Seres improváveis (Video)

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Na maioria das vezes, escrevo para estravazar o que nasceu dentro de mim, tomou meus pensamentos, ocupou espaços na mente, na alma, até que cresça o suficiente e precise de mais espaço, se projete, ganhe forma, algo que não se limite a mim mesmo e, como uma árvore, de folhas e frutos. Alguns desses textos extrapolam as linhas e se estendem, como um video por exemplo. “Seres improváveis” é um desses exemplos que nasceu no fim de semana e agora compartilho contigo o video.

Seres improváveis

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Quando seres improváveis, únicos, fruto de combinações, conexões, ajuntamentos e afastamentos absolutamente peculiares, processos históricos que envolve tanta gente, sedentos por acolhimento e transcendência, expostos aos mistérios da existência e inquietudes da vida, consciêntes de sua finitude, porém latejantes pela própria eternidade, morada de Deus, expostos a ambivalencias que nos projetam, iluminam, nos fazem crescer.
Quando seres assim se diminuem, mediocrizam na tentativa de se enquadrar em sistemas e projetam no outro a validação de si mesmos, um mundo inteiro morre.
Cada um de nós é um mundo inteiro e abriga na mente o próprio universo.
Sai de nós toda beleza que vemos na terra, assim como a maldade só é percepida porque antes é uma realidade presente em mim e em você. Somos pequenas maquetes de Deus e carregamos na alma sua centelha, seu lampejo, sua presença que é amor.
Negamos a nós mesmos quando trocamos nossa transcendência pela mortalidade, nossa condição única, por padrões de sistemas perversos e reducionistas. A média nos mata, nos rouba e nos apaga. Fugimos do que somos e isso nos fragmenta, sequestra e fragiliza.
Cada um de nós, seres improváveis, carrega dentro de si a chama da eternidade, um véu rasgado que nos dá acesso a experimentarmos nas contradições da vida a profundidade e os significados de existir em amor. Não há nada como nós, que abriga o universo na mente, o mundo inteiro na propria alma, a condição de projetar-se, recriar-se e transcender-se no proprio olhar.
Esses somos nós, esses eternos seres improváveis.

Mentes em guerra

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Ainda que nossas vidas dure em media setenta a oitenta anos, as implicações de nossas escolhas refletem em várias gerações.

Suas pegadas vão além das marcas deixadas pelo sapato porque certamente influenciarão na vida de gente que ainda nem nasceu.

Nossas escolhas são reflexos da combinação entre o que nossos antepassados escolheram e o que decidimos ser. Essa química produz aquilo que reconhecemos como as “circunstâncias” que nos fizeram chegar até aqui.

Imagine um castelo construido com Lego. Primeiro vem a base e, até que se chegue ao topo, muitas peças foram encaixadas.

As que estão no topo não estão diretamente encaixadas na base, mas, se desmontarmos as de baixo, as de cima desmonariam.

Mas por que estou dizendo isso ?

É que hoje eu li no jornal uma notícia de que cientistas japoneses do laboratório de Neurociência Computacional ATR, em Kyoto, desenvolveram um programa capaz de ler mentes.

Nada de espantoso, especialmente se levarmos em consideração que nossos pensamentos são impulsos elétricos, perfeitamente passíveis de serem captados.

Falando sobre o programa, o chefe da equipe- Yukiyasu Kamitani-, chega a lembrar da necessidade de um intenso debate ético de como a tecnologia poderia ser usada, a medida que governos, empresas e o mercado publicitário poderia ter acesso a nossas mentes e, a partir delas, nos guiar ao bel prazer.

Mas o que isso tem a ver com a introdução ?

Não sei quando será, mas certamente estamos caminhando para um tempo onde cada vez mais guerras se travarão no campo mental. ( veja o video abaixo)

Esse será o tempo onde os homens não mais poderão se refugiar em seus pensamentos.

Provavelmente esse será o tempo dos seus filhos ou netos e, o que eles serão, começa agora.

É você quem está pavimentando o caminho dos que virão, a partir das escolhas que faz agora.

Tudo o que você é, refletirá lá na frente nos que estão para chegar.

Se serão tempos difíceis, cuide-se agora, para que lá na frente, eles possam saber que partiram de referências sólidas.

Homens e mulheres instáveis, inseguros e amedrontados, reproduzem os mesmos males nas gerações seguintes até que alguém tenha força de quebrar o ciclo.

Para mim esse é o verdadeiro carma:  a maneira que seu comportamento refletirá, não mais em você, mas, a partir de você,  na vida de todos os seus.

Em breve nossas mentes estarão expostas e será alí que as piores guerras serão travadas.

Se hoje somos responsáveis pelo caminho dos que virão amanhã, cuide da sua mente, alimente-a do que é bom e pacifique o seu coração.

Agindo assim, fará um enorme bem para si mesmo e para aqueles que você ainda nem conhece.

Pense nisso.

Veja nesse link : http://www.youtube.com/watch?v=_4S_AGllDZU&list=UUSS501gSsqmmhEp8d7nrcTg&index=140&feature=plcp

Eu acredito em milagres

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Eu acredito em milagre. Aliás, os vejo todos os dias, o tempo todo.

Quando saio da cama e olho pela janela, tudo escuro, o som dos pássaros que acordam, a brisa gelada da manhã.

Só o milagre explica a sensação de fechar os olhos e sentir o mundo inteiro pulsando dentro de mim, o universo que vive em minha mente, as possibilidades e variações que existem em cada movimento.

Eu acredito em milagre.

Quando vejo meu filho crescendo, quando sinto amor e vontade de ser alguém melhor, quando enxergo meus limites e tento superá-los na minha eterna luta por ser mais do que a media convenciona que é bom.

Acredito no milagre continuo, presente, natural, que está no que chamo de simples e, talvez por isso, nem sempre enxergo.

O milagre mora em mim. Sou um milagre quando vejo, sinto, me movimento, falo. Quando, falho, finito, boneco de carne que sou, me deparo com uma chama que me transcende, não se prende ao tempo ou ao espaço e que mora dentro de mim, dizendo o tempo todo que sou mais do que um esqueleto que sustenta um monte de orgãos, carne e sangue.

Milagre não é o espetáculo. Sagrado não é o que a gente determina.

O milagre está em mim, está em nós, sempre, cedinho, nos primeiros movimentos da manhã e no ultimo suspiro do anoitecer, continuamente e a gente nem vê.

O milagre é natural e irrestrito. O Sagrado está em todo o lugar.

Acredito no milagre da vida, esse breve lapso de existência que caminha para o apodrecimento do corpo, mas que não me cessa, não me prende, nem me convence que um dia terminará. Só o milagre explica o jeito que, apesar dos pesares, sou remetido dia e noite para um lugar onde não caibo, mas que estranhamente cabe dentro de mim.

Hoje sei que não há sequer um momento em que a vida deixa se movimentar, criando um fluxo que me traz de volta a mim mesmo. Como o corpo que se cura depois de um corte, a natureza que renasce depois do incêndio, o fluxo natural é sempre ao encontro de nossa essência, na regeneração de nossa consciência.

Quanto a mim, apenas enxergo. Esse é meu único papel : Abrir os olhos, desintoxicar os sentidos, alimentando a percepção que me traz de volta para casa, lembrando dia e noite que o milagre está em mim, que o milagre sou eu.

Tiririqueiros

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Comecei a escrever esse texto sem muita convicção sobre tocar nesse assunto, mas as eleições estão ai e tem coisas que não dá pra deixar passar.

Lamento que seja difícil frequentar local público sem nenhum tipo de assédio dos postulantes: Carros de som em altíssimo volume, marchinhas insuportáveis dizendo que “fulano é do povo e veio para mudar”. Nosso amigo Obama nem imagina o quanto seu mote “change” influencia nossos candidatos tupiniquins.

Você pára no faról e vê aquelas moças com cara de fome, sono, desanimação, enfim, aparência de quem realmente está parada com uma bandeira na mão pela pura necessidade de alguns poucos trocados, empunhando o rosto sorrindo no retrato sob palavras de ordem como “mudança”, “renovação”, “saúde”, “casa própria”.

Claro que isso rende muitos momentos de humor, como os eternos candidatos as câmaras municipais, mas confesso que, pelo menos para mim, já perdeu a graça. Sinto cada vez mais dificuldades em rir com tipos que se elegem a custa da piada, da gozação com a cara do eleitor.

O pior é que a maioria de nós gosta.

Afinal, ninguém vota em um candidato :

1- Se estiver mal nas pesquisas ( se niguem vota é porque deve ser ruim, pensam)

2- Que fala a verdade ( se o candidato aparecer dizendo que tem coisas que são impossiveis de fazer sozinho e que vai precisar da consciência do povo, sabendo que parte da responsabilidade é dos cidadãos, certamente não se elegerá)

3- Que não tenha musiquinha. ( Tem gente que vota porque acha a musica bonitinha)

4 – Que não seja simpático. ( E daí se é competente ? Com esse mal humor eu não voto ! dizem)

5- Que não “aparente” ser bom . ( Nas roupas, tom de voz, olhar sereno…toda uma preparação para , com cara de bom moço, conquistar o eleitor).

Se precisamos disso para escolhermos nosso candidato, é só isso, um candidato moldado segundo nossa necessidade de boa aparência, que teremos.

A política, assim como as outras áreas de nossas vidas, também sofre as mesmas interferências da imposição da estética sobre a ética, da imagem sobre o conteúdo, da mentira dissimulada sobre a verdade, clara, aberta, objetiva.

Honesto ou não, competente ou não, todos os políticos são nivelados por baixo, pois sabem que não é o que pensam que lhes credencia a serem eleitos, pelo contrário, ganha quem aparentar mais, ainda que não seja. É isso que importa.

Como o Lula que certa vez questionado por contrariar no governo tudo o que sempre discursou disse : “Parei com as bravátas” sorriu o presidente cada vez mais popular.

Na busca da aparência ideal, rios, ou melhor, oceanos de dinheiro são gastos as custas de acordos com financiadores que, sabemos, depois inviabilizarão um governo sem “conchavos”.

E os culpados somos nós.

Enquanto esperarmos , sequer nos lembrando de quem votamos nas últimas eleições, campanhas políticas serão parecidas com teste para BBB ou mister simpatia. Puxadores de voto “tiririqueiros” serão eleitos para depois “contar o que os deputados fazem”.

O povo reclama, mas é o povo quem pede.

O povo acha ruim, mas, somos nós, o povo, quem banca esse espetáculo.

São alguns mêses de promessas de mudança, de rostos sorrindo, tapinhas nas costas, carros de som, musiquinha chata para depois, no fim das contas, experimentarmos mais do mesmo, esperando a mudança que, assim, nunca virá.