Crianças de novo.

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Remexendo em uns textos antigos que escrevi, encontrei esse de 2007.
Talvez ainda esteja em tempo:
Hoje fui fazer compras de Natal em um Shopping.
Parei para olhar a fila de crianças esperando pra sentar no colo do papai Noel.
Rostinhos cheios de alegria, credulidade, ansiedade, esperança……..mães felizes, pais cansados, todos esperavam.
Fiquei olhando.
Quando somos crianças, o mundo , além de maior, fica mais mágico.
Nos enchemos de felicidade diante de um sujeito de barba branca e roupa vermelha.
Nas noites de Natal, apreensivos, aguardamos qualquer sinal da visita do papai Noel.
Um barulhinho de sino, a janela que bate, o vento que faz a porta mexer, o latido a mais do cachorro…..tudo vira evidencia de que ele está lá !
Nesse Natal, eu queria entender qual o exato momento em que deixamos de acreditar.
Onde fica a fronteira em que a criança cede lugar ao adulto, trocando a esperança pelo cinismo, a fé pelo interesse, a ingenuidade pela ganancia.
Você tem idéia de, em qual trecho do caminho, nossos olhos precisam de muito mais do que a figura de um bom velinho pra se encher?
Ou o que torna nosso coração de criança em coração de adulto, cheio de falsas prioridades e razões ?
Ja reparou que a vida, ao invés de nos melhorar, tende a nos deixar mais cinicos, inseguros, desesperançosos ?
Jesus disse um dia que deveriamos ser como as crianças.
Que os adultos de coração se preparassem porque, se insistissem em parecer fortes, cairiam diante da sua imensa e inegável fragilidade.
Afinal de contas é assim que somos : frágeis, vulneráveis, finitos e humanos.
Em tempos de supervalorização da estética, quando o discurso da prosperidade toma conta das religiões e os políticos se safam de todas; onde todos querem sempre mais: tendo ao inves de sendo.
É a era do Second Life, dos esfriamento do coração e distanciamento de almas.
Minha propósta é pra que nesse fim de ano, você possa confrontar suas idéias; o ter com o ser.
Recue alguns passos e troque sua pressa por mansidão, sua inteligencia por sabedoria, suas vontades pela dos pequenos, sua ansiedade por um coração pacificado que sabe onde fica o verdadeiro tesouro.
Ter planos, querer crescer , prosperar é necessário, mas talvez, deixemos de ser crianças no dia em que isso vira nossa prioridade.
Talvez seja essa a tal fronteira.
Onde o menino doce e esperançoso cede lugar ao homem vazio e ganancioso, cheia de arrogancia e desarmonia incansável em sua busca por mais.
A sensação de que o tempo voa aumenta quando vira o calendario e aí todos querem correr em busca do tempo perdido.
Se achar no tempo é a melhor maneira pra que ele, o tempo, não nos devore.
Remexa a poeira, abra o baú e encontre a criança escondida aí dentro.
Deixe que ela fale e te transforme em gente.
Na pureza, na fé, doçura, esperança, bondade……Seja o que um dia já foi no reencontro consigo mesmo.
É quando o Natal vira Natal todos os dias e o Ano Novo se renova a cada manhã que o empresário, politico, radialista, professor, engenheiro, desempregado……..volta a ser criança e , ao invés do impossivel, volta a encher os olhos e o coração com o que a vida tem de mais simples e profundo.
Pense nisso