Seres improváveis

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Quando seres improváveis, únicos, fruto de combinações, conexões, ajuntamentos e afastamentos absolutamente peculiares, processos históricos que envolve tanta gente, sedentos por acolhimento e transcendência, expostos aos mistérios da existência e inquietudes da vida, consciêntes de sua finitude, porém latejantes pela própria eternidade, morada de Deus, expostos a ambivalencias que nos projetam, iluminam, nos fazem crescer.
Quando seres assim se diminuem, mediocrizam na tentativa de se enquadrar em sistemas e projetam no outro a validação de si mesmos, um mundo inteiro morre.
Cada um de nós é um mundo inteiro e abriga na mente o próprio universo.
Sai de nós toda beleza que vemos na terra, assim como a maldade só é percepida porque antes é uma realidade presente em mim e em você. Somos pequenas maquetes de Deus e carregamos na alma sua centelha, seu lampejo, sua presença que é amor.
Negamos a nós mesmos quando trocamos nossa transcendência pela mortalidade, nossa condição única, por padrões de sistemas perversos e reducionistas. A média nos mata, nos rouba e nos apaga. Fugimos do que somos e isso nos fragmenta, sequestra e fragiliza.
Cada um de nós, seres improváveis, carrega dentro de si a chama da eternidade, um véu rasgado que nos dá acesso a experimentarmos nas contradições da vida a profundidade e os significados de existir em amor. Não há nada como nós, que abriga o universo na mente, o mundo inteiro na propria alma, a condição de projetar-se, recriar-se e transcender-se no proprio olhar.
Esses somos nós, esses eternos seres improváveis.