A fonte dos sons.

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Há alguns mêses, dei um violão para meu filho de cinco anos.

Ouvi-lo tocar – ainda que para ele tocar se resuma a ficar batendo nas cordas- é maravilhoso.

Ele senta compenetrado com o instrumento no colo e durante alguns minutos mexe nas cordas, dedilha seguindo um sentido próprio e tira um som que pode ser chamado de muita coisa, menos de música.

Pelo menos para os outros.

Para mim, ainda que ele não saiba tocar, vê-lo com aquele violão no colo tentando tirar dele algum tipo de som é suficiente para me encantar.

É claro que vou colocá-lo em um curso, afinal de contas, ele quer aprender, mas o que quero dizer é que a música só me agrada porque ela já está dentro de mim.

A experiência de ver meu filho tentando ser músico, só desperta algo que já é.

Por isso, tanto faz se ele dedilha corretamente.

Tenho consciência que ele não sabe tocar e até por isso evito que ele faça seus “shows” quando recebemos visitas, afinal de contas, ninguém precisa ficar ouvindo o som desafinado que sai do violão de uma criança de cinco anos..

Não sou do tipo que adora exibir o filho para os outros e valorizar seus defeitos como se fossem qualidades, até porque sei do mal que isso faz.

Mas também sei que música de verdade só existe em cada um de nós e os instrumentos só são meios para interpretá-las.

É por isso que, para mim, o som do violão do Flavinho não é qualquer som.

É o som produzido pelos dedos de quem saiu de mim e que começa a demonstrar os primeiros esboços de percepção.

Que depende dos pais para quase tudo, inclusive para aprender a caminhar na vida, mas agora se relaciona com a música do seu jeito, explorando os sons que, se para todos não fazem sentido, para ele faz.

Se é o som que meu filho percebe e o melhor que consegue fazer, não importa o ritmo ou as técnicas, para mim será música da melhor qualidade, porque nasce da percepção de que os melhores sons, sempre vem do coração.