Eu e o rádio

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Comecei no rádio em 1991. Não sabia que viraria profissão, tampouco que faria tantas coisas, tantas rádios, tantos estilos diferentes na capital de São Paulo. Aprendi muito, conheci pessoas maravilhosas e de fato vivi momentos especiais, mas, desde 2003, algo me incomodava e eu não sabia direito o que era. Demorei para perceber que havia se instalado um conflito: enquanto eu tinha sede de crescimento, o rádio relutava em não ir pra lugar nenhum. O problema é que até entender que estávamos em perspectivas diferentes, fiquei chato, implicante, impaciente, o que não fazia bem a ninguém. Agora, quase um ano depois que sai da última emissora que trabalhei aqui em Brasília, olhando para trás, sou grato por tudo o que vivi e mais grato ainda por ter tido a coragem de seguir adiante, de parar de dar murro em ponta de faca, de construir meu caminho com as pedras que apareciam. Amo o rádio, sonho em fazer algo relevante e que toque as pessoas de verdade, mas, enquanto não acontece, fico distante, mantendo meu vinculo com ele através meu trabalho na Rede Pampa em Porto Alegre, casa de gente querida e que gosto tanto. Aprendi que podemos expandir nosso universo profissional coerentemente com nossa expansão pessoal, que podemos atrelar a comunicação aquilo que somos e, com criatividade, continuar sendo relevante, falando com gente, sendo gente, crescendo em todos os níveis.

Esse ano encerrei minha coluna de mais de dez anos no site mais respeitado sobre rádio, terminei meu programa na rádio em Portugal, tomei iniciativas para que eu pudesse me posicionar em relação aos caminhos que a vida tem me oferecido; meu trabalho crescente como escritor, na TV, diretor de programa e tantas outras frentes que surgem aqui e ali, mas de modo algum perdi o amor pelo veículo que nasci, cresci e aprendi a falar.

Um dia volto, mas, até que aconteça, fico na torcida para que o rádio encontre seu caminho e descubra o incrivel potencial inerente em ser ferramenta relevante de comunicação, que faz diferença, que toca nas pessoas, que vai além das música, dos prêmios e da hora certa.

Esse é meu desejo, na expectativa de que algum dia a gente volte a se falar.

Enquanto isso, fiquemos nas lembranças como essa “coletânea” de alguns momentos meus no rádio.

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