Bem Brasil no podcast.

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Já está disponivel para download a mais rescente edição do Bem Brasil, programa semana que apresento para a rádio Sines em Portugal.

Para ouvi-lo, basta acessar meu podcats no: http://www.flaviosiqueira.podomatic.com

Aproveite!

Mudando o mundo.

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Em alguns minutos eu iria sair.

Inicio de noite, me preparava para ir trabalhar e, como tinha algum tempo, resolvi sentar na sala e ligar a televisão que transmitia o telejornal.

As notícias não eram muito animadoras.

Como sempre, falavam sobre a crise no oriente médio, aumento de juros e o caso de uma menininha linda que estranhamente sumiu do quarto de hotel onde passava férias com seus pais e irmãos, sem que ninguém tivesse nenhuma pista.

As imagens dos pais, a foto da menina, as noticias de crises, todas aquelas imagens começaram a me inquietar.

Eu precisava de paz.

Daqui a pouco estaria em contato com milhares de ouvintes, precisava estar bem.

Levantei, desliguei a TV e saí em direção a janela que dava visão para boa parte da cidade.

Era uma noite com temperatura agradável, ventava um pouco, fechei os olhos.

Por alguns instantes, tentei não pensar no que vi no telejornal, procurei esvaziar minha mente, fugir daquelas imagens e ouvir o som da cidade.

Abri os olhos como se estivera alí o tempo todo.

Tudo continuava como antes.

No horizonte as luzes de um avião que se aproximava para o pouso.

As luzes dos carros indo e vindo apressadamente, enquanto nas janelas dos prédios televisores ligados, gente acomodada nos sofás.

No céu as poucas nuvens eram ilumidas pelas luzes das rua, dividiam espaço com algumas estrelas que começavam a aparecer..

Aqueles sons eram velhos conhecidos.

Motores de carro ao fundo, vozes distantes, a vida seguia seu curso.

Naquela hora pensei ” Poxa, está tudo aí. A vida continua e , se não fosse aquela televisão, tudo estaria bem agora”.

Eu sabia que, enquanto estava alí, muitas coisas ruins aconteciam no mundo, mas tinham as boas também, de modo que eu não me deteria em nenhuma.

Se eu poderia escolher, optei por ficar com o que é bom, e deixar que a possibilidade de viver o dia chamado hoje, seja suficiente para que eu me sinta em paz.

Não me esqueci das dores do mundo, nem de minhas responsabilidades diante de cada uma, mas me lembrei que, acima disso, sou responsável por mim mesmo e meu dever é cuidar do meu coração, sabendo que meu olhar pode mudar tudo.

Profissionais da voz: eles já existiram

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Sempre que reservo dez minutos do meu dia para recarregar meu carro, meu filho aproveita para conversar comigo.

Essa história aconteceu ontem de manhã.

“Pai, sabe o Seu João ?” ele disse enquanto mexia nos tubos de energia solar.
“Quem?” mesmo que não estivesse concentrado na minha atividade-o que não era o caso-, não me lembrava de ninguém com esse nome.
“O Seu João, que cuida dos sensores eletrônicos da escola.” respondeu levemente irritado.
Talvez fosse aquele senhor simpático e falante que de vez enquando vinha conversar comigo.
“Sei sim, nos falamos essa semana quando você chegou na escola,  não é ?”
“Ele mesmo. Ontem eu ouvi ele dizendo que já foi profissional da voz” sua expressão era de total desconhecimento.
Acionei o botão de carregamento automático, sentei por alguns segundos e parei para ouvi-lo.
“Todo mundo achou engraçado. O que pode ser profissional da voz?”
“Filho, houve um tempo em que certas pessoas eram contratadas para falar bonito.”
Quando ouviu ele gargalhou, depois percebeu que eu me incomodei e engoliu o riso.
“Não é engraçado” fiz uma pausa e continuei:” Já faz algum tempo, mas era um trabalho muito legal.”
“O que era exatamente um profissional da voz?”
“Era alguém pago para ler textos, apresentar eventos, programas de rádio, gravar comerciais…”
“Comer…o que ?” ele me interrompe.
“Comerciais. Era uma maneira de vender produtos de empresas, mas isso foi antes mesmo dos leitores de mente. Chegou um tempo em que perceberam que estavam insistindo na fórmula errada e escolheram outros caminhos. Mas falávamos do profissional da voz..”
“..Isso. Não consigo entender como alguém era pago para ter voz bonita.”
“Como eu ia dizendo, isso já faz muito tempo. No tempo em que tudo era pura imaginação. Que uma voz do outro lado representava um estímulo para sonhar, criar mundos..” Me percebo saudosista e levanto do banco para checar os níveis de carregamento.
“Poxa pai, era tudo tão diferente….O que houve depois?”
“Vieram outras ferramentas, dar asas a imaginação deixou de ser importante, as pessoas descobriram outros meios de comunicação e o profissional da voz foi perdendo terreno.”
“Perderam os empregos?” agora ele prestava atenção na história.
“Mais ou menos. Primeiro aceitaram ganhar menos. Com o que ganhavam, os bons foram embora fazer outra coisa e a qualidade passou a ser duvidosa. Sem qualidade os profissionais foram ainda mais desvalorizados e isso foi aumentando.”
“Que triste. Será que foi por isso que o Seu João foi parar lá na escola?”
“Talvez. Mas o fato é que pouco a pouco os profissionais da voz foram substituidos por gente com outras qualificações como atores e jornalistas.”
“E isso é ruim?”
“Não necessáriamente. Esse movimento fez com que os que ficaram buscassem meios para competir com os que chegavam e isso os deixou mais versáteis.”
“E depois?”
“Mais versáteis, buscaram outros caminhos, encontraram mídias próprias e abriram seu mercado de trabalho.”
“E o seu João?”
“Sobre ele não sei, mas talvez tenha sido um dos que não se mexeu. Essa é uma parte importante: Alguns dos que já eram pagos para ter uma voz bonita não aceitaram as mudanças e ao invés de se adequarem, se magoaram.”
“E onde eles estão agora ?”
“Cuidando de escola, trabalhando em lanchonete… às vezes encontro um deles por aí.”
Ele não disse mais nada. Ficou pensativo, talvez pensando no Seu João, na história que contei, talvez com os pensamentos em outro lugar.
Hoje em dia as crianças são assim, não conseguem mais se concentrar.
Um dia estão aqui, em pouco tempo em lugares totalmente diferentes ; são os novos tempos.
Quanto a mim, voltei para o trabalho. Enquanto o carro carregava, pensei nos velhos tempos. Deixei a memória viajar lá atrás, quando eu era um dos profissionais da voz.
Faz tanto tempo, fiz outros caminhos, o mundo mudou e a profissão também.
Apesar disso, guardo na memória cada som. Quando fechos os olhos, lembro do cheiro do estúdio, do ajuste do fone, do barulho dos cartuchos… Meu Deus, que velho saudosista estou me tornado ! Melhor voltar para os afazeres e perceber que o mundo mudou, as pessoas tem outras coisas em mente.
Bons tempos aqueles em que ainda existiam os profissionais da voz.
Hoje não procuro falar nisso, é assunto passado.
Prefiro guardar para mim, mas confesso que de vez enquando me dou o direito de voltar no tempo e, ao som de alguma música antiga, um LP chiando, revivo momentos que só entende quem pode estar lá, seja de um lado – os que faziam – ou de outro – os que ouviam.
Quem sabe o que falo, nunca vai esquecer.

A “namorada” do meu filho.

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Certo dia eu estava brincando de desenhar com meu filho de cinco anos.

Ele desenhou a si próprio em uma paisagem bonita, fazendo churrasco em uma grande mesa.

Quando lhe perguntei porque tinha feito uma mesa tão grande e se não colocaria ninguém mais com ele, pensou, pensou e pediu para que eu completasse o desenho:

– Quem você quer que venha comer esse churrasco com você? Perguntei.

– Pode ser minha namorada ?

Crianças nessa idade tem várias namoradas. Eles perguntam “quer namorar comigo?” a outra responde “sim” e, pronto,já estão “namorando”.

Mas como, apesar disso, ele “ainda” não tem namorada, resolví inventar uma.

– Pai, você fez uma namorada barriguda ! – foi a reclamação depois do desenho.

Confesso que não era só barriguda, se existisse a tal namorada da folha de papel pesaria uns 150kg.

– Mas qual o problema, Flavinho ? Se ela é sua namorada você gosta dela e, se gosta ela deve ser legal. – tentei argumentar politicamente correto.

– Você estragou meu desenho – ele falava com olhos marejando.

Vou dar um jeito.

Ele se animou.

Peguei a caneta e rabisquei aqui, alí, fiz com que a barriga virasse um avental, o papão um nó que vinha até o pé, dando um jeito para que a perna grossa virasse parte do avental, ou seja, risquei de tudo o que é lado e consegui tirar uns 90 dos 150kg.

Ele sorriu, agradeceu e disse que agora a “namorada” estava mais bonita.

Para modificar aquele desenho, tive que ver na imagem o que ela não era, para, a partir de então, modá-la de acordo com a realidade que, em principio, só acontecia na minha imaginação.

É assim para tudo.

Sempre que a realidade aparecer com papão querendo te pegar, modifique-a.

Lembre-se: Seus olhos refletem o que está em seu coração e sua mente modifica os acontecimentos.

As coisas não vão bem?

Mude o olhar e tudo será diferente.

Miséria, por Jabor.

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Li hoje na coluna do Jabor:

Existe coisa mais triste do que meninininhos de 6 anos fazendo maalabarismo com bolinhas de tênis nos sinais de trânsito ?

Eles nos angustiam porque são prova do nosso fracasso. Nós evitamos vê-los; eles nos veem o tempo todo.

Os miseráveis são nossa caricatura, e damos esmola na esperança de uma salvação, mas eles não são generosos e não nos perdoam.

Apenas um vago “Deus lhe pague”…

…Houve uma época em que a miséria nos tocava mais ela era útil para nossa piedade, mesmo como tema para arte e literatura. A miséria sempre deu lucro. No Brasil, miséria é quase uma indústria. Quanto lucro uma igreja de charlatães tem com os dízimos ? A miséria dá lucro político; falar na miséria denota preocupação humanitária, traz votos populistas.

…Nossa miséria “pobre” é a ponta de uma miséria maior.

Não existe um mundo limpo e outro sujo.

Um infecta o outro. A burocracia é miséria, a corrupção é miséria, a estupidez brasileira é miséria. Somos uns miseráveis cercados de miseráveis por todos os lados.

Bem Brasil disponivel no PodCast

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O Bem Brasil é um programa que nasceu literalmente de um sonho.

Certa manhã, acordei com o nome e o formato do programa que me veio todo pronto enquanto dormia.

Tratei de anotar as lembranças e pouco depois providenciar a plástica.

Esse programa já está no ar e tem feito muito sucesso em Portugal.

Para quem está em outros lugares do mundo ( inclusive no Brasil) a possibilidade é ouvi-lo a partir do pod cast.

É simples. Basta acessar http://www.flaviosiqueira.podomatic.com e clicar no play. Simples assim.

O programa que foi ao ar nessa segunda, trouxe muitas musicas dos anos 80 e mais tantas outras que nos fazem tão bem.

Isso regado por um texto de Dalton Trevisam, maquina do tempo e conversas que faço questão de manter com quem ouve.

Por que você não experimenta entrar lá, fazer download e vir escutando no carro amanhã ?

Tenho certeza que lhe fará muito bem.

Acesse: http://www.flaviosiqueira.podomatic.com