Entrevista com Julinho Mazzei

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Já faz alguns anos que ele saiu do rádio.

Mas isso não muda o fato de que, para grande parte dos ouvintes e profissionais, Julinho Mazzei continua sendo referência.

Pelo seu pioneirismo, ousadia e capacidade de criar na cabeça de quem ouve,verdadeiros mundos, onde ele era o comandante.

A bordo do Radio Flight, milhares de pessoas viajaram pelo planeta e aprenderam muito sobre música, tradições, cultura…

Hoje ele mora nos Estados Unidos e é produtor independente de televisão.

Em um longo e aberto papo, Julinho fala sobre as inevitáveis mudanças do rádio diante da tecnologia.  Expõe suas inspirações, expectativas e desabafa contanto que decepções e falsas promessas lhe afastaram do rádio.

Dá conselhos para quem chega ou está há muito tempo na “latinha”, comenta sobre a falta de investimentos no meio e revela que, hoje em dia, só liga o rádio para ouvir sobre trânsito ou alguma notícia de última hora.

Apesar disso, deixa claro que sua clara percepção sobre o veículo que o projetou nacionalmente continua sendo uma de suas características.

Nos próximos minutos, a palavra está com Julinho Mazzei.

 

  

Julinho, você começou no rádio em uma época onde a inspiração vinha do AM.Helio Ribeiro foi um dos que te inspirou. No entanto, a inspiração não pavimentava o chão , ela só abria o caminho. Como foi construindo sua identidade?

 

O estilo que criei no rádio foi o resultado de uma combinação de várias coisas.

Sim! Escutei muitas AM’s na época quando cheguei aqui. Eram rádios super legais e dinâmicas e os locutores pareciam estar com “fogo no rabo” – rápidos e sempre cheios de energia.Nessa mesmo época, os locutores no Brasil ainda eram daqueles que queriam ter a voz forte e tentando ser “elegantes”no ar.Por outro lado, aqui nos States os locutores já eram malucos e muito originais.

 

Por falar em malucos (no bom sentido da palavra), uma das minhas maiores inspirações veio muito antes mesmo de vir morar aqui nos States. Foi no Brasil escutando o Big Boy (que Deus o tenha) na Mundial do Rio de Janeiro!! Um fenomeno que infelizmente nunca mais teremos o grande prazer de ouvir.

 

Os States foi um lugar que me ajudou muito a criar uma identidade no ar. A maneira de viver, o comportamento, a tecnologia e cultura avançada, a facilidade de realizar e aprender coisas novas, tudo isso me ajudou a criar um estilo.

 

O Hélio foi o meu primeiro professor.Foi ele que me abriu os olhos para a realidade do rádio. Ele me mostrou o lado mais poético e humano da coisa.

 

Enfim, o AM me inspirou e abriu portas, o FM me mostrou o caminho e foram

pessoas como o Big Boy e Hélio Ribeiro que me mostraram como fazer e mostram o lado mais legal e sincero.

 

Se no começo a inspiração vinha do AM, de onde ela vem para os novos profissionais do FM?

 

Todos se inspiram em alguém ou em alguma coisa. Hoje em dia, acho que  a maior parte da inspiração vem da própria tecnologia. Até “ontem” todos sonhavam em poder montar uma rádio própria, de ter a liberdade de falar e tocar o que bem quiser, e hoje isso é uma realidade! Qualquer um pode ter uma e com ela criar o seu estilo e mandar o seu recado.

 

Mas ainda acho que todos nós, independente da profissão, continuamos a ter alguém como referência.. Aqueles que gostam do mundo corporativo, se inspiram nos mestres dos negócios como o Steve Jobs, Richard Branson, Bill Gates, sei lá!! Assim como os novos atores e atrizes aprendem assistindo aos filmes das grandes estrelas de Hollywood  e assim crescem, procurando e desenvolvendo a sua identidade em alguma coisa de alguém:

um gesto, um sorriso, um olhar, uma simples lágrima,uma entonação ou

algo diferente que ouviu.

 

 

“Hoje em dia, eu não ouço rádio pela música e sim apenas para saber com anda o transito no meu caminho diàrio ou alguma outra notícia de última hora.Fora isso, nem ligo!!”

 

 

 

Essa mudança de referências tem responsabilidade no enfraquecimento do rádio ou é o enfraquecimento do rádio que faz com que as referências mudem?

 

Não,não acho que o rádio enfraqueceu.O que acontece hoje, é que os tempos mudaram e a competição aumentou. Com a evolução a internet ,um novo mundo se abriu à todos aqueles que nunca tiveram a chance de sair de suas cidades ou país. Até pouco tempo atrás só aqules que podiam viajar é que tinham acesso a outras culturas. Hoje, escutar uma rádio americana, canadense, holandesa, alemã, japonesa, ouvir (e ver ao vivo) shows e acontecimentos internacionais é uma coisa comum. Com essa abertura que a internet nos trouxe as referencias também ampliaram e muito!!

 

 

Se na sua época no rádio o acesso a música era diferencial, hoje qualquer um tem acesso a qualquer música.Qual a importancia da música para o rádio de hoje ?

 

 

Acho que a música continua sendo um elemento muito importante no rádio de hoje. No entando acho que algumas pessoas ainda ouvem o rádio terrestre – esse que a gente bem conhece e que todos nós crescemos ouvindo – porque ainda não tem outra alternativa. Talvez por não terem meios de ouvir ou comprar um ipod ou um mp3 player. Hoje em dia, eu não ouço rádio pela música e sim apenas para saber com anda o transito no meu caminho diàrio ou alguma outra notícia de última hora.Fora isso, nem ligo!! A tecnologia mudou tudo!!

 

 

E até onde essas mudanças que abrem possibilidades novas para os ouvintes, proporcionam a migração de anunciantes para outras mídias ?

 

Como já falei,a tecnologia mudou tudo. Nos olhos das grandes companhias e

patrocinadores, sem dúvida o rádio se tornou um veículo muito fraco para investir. Hoje, temos mil outras maneiras de promover, vender, anunciar(gritar, berrar, chorar..rs) nossos produtos.Alternativas muito mais eficazes e diretas e atingindo muito mais publico. A televisão continua sendo a grande “vitrine”de vendas, mas para aqueles que, por razões finaceiras, não podem pagar para anunciar na tv e  que sempre tiveram no rádio o seu veiculo de promoção, partem agora para outras alternativas baratas e mais fortes como a internet, cable, outdoors, celular, etc.  Mas acho que sempre existirão aqueles que ainda acreditam no veículo rádio como uma forma de promoção.

 

Quando me refiro ao enfraquecimento do rádio, incluo que esse fenômeno tem atingido as mídias tradicionais como um todo. Até as novelas da Globo tem tido consideráveis quedas de audiência. É um indicativo de que as coisas estão mudando rápido demais ?

 

Não resta a menor dúvida! Volto a bater na mesma tecla tecnológica. Aqueles que só tinham a oportunidade de ver a Globo, hoje tem milhares de outras opções de conteúdo. Qualquer um hoje pode assitir ou gravar programas em outras mídias. Sim! O mercado mudou e o mundo hoje é outro. Quem não se adpatar a nova realidade de mercado e continuar vivendo de estratégias passadas não sobreviverá. É hora para se realizar uma grande reestruturação interna nas rádios e nos outros veículos mais tradicionais de informação, criando novas alternativas e prioridades.

 

 

Diante da velocidade das mudanças que tipo de profissionais se destacarão no mercado ?

 

Aqueles espertos com uma grande visão criativa e coragem.Serão aqueles que sabem que não sabem nada e por isso estão sempre buscando aprender novas estratégias e conhecimento.

 

 

 

“Tem que saber que o microfone não é apenas um aparelho que amplia a sua voz e sim um instrumento poderoso que pode ser usado para transformar, conscientizar, ajudar, criar situações, refletir e até mudar a história do mundo”

 

 

 

Você acredita que estamos nos aproximando do fim do rádio como hoje conhecemos?

 

Sim! O rádio que nós conhecemos irá mudar, mas não morrerá.Acho que no futuro ele irá continuar informando e prestando serviços a comunidade,mas não com a mesma força de antes.

 

Se no dia em que todos tiverem acesso a web teremos a “democratização” da comunicação a medida em que cada um poderá ter sua própria mídia, o que será das grandes redes ou conglomerados ?

 

Esse dia praticamente já chegou, existem até índios na Amozônia ascessando a net para saber a previsão do tempo para amanhã..rs. O que será dessas grandes redes? Elas continuarão e existir mas como já mencionei quem não se adptar, vai dançar.

 

Sente que as grandes redes tem se adequado com eficiência a essas transformações ?

 

Elas terão e jà estão tentando se adptar. Aqui nos States elas investim muito em novas idéias,ou pelo menos estavam. Acontece que agora com essa nova e triste realidade econômica global muita coisa vai mudar. Neste momento nem eles sabem o que vem pela frente. Ninguém sabe.

 

O Marcelo Braga citou em uma entrevista que estamos vivendo a era dos “filtros pessoais”, sendo que, cada vez menos, as pessoas aceitam que o veiculo lhe imponha determinado conteúdo. Como encara essa nova era ?

 

É claro que ninguém aceita ser dominado ou controlado por alguém ou por alguma mídia qualquer.

 

Assim como muita gente, eu nunca aceitei nenhum tipo de imposicão.Eu só escuto o que quero e quando eu quero e ponto final. Hoje as opções de informação são tantas que é não faz sentido um veículo impor alguma coisa.

 

Se eu não gosto mudo do canal, mudo, se não gosto da rádio que estou ouvindo, mudo ou desligo tudo e vou curtir um som ou assitir algo no meu iPhone ou no iPod, preciso de mais alguma coisa? Não! Fico muito feliz que as pessoas estejam usando os seus “filtros”. Até que enfim. Viva o filtro e a democracia!! Amém.

 

 

“Se existir uma boa oportunidade posso até voltar”

 

 

A geração que nasceu entre o fim dos anos 80 e começo dos 90, já cresceu acostumada com a possibilidade de acesso a qualquer tipo de conteúdo e com a facilidade de, na web, encontrar recursos de áudio, video e texto na mesma fonte. O que, na sua opinião, as mídias tradicionais devem fazer para não perder esse público de vez ?

 

Flavio, sinto lhe informar,mas já estão perdendo e não tem mais volta. Deixa eu te perguntar um coisa: Você encontra na Globo o mesmo conteúdo e da  variedade de informação que a internet lhe oferece? Você ouve na Jovem Pan o mesmo conteúdo que exite na web?Bem, aí é que está. Acho que não preciso responder mais sobre isso.

 

 

“Conheço muita gente que abondonou suas carreiras no rádio por causa de decepções e falsas promessas,eu foi um deles”

 

 

O que passa as ser caracteristica mais importantes nos novos profissionais?

 

O tempo muda, mas as caracteristas terão que ser sempre as mesmas: Um profissional de rádio é aquele que primeiro, ama o que faz. Precisa ser inteligênte, dinamico e alegre. Precisa estar sempre bem informado com os assuntos e problemas da sua cidade,estado, país e do mundo. Tem que saber que o microfone não é apenas um aparelho que amplia a sua voz e sim um instrumento poderoso que pode ser usado para transformar, conscientizar, ajudar, criar situações, refletir e até mudar a história do mundo.

 

O bom profissional, é aquele, que escuta mais e fala menos,mas quando fala,

fala bonito e faz a gente se emocionar. É uma pessoa humilde e sabe que ainda tem muito que aprender . Mas de todas as caracteristicas, acho que a mais importante de todas é o respeito que ele ou ela tem que ter pelo seu público. Muitos esquecem que sem ele nada existe!!

 

Será que toda essa abertura facilita a volta ao mercado, ainda que através de mídia própria, de grandes profissionais como você ?

 

Sei lá! Não sei o que passa pela cabeça dos outros profissionais. Conheço muita gente que abondonou suas carreiras no rádio por causa de decepções e falsas promessas,eu foi um deles.Mas esta é uma outra história que deixo para contar depois.

 

Muitos profissionais que trabalharam comigo também seguiram o mesmo caminho e estão trabalhando em outras setores, criaram seus próprios estúdios, produtoras e estão muito felizes com isso. Outros criaram suas “web radios”ou mudaram totalmente de vida.

 

No meu caso, ainda não sei o que vai rolar. Estou feliz trabalando como produtor de televisão e outras coisas e quase não tenho tempo para me dedicar ao rádio. Mas nunca se sabe, né? Com a nova tecnologia qualquer dia desses a minha “radinha”entra no ar. Existe o momento certo para tudo.

 

Voltaria ao rádio brasileiro ?

 

Sim!! Se existir uma boa oportunidade posso até voltar, mas dessa vez será no meus termos.

 

 

“aproveite que você tem o poder do microfone e use-o para melhorar as vidas das pessoas e da sua cidade. O mundo está precisando muito de gente positiva, alegre e feliz. Seja um deles!!”

 

 

O que tem feito?

 

Nos últimos anos tenho trabalhado como produtor independente de televisão

para vários canais americanos e brasileiros. No Brasil, entre meus clientes estão: o Discovery Channel, National Geographic, HBO, MTV e VH1.

Além de produtor de televisão, montei uma produtora onde crio conteúdo  para a web e edição de video. Além disso, uso a minha voz para a gravação de vinhetas, comerciais de tv e rádio, chamadas, promos e campanhas promocionais para um montão de clientes.

 

Se pudesse resumir um conselho de como os novos (e velhos) profissionais devem agir diante da grande revolução nos meios de comunicação que estamos experimentando, o que diria?

 

Independentemente dessa revolução toda que está rolando ou que veículo você esteja,os princípios básicos são sempre os mesmos: a humildade, o conhecimento de causa, a sinceridade, o respeito pelo público. No ar ou fora dele não importa, tente ajudar as pessoas, dar uma força, grite sempre pelo seus direitos e dos outros, inspire as pessoas trazendo sempre informações legais e com um sorriso no rosto (mesmo estando fudido de grana e de ter perdido a namorada..rs) aproveite que você tem o poder do microfone e use-o para melhorar as vidas das pessoas e da sua cidade. O mundo está precisando muito de gente positiva, alegre e feliz. Seja um deles!!

 

 

Como vê o rádio daqui a 10 anos ?

 

Pergunta dificil.

 

Em termos tecnológicos,vejo rádio como um sinal transmitido de um central enorme e dividida em vários outros canais onde cada ouvinte pode escolher o tema ou estilo que quiser. Assim como é hoje  a SIRIUS ou a XM Radio. Pra você ter uma idéia, hoje no eu tenho no meu carro e na bicicleta acesso a 365 rádios digitais (sem comerciais) que vão desde programas de música, esportes, política até receitas culinárias. Acho que será algo parecido mas de uma maneira ainda mais interativa onde o ouvinte pode até criar a sua!

 

Só Deus sabe.

 

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7 comentários sobre “Entrevista com Julinho Mazzei

  1. Hahahah , concordo plenamente com o Grande Julinho ,,, a globo esta perdendo audiencia porque o público que dava audiencia no passado para ela cresceu e amadureceu ,,,, ficar perdendo tempo assistindo novela que não leva a lugar nenhum , tramas que na maioria das vezes não tem nada ver com a realidade , que passa valores totalmente distorcidos .
    Ficar preso a novelas pra que ? , prefiro navegar pela internet , tomara mesmo que a internet tire totalmente a audiencia dessas porcarias de Tvs abertas que infelizmente nós temos , lamentável .
    E ainda tiveram a coragem de passar comerciais dizendo que a Tv éra gratuíta ,,, hahah , só rindo para não chorar , a globo esta perdendo e perdera cada vez mais a audiencia porque não consegue mais dominar como no passado , ainda bem , como pode uma novela ditar modas e certos comportamentos questionáveis ? , só no Brasil mesmo , onde o povo a maioria se deixa levar .
    Não é a toa que o Brasil é conhecido como o país do futebol , carnaval e de gente que gosta de levar vantagens , vou para ,, sem comentários.

    O rádio infelizmente perdeu toda sua magia ,,, e o futuro é a internet mesmo , onde que em pouco tempo eu acho particularmente poderemos ouvir as Webradios em nossos rádios em nossos carros , rádios totalmente personalizaveis .
    Os anos 80 e inicio dos 90 não tem pra ninguém foram os melhores .
    Como o Julinho , praticamente não ligo o radio convencional , ouço só mp3 no micro , e gravo para ouvir no mp3 portátil e no carro .. só em mp3 , só as que gosto .

    Abraços , e desculpe se ofendi alguém .
    Reinaldo Lima – Guarulhos

  2. Ricardo Moreno

    Julinho Mazei, para mim é o melhor locutor de todos dos tempos. A primeira vez que eu o ouvi foi na Bandeirantes FM ( 96,1 ) com o New York Express. O programa era das 20h à 24h e era uma viagem. Vários profissionais tentaram copia-lo mas ninguém chegou aos seus pés, pois ele além ser inteligente tem uma grande diferença em relação aos outros: está a frente do nosso tempo. Ele é o Deus do rádio.

  3. Minha nossa senhora…
    Nunca tinha assistido a uma história tão maravilhosa como a do Julinho mazzei.
    Ouvi falar do Mazzei pela primeira vez em 1990 quando eu ainda tinha meus 15 anos aqui em Juiz de fora -Minas gerais, todo mundo falava comigo assim…NOSSA, VOCÊ TINHA QUE ESCUTAR O BIG APPLE SHOW CARA, ERA DEMAIS…nessa época eu já trabalha em rádio, mais não fazia a minima ideia dessa historia.
    E hoje na Poolweb onde faço o music express sou indiretamente parceiro dessa fera do rádio.
    Parabéns ao Blog e parabéns Mazzei pela fantástica historia.
    abração a todos
    Douglas Polato ( POOLWEBRADIO)

  4. Carlinhos Palla

    Ha muito tempo que deixei de ouvir radios brasileiras…. So ouco via internet (web radio) emissoras internacionais com programas dinamicos e musicas de qualidade dentro do genero DANCE e qdo quero ouvir romanticas, rock alternativo… Detesto humorismo no radio, estes programas deveriam ficar no lugar deles, la na tv, deixar o radio e ouvintes focar no seu principal objetivo que eh a musica…

  5. Anchieta Abreu

    Conheci o Mazzei na do Juninho Tonon em 1984 em Santos junto com Dj Big de São Vicente, descemos o ap o Mazzei desceu descalsos pra comprar um tenis na galeria santista proximo a na epoca antiga DJ party house do Fernando (da Pirata) , Mazzei um exemplo de simplicidade e simpatia, tenho os cassetes da epoca ; Fm; Cultura santos, Jovem pan, 99 Poll, band fm etc tudo intacto …. epoca de ouro fantastica, saudavel, imaginem tudo isso numa epoca em que a internet era apenas um sonho.

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