O Forest Gump da Paulista.

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Dia desses me lembrei de uma pessoa que trabalhou comigo em uma rádio. Vamos chama-lo de Túlio.

Moreno de olhos claros, não passava de 1,60m de altura e vivia contando mentiras:

“Ontem estive com o presidente da republica e ele disse que é seu ouvinte”, era uma das histórias que frequentemente contava.

“Mês que vem farei uma festa em meu iate e quero que você toque lá”, dizia a um amigo DJ.

Dias antes da tal festa, la vinha o Túlio : ” Tive que colocar meu iate para manutenção e cancelei a festa”. Todos se divertiam esperando a próxima desculpa.

Quando ele ouvia o som das pás do helicóptero do banqueiro que pousava no predio ao lado ,saia correndo interrompendo conversas, cruzando no caminho de quem estivesse na frente e falando para quem pudesse ouvir :” Meu helicóptero chegou, preciso ir ! ” e saía esbaforido, correndo em direção ao elevador.

Na praia, se o helicóptero da policia desse seu habitual rasante no mar , ele pegava o celular, levantava em direção a onde estivesse maior concentração de pessoas e gritava : ”Quem está no comando do Águia hoje ? Manda esse FDP parar de dar rasante aqui no Guarujá porque não estou gostando. Diga que é o Coronel Túlio”. E desligava sob olhares curiosos.

 Certo dia eu estava no ar e ele entra no estúdio com uma camiseta de uma fabricante de helicóptero:

-Legal sua camiseta, Túlio ! Onde comprou?-  perguntei quase provocando.

-É que eu estava pilotando hoje de manhã- responde com ar de naturalidade.

-Sério? você pilota ? – dei corda, imaginando o que viria a seguir.

– Sim, faz tempo.

– Por curiosidade, que pista operava hoje em Marte ? – não sei porque resolvi encurralá-lo em sua mentira.

– Hoje ? – ele olha para os lados, demonstra que não esperava essa e arrisca: Hoje era a pista 1…

– Pista 1 , Túlio ? Mas as cabeceiras de Marte são 12 ou 30.-

– Sim, 1 de um dois é o que eu ia dizer…pista 12 ! Ufa…

– Com quem você voa? Voei muito tempo em Marte, conheço muita gente lá.

Eu percebia que ele tentava sair da enrascada:

– Vôo com uns amigos, mas só estou aprendendo. – Ele tenta diminuir a coisa pra ficar mais fácil sair.

Não deixei:

– Mas com quem ?

– Com um amigo que tem um helicóptero particular.

– Mas se é particular não deve ser homolgado pra instrução, logo as horas que você tem feito não serão registradas, sabe disso né ?

– Sim, não tem problema. Só vôo de vez enquando e ainda estou praticando mais manobras lentas, perto do chão.

 Pobre Túlio. Mal sabia que helicóptero é uma máquina cheia de tendências e quanto mais lento, mais difícil. Fácil é voar alto, com velocidade, como se fosse avião.

 Mas Túlio não sabia :

– Eu fico saindo de um hangar, entrando em outro, coisas assim…

– Poxa Túlio, então você está avançado ! Esse treinamento é quando o aluno já começa a acertar a mão no helicóptero.

– Sim, claro. – sempre com naturalidade- é que já voei muito.

 Não quis levar adiante. Fingi que acreditei e , a partir daquele dia, passei a chamá-lo de comandante “Túlio”.

Virou personagem. Um folclore que diverte a todos e sempre tem uma grande história para contar.

Esse sempre dará rasantes de helicóptero e festas em iates por aí.

Em tempo : Quando perguntado por que não tinha carro, Túlio respondia com ar imperial : ”Prefiro andar de ônibus. Além de poder ter contato com o povo, vejo a cidade mais de perto”.

 E dá-lhe Túlio !

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2 comentários sobre “O Forest Gump da Paulista.

  1. Claudio Medeiros

    Hahaha! Muito bom, Flávio!! Eu fiquei imaginando ele dizer que ainda estava praticando “baliza” com o tal helicoptero… rsrs

    Isso me fez lembrar um professor de Estatísitca na Faculdade… Ah, o professor Indiane James… quanta saudades das histórias hilárias…

    Tinha história para todos os gostos, mas duas me chamavam a atenção…

    Contava ele:

    – Eu estava vistoriando a escola num dia destes, no fim do período, quando passei pelo corredor da cantina, escuuuuro… mas ví que a luz da cantina estava acesa e resolví ir até lá, pé-ante-pé… fiquei quietinho, me escondí atrás de uma piilastra e percebí que o dono da cantina recolhia os copos usados e os lavava para recolocar em uso! Um absurdo! Não aguentei e fui até lá: “Ahá! Peguei você, seu larápio!” – Joguei todos os copos ono chão e pisei neles, um a um! (e aquele senhor de quase 70 anos, pulava em sala de aula, interpretando a cena).

    Num outro “causo”…

    – Eu estava saindo da escola e uma senhora saía do supermercado, do outro lado da avenida, carregando suas sacolas de compras no braço (apoiado no peito, pois as sacolas, àquela época, eram de papel) quando veio um menino com uma faca para assaltá-la, empunhou a faca e mirou a mulher que por sorte não se furou porque uma lata de óleo (àquela época o óleos eram vendidos em latas). Eu não me contive e partí para cima daquele muleque que, com medo saiu correndo e pulo o viaduto (da Av. Liberdade para o Elevado Costa e Silva)! Fui até o parapeito ver o rapaz capido no chão e que nada! Não é que o danado caiu, rolou no chão, se levantou, olhou para os lados e saiu correndo?
    E alguém da sala perguntou:
    Ué, professor? E o senhor não foi atrás?
    – Eu não! Ele já havia ido embora, mesmo…

    Ah, o professor Indiane James… quanta saudades das histórias hilárias…

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