Ed e Beth ( O Éden)

Padrão
“O velho e desgastado papel de parede com flores vermelhas desbotadas, o carpete cinza e macio, o cheiro peculiar, o som, as pessoas, as conversas, compunham o cenário onde a mágica acontecia.
Além de Bach e da chuva lá fora, sons que se misturavam e complementavam, em nenhum ouvido entrava mais nada.
Enquanto os ouvidos estavam cativos, os olhos relutavam pela liberdade de percorrer os caminhos que quisessem. Os de Ed se detiveram na imagem da menina sentada naquele sofá antigo e desbotado, compenetrada e linda… muito linda.
Não foi tão fácil levantar-se e sentar ao lado dela.
Inventar um assunto, puxar conversa, olhar nos olhos, perder a fala e ganhar o mundo. Ficar sem graça, sem sono, sem coragem. Sorrir por tudo, chorar por nada. Os sons, a textura, o toque e a sensação de que, no mundo, só os dois existiam.
Não houve planos para casamento porque se casaram no primeiro dia, ainda naquele sofá.
Papéis, assinaturas, votos, igrejas e festas aconteceram como formalidades complementares ao que de fato precedeu os rituais e se instalou como realidade desde o momento em que a viu.
Alguns se casam sem se casarem.
Para eles não restava alternativa: casaram-se olhos, sonhos, mentes, esperanças, defeitos e sentidos.
E depois todos os outros dias foram bons.
A vida foi feliz até que tudo mudou.”
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