Quem é você ?

Padrão

O Fluxo

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Até onde você tem controle sobre sua vida ?

Tem noção de todos os processos interiores que te levam e decidir por determinada roupa, comida, trabalho, amigos, diversões, livros, revistas, passeios, etc…?

Já parou para pensar até onde é influenciado direta ou indiretamente nas suas escolhas mais básicas e cotidianas ?

Tudo o que é produzido por nossa cultura, de um jeito ou de outro, toca na gente.   Isso quer dizer que, se você ouve rádio, vê TV, outdoor, revista, jornal, livro, acessa internet, conversa com pessoas, opina, ouve…está recebendo esse fluxo de informações que , cada vez mais, sai de todos os lados. Todos estamos expostos.

Somos parte de um processo de retroalimentação: em uma ponta alimentamos a cadeia, em outra somos alimentados por ela; não se sabe onde termina ou começa.   Essa produção é a base daquilo que chamamos de cultura e, não importa se a propósta seja a da “contra cultura”, geralmente estamos nos referindo ao mesmo processo.

No fim das contas o capitalista e o comunista, o virtuoso e o amoral, o religioso e o ateu estão falando a mesma coisa. Mudam os símbolos mas a essência é a mesma.   Aliás, vivemos de símbolos.   Poucos percebem que são levados pelo fluxo. Poucos se incomodam com ele.

Embalados pelo discurso dos “ismos” somos mantidos em nossa própria vaidade, trabalhando de sol a sol, pensando, projetando, construindo, sempre com o mesmo objetivo que quase nunca é confessado: sermos aceitos.   “Tenha mais, e o mundo se curvará”. “Ainda que não seja, aparente, e será respeitado” – é o que habita a alma do que hoje se vende em forma de produto, discursos ou filosofias.

Entre aqueles que mal ganham para comer, a TV de plasma, o celular caro, as roupas de grife falsificadas indicam que esse não é um fenômeno restrito a classe media alta, mas, de um jeito ou de outro, está em executivos arrogantimente engravatados, trabalhadores pendurados em seus crachás, donas de casa, idosos, vendedores, gente que sobe e desce pelas ruas todos os dias correndo atrás do que ? De um padrão de vida ? Da prestação do carnê ? Da casa própria, do carro novo, da roupa nova, da viagem do fim do ano…mas, afinal de contas, para que  ?

A cada dia me convenço que um dos grandes desafios da existência é a capacidade de saber o real valor das coisas. Note que não estou advogando que sejamos ermitãos fora do sistema, mas a questão é: até que ponto podemos viver no sistema sem que ele viva em nós?

Ter dinheiro é bom, viajar, comprar uma casa, um carro novo também, mas será que isso não tem nos consumido demais ? Temos colocado essas questões na prateleira certa ?   Será que não temos perdido boa parte de nossas vidas, negligenciando oportunidades de melhorarmos como humanos, abrindo mão de convívio, presença e gente, em troca dessa entrega de energia física e mental que só nos consome ?   Será que não percebemos que, no fim das contas, só estamos tentando nos manter no fluxo ?

O fluxo.

É ele que nos rege e nos mantém entretidos. Ele é que tenta nos convencer sobre quais devem ser nossas verdadeiras prioridades. É nos mantendo no fluxo que nos entregamos as “batalhas” sem ao mesmo saber em que guerra estamos, nos desumanizando, mediocrizando, forjando uma mentalidade de manada. Quando estamos nesse estágio qualquer questionamento soa utópico e idealista demais. “As coisas são assim, fazer o que?” Dizem conformados.

Não estou propondo mudar o mundo. Minha proposta é que você poderia pensar sobre isso. Talvez seja momento de reassumirmos o controle de nossas mentes, começar a fazer perguntas, ver as coisas de fato como são.   O mundo não mudará, o fluxo continuará o mesmo, os sistemas se tornarão cada vez mais perversos, mas algo significativo acontecerá: seu mundo, sua mente, seus olhos mudarão e consequentemente a maneira que você se relaciona com a vida.

Isso faz toda a diferença.

Não começa nos governos, no sistema financeiro ou nas religiões, começa onde tudo deve começar: em você.   Quais suas prioridades ? O que vale para você ?   Acho que é tempo de pensarmos nisso.

Talvez seja hora de nos enxergamos, se não todos, quem sabe você?