Durante a madrugada.

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Ontem demorei para pegar no sono.

Assisti televisão, li e nada.

Levantei e caminhei até a janela.

Era madrugada, duas e pouco da manhã.

Rua vazia, sem carros, ninguém passando e o vento…

Árvores balançando, céu aberto e estrelado e eu alí :observando o silêncio, sem pensar em nada.

Enquanto a maioria das pessoas dormia, procurei perceber os sons, movimentos, contrastes e espaços que, na luz do dia, não vemos.

Engraçado como as coisas mudam quando não são preenchidas por nós.

Era como uma sala vazia, um corpo sem alma, um copo sem nada.

Aproveitei para me aquietar.

Não tinha ninguém por perto, mas naquela escuridão, me senti observado: era mais do que o céu, as árvores, o vento.

De repente eu não estava só, pois estava em tudo.

Senti como se, em mim, tivesse um pouquinho de cada coisa e fosse uma centelha do todo.

Realmente não estava só.

Olhando da janela de casa, no meio da escuridão da madrugada, eu era visto e, em uma fração de tempo, me lembrei que de fato nunca estamos sós.

Em nós, um pouco de tudo e não há nada que não nos reflita.

O vento aumentou um pouco, a madrugada no Sul é mais fria, fui me deitar.

Adormeci com a sensação de que, luz e escuridão são parte do mesmo, pois habitam em nós, que nunca estamos sós e, as vezes, até as insonias chegam para nos lembrar que aquele que tudo vê, nunca dorme e nos assiste no meio das madrugadas.

Dormi em paz.