Nosso medo de amar

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Nosso medo de amar é reflexo da ilusão de que temos controle sobre algo. No fim das contas tudo está ligado a isso: controle e insegurança. Umas das maravilhas do amor é que ele nos expõe, tira o chão, impõe dúvidas, revela fraquezas e carências, relativiza egos e achata arrogâncias; condição essêncial para quem pretende se enxergar, sair do casulo e assumir-se como humano.

Psicosomáticos

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Vivemos na geração do assombro.

Seja pela espetacularização do terror real, glamourização do terror ficticio ou até pelos pequenos sustos no dia a dia.

Enquanto nossos avós se acostumavam a dormir com o por do sol, hoje somos estimulados o tempo todo pelo som da buzina, toque do despertador, celular, carros, televisão, com olhos grudados na tela iluminada do computador recebendo estímulos de todos os lados.

Como se não bastasse, estamos expostos a cobranças de aumento de produtividade incessante onde empresas que só vêem numeros estabelecem metas quase impossíveis de se cumprir. As cobranças continuam vindo de todos os lados e, pior, vem de dentro.

A cada dia milhares de estimulos se tranformam em pulsões que de alguma maneira se instalam na alma.

A somatização disso tudo pode causar consequências psico-somaticas que aparecem na pele, nos orgãos, em forma de doenças.

Sindrome do pânico, estress, depressão…nunca se ouviu falar tanto de doenças como essas e, muitas vezes, o caminho até elas se faz pela somatização de estímulos não processados que se aglomeram, crescem, fixam e ficam.

Viver sob a tirania desse fluxo cria dependência.

No entanto a questão é: se já estamos naturalmente expostos a tantos estímulos, se parte deles já se vincularam de forma tão arraigada ao estilo de vida que escolhemos, me diga: para que sobrecarregar sua mente ainda mais ?

Nos deixamos levar por certa hipnose coletiva onde todos correm o tempo todo em busca de não se sabe o que e, durante essa busca desenfreada, aceitamos tudo o que apareça sob a promessa de saciar o sentimento de culpa que nos move.

No fundo é a culpa misturada com o medo da morte que nos faz comer mais que o estômago aguenta, caminhar onde as pernas enfraquecem, querer mais do que se pode carregar, afinal, quem garante que amanhã estarei aqui? Isso gera sequelas.

É preciso mudar o ritmo e a frequência interior.

Refazer seu caminho na tentativa de dar o real valor para cada coisa, entendendo que geralmente as que nem vemos valem mais, é trocar a frequência de absorção de valores impostos ou sugeridos pela media, pela frequência de harmonia com o corpo , a natureza e as pessoas, percebendo que somos seres vivos, não produtos, espíritos, não só corpos, humanos que necessitam transcender sua propria natureza, sob o risco de definhar-se em um casulo que não faz parte de nós.

Precisamos pacificar nossa mente e aquietar nossos espíritos porque estamos quase perdendo nossa capacidade de ouvir. Precisamos falar bem menos e ouvir bem mais.

Que possamos viver a cada dia seu próprio mal, sabendo que a antecipação do mal, só gera mal dobrado.

Qualidade de vida é privilégio dos que tem coração simples.

Esse estilo de vida não faz parte de nossa natureza, mas é assim que escolhemos. É necessário atenção e cuidado para alimentarmos nossas mentes e corpos com o que também alimente nossa anoréxica alma. Com o tempo ela se fortalecerá.

Vá com calma, comece a ouvir, não despreza sua intuição, veja além da visão e se pacifique.

Isso fará bem, tanto a sua alma, quanto para seu corpo.