Carta direto da infância

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Como são as coisas quando a gente chega aí na frente ?

Meus amigos dizem que deve ser legal poder fazer tudo o que der na telha, comer o que quiser, dormir quando bem entender.

Sei lá, as vezes fico com medo.

Não conta pra ninguém, mas, lá no fundo, sinto que, chegando aí, a gente perde mais do que ganha.

É como se trocássemos nossa sabedoria pelo que chamam de maturidade, nossos sonhos por “realidade” e o coração vai murchando, murchando, murchando…

Posso até estar enganado, mas não vejo entre vocês o sorriso do Lucas, a alegria do Beto, a coragem do Matheus. Vocês fingem ser mais espertos, mas parece que sempre agem movidos pelo medo.

É por medo que abandonam seus ideais e viram realistas, que desistem de tudo o que falavam tanto quando estavam aqui em troca do que chamam de segurança.

Eu sei que um dia estarei aí, mas , por favor, me diga antes porque, chegando onde estão, vocês ficam tão bobões ?

Talvez assim eu me prepare e reforce a dose da bagunça, tome pílulas da imaginação e beba mais copos de alegria.  As vezes meus pais ficam bravos, mas acho que entenderão que é por um bom motivo.

Se não tenho como evitar que o tempo passe, que eu não me perca de mim e, como sou hoje,cresca sem medos e esquisitices.