O personagem e o real.

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A partir do momento em que sua percepção de vida muda, é natural que suas prioridades se alterem.

Quando vivemos um personagem, é natural que haja conflito entre quem de fato sou e aquele que procuro parecer.

 Esse conflito promove crises que nos desarmonizam conosco e com a vida.

No entanto, até por nos sentirmos interiormente divididos, nossas prioridades passam a ser tudo o que reforça a imagem daquele que criamos.

É a preocupação com a imagem.

Se vivemos no tempo do “politicamente correto”, é a preocupação com a imagem e com que os outros pensarão a meu respeito, a platarforma de suas prioridades.

Já que não estamos preocupados com quem somos de fato, vale mais o que reforçará no outro a idéia de que sou o que tento aparentar. 

Aquilo que me que chama a realidade e produz consciência, é trocado pelo que me entrete e me afasta de quem sou. É por isso que somos avessos ao debate e a reflexão, e preferimos os animadores de auditório e as “pegadinhas” da TV.

 A mesma razão nos afasta de uma espiritualidade consciente e voltada para o auto conhecimento, para algo que, em nome de alguma fé, prometa benefícios mensuráveis aqui e agora.

É o tipo de praticidade que nos afasta do que somos, e alimenta a sensação de que o personagem é real.

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