Miséria, por Jabor.

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Li hoje na coluna do Jabor:

Existe coisa mais triste do que meninininhos de 6 anos fazendo maalabarismo com bolinhas de tênis nos sinais de trânsito ?

Eles nos angustiam porque são prova do nosso fracasso. Nós evitamos vê-los; eles nos veem o tempo todo.

Os miseráveis são nossa caricatura, e damos esmola na esperança de uma salvação, mas eles não são generosos e não nos perdoam.

Apenas um vago “Deus lhe pague”…

…Houve uma época em que a miséria nos tocava mais ela era útil para nossa piedade, mesmo como tema para arte e literatura. A miséria sempre deu lucro. No Brasil, miséria é quase uma indústria. Quanto lucro uma igreja de charlatães tem com os dízimos ? A miséria dá lucro político; falar na miséria denota preocupação humanitária, traz votos populistas.

…Nossa miséria “pobre” é a ponta de uma miséria maior.

Não existe um mundo limpo e outro sujo.

Um infecta o outro. A burocracia é miséria, a corrupção é miséria, a estupidez brasileira é miséria. Somos uns miseráveis cercados de miseráveis por todos os lados.