Qual a minha religião ? Conversa com Marcos Parte 1

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Recebo sempre muitos e-mails de gente boa que lê o site, vê os videos e gosta.

Recentemente o Marcos Martinez me escreveu me perguntando a minha religião. A partir desse e-mail outros vieram e senti que poderiamos compartilhar contigo nosso papo.

Com a autorização do meu querido leitor, posto aqui a primeira sequência das nossas conversas.

Abração!

Email: marcosrmartinez@bol.com.br
URL :
Whois : http://ws.arin.net/cgi-bin/whois.pl?queryinput=187.3.70.227
Comentário:
Bom Dia! querido amigo, só por curiosidade você é espírita?

 

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Oi Marcos, tudo bem? Não. Na realidade tenho fé, mas não religião.

Grande abraço pra você!

Flavio Siqueira
http://www.flaviosiqueira.com

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De: Marcos R Martinez <marcosrmartinez@bol.com.br>
Assunto: Res: Re: [Blog do Flavio Siqueira] Moderar: “Videos para reflexão”
Para: “Flavio Siqueira” <blogdoflaviosiqueira@yahoo.com.br>
Data: Sábado, 3 de Abril de 2010, 2:40

Amigo Flavio,

Boa Noite!

Realmente se me permite dizer começo a considerar a sua personalidade como
uma incógnita, pois como poderia fundamentar sua fé sem princípio
doutrinário ou religioso?

Percebe-se pelos seus textos ( que diga-se de passagem são espetaculares)
que você domina muito bem o campo da Filosofia, Sociologia e Psicologia,
mais difere da grande massa acadêmica dessas graduações exatamente o ênfase
que é dado na crença em Deus e o conhecimento das escrituras, base de
diversas religiões e inclusive da codificação Kardequiana. Por exemplo o “Eu
sou” palavras proferidas pelo Cristo e no “De volta para casa” com a
conotação do ideal da vida após morte como sendo o princípio da vida, a
espiritual, para depois da vida passageira na Terra, o retorno para a mesma.

Mais a interrogação fica ainda mais ofusca quando imaginamos que a sua
formação cognitiva não tenha sido apenas empírica e possa ter também passado
pela literatura alternativa, inclusive algumas obras de Allan Kardec em
especial “O Livro dos Espíritos”, e não revolucionado a sua opinião
religiosa”, coloco entre aspas por considerar o espiritismo não como
religião mais sim como doutrina completa formada pela Ciência, Filosofia e Religião.

Um Grande Abraço,

obrigado pelo retorno

Marcos R Martinez

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Marcos, meu amigo, bom dia !

Tenho um filho com seis anos. Hoje ele começa a agir como um menininho que se interessa pelas “gatas” apesar de escrever sua carta para o Papai Noel. Ele usa tatoo (adesiva) no braço, mas ainda gosta do colinho dos pais. Seus “por ques” são inúmeros, mas a simplicidade com que encara a vida me ensina todos os dias.

Lendo o jornal recentemente, fixei na foto de um dos envolvidos em recentes escândalos políticos: homem amargurado, rosto pesado, olhar sem nenhuma doçura. Enquanto lia pensava “em que ponto esse homem deixou de ser o menino dos por ques e se tornou nesse homem amargurado que vejo na página do jornal?”. Aliás, essa sempre foi uma questão: existe uma fronteira? Um tempo onde deixamos de ser essência, intuição, percepção e nos transformamos em….homens “inteligentes” ?

Acho que não. Não vamos dormir puros e acordamos impuros, não é um “start”, mas um caminho. Caminhos são escolhas.

Acontece que, no fluxo, parece que não temos escolhas. Somos fácilmente empurrados pelas demandas – sejam elas em que nível for- que tangenciam nosso caminho, balizando, contendo, formatando, dogmatizando o que antes era só liberdade: para crer, pensar, sentir, acertar, errar, perceber,ser. Isso nos intoxica e nubla a visão.

Para mim religião é um desses tangenciadores, especialmente porque acredito que toda doutrina é fechada em si mesmo. Ainda que em todas haja reflexos de luz, nenhuma é a luz. Ainda que seja sempre possivel crescer e melhorar seguindo-as, chega um ponto em que nos deparamos com o limite que todas tem: são só doutrinas.

Comecei falando sobre meu filho porque acredito que já nascemos cheios de luz. Ela nos habita e não se apaga só porque crescemos, mas nossa escolha pelo fluxo simplesmente nos torna “adultos” demais para acreditarmos que é assim, simples, natural, de modo que não preciso de contingenciamento porque decidi caminhar. Entende ?

Não preciso das respostas das religiões porque tudo o que preciso está dentro de mim, refletido no passáro que canta de manhã na minha janela, no cheiro de grama que sinto nas minhas caminhadas matinais, no amor da minha mulher e meu filho, na harmonia que não se abala nem quando o mundo caotiza, simplesmente porque reflete o que sou. E eu só vejo.

É um caminho, uma escolha onde simplesmente sinto que a vida só se explica como milagre, logo, tudo o que é vida me ensina extrapolando limites do que chamamos de sabedoria humana ou religião.

Fico a vontade de me servir do que me convém, mas sem a necessidade de comprar pacotes e me definir como isso ou aquilo.

Sou só um homem grato por estar aqui que, no caminho da simplicidade, entendeu que luz nem sempre é aquilo que ofusca, mas que ilumina meus passos, minha mente, meu coração e, no fim, me torna alguém melhor.

Para mim isso basta.

Um grande abraço para você!
Flavio Siqueira
http://www.flaviosiqueira.com

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4 comentários sobre “Qual a minha religião ? Conversa com Marcos Parte 1

  1. Angela de Oliveira

    Parabéns Marcos R Martinez pela suas considerações acima. Entendi bem o conteúdo.
    Obrigada,
    Angela de Oliveira.
    Feliz por ser Católica Apostólica Romana!
    Aconteça o que acontecer.

  2. Também não tenho religião. Não ter religião significa, para mim, não ter dogmas a estuprar nossa razão e nosso dicernimento, significa ser livre para emitirmos nossas opiniões sem termos que considerar o nosso próximo ímpio, infiel, ateu ou atoa. Aliás uma das obras mais bem escritas da literatura universal foi escrito por um ateu, ” O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. Será que ele teria concebido uma obra tão ética, moral e espiritualmente abalizada se fosse um teísta limitado pelas amarras dogmáticas das religiões?

  3. Vitor

    Temos escritores e cientistas geniais que são religiosos. Acredito que o ateu ou religioso despido das amarras do ateísmo e da religião constroem verdadeiras obras de arte.

  4. Lucas Carrijo

    Simplesmente diferente, completo e inspirador.Tenho uma religião que aprendi a amar desde de criança, porem não acho valido divulga-la nesta ocasião, que fique claro que o mais importante é a pratica do amor entre os que nesta terra habitam. Mas confesso que cheguei a esta conversa pois perguntei ao “google” (Qual a religião de Flavio Siqueira). Mais uma vez me mostrando que pouco importam os rótulos impostos por uns ou outros e sim o que você é e consegue ser para as pessoas a sua volta.

    Mais uma vez Obrigado…

    Lucas Carrijo

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