lhe disse que a morte não existe e você refutou argumentando que já perdeu pessoas queridas. Pois bem, você não as perdeu. Na verdade nenhuma delas deixou de existir por nenhum segundo. A única coisa que mudou foi a relação de vocês enquadrada na categoria de tempo e espaço a que estão submetidas. Só mudou a percepção. O que chamam de morte é apenas um elemento anexado a percepção de tempo. Ela aparenta um fim, cria um desfecho, encerra um ciclo, mas isso somente na percepção de humanos que vivem condicionados a essa realidade”.
“Mas as pessoas deixam de existir”.
“Não. Você só deixa de percebê-las como sempre as percebeu, mas, sem tempo não há fim, sem fim, não há morte. A morte deixa de fazer sentido quando entendemos que a tirania do tempo é apenas uma questão circunstancial.”
Techo do livro O ÉDEN

As impurezas

Padrão

Não importa qual seja o tema de nossos Papos de Graça pela manhã que a maioria das perguntas percorrerá praticamente os mesmos caminhos, elegerá os mesmos tópicos, caminhará em direções semelhantes.

É claro que a cada uma se aplica uma tonalidade própria, afinal, atrás de uma pergunta tem um ser humano diante de seus próprios dilemas e angústias.

Um dos temas mais recorrentes está ligado ao “certo” ou “errado”, o “posso” “não posso”, “devo” “não devo”. Será que é pecado ?  Blasfêmia ? Heresia? É impuro?

Ora, sabe o que é impureza ?

Se o que sai do coração sai impuro, espalha-se “impureza”.

Se o que sai do coração sai puro, é com pureza que estamos lidando.

Simples.

Sem supertições ou dogmas.

É do seu coração que procede toda “impureza”. Antes de ter medo de tocar, olhar, comer, vestir, ouvir, cuide do seu coração. É dele que procede aquilo que é projetado pelo seu olhar e, no fim, imanta o que de fato é apenas um símbolo.

Para os puros de coração, tudo vai bem. Os que, por qualquer razão, estão cheios de seus próprios rancores, amarguras e preconceitos, tudo parece conforme a lente que reflete o que lhe habita.

Cada juízo é uma confissão, cada opinião sobre o outro, revela muito sobre mim.

Os olhos são a janela da alma, se se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será  tenebroso. Se, portanto, a luz que há em você são trevas, quão grandes serão tais trevas!

Só isso.