Aprendendo a ver por outros ângulos

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Um dos problemas da tensão, é que tendemos a ver as coisas a partir de um só ângulo.

 

Não que seu ângulo necessáriamente seja errado, mas, fazendo assim, eliminará a possibilidade de enxergar a realidade com horizonte ampliado e visão tridimensional.

 

Sempre que um ouvinte me pedia um bom caminho para chegar em determinado ponto, me preocupava em fornece-le duas ou mais opções e dizer : agora é contigo. Escolha o melhor para você e siga em frente.

 

As vezes, isso resultava em certa insatisfação, a medida em que tinha gente que simplesmente não queria pensar. Tendemos a preferir que as coisas venham “mastigadas”.

 

Já recebi e-mail de gente insatisfeita, dizendo que dar a quem está no sufoco do trânsito mais de uma opção de saída, é atribuir a quem já está no sufoco mais uma tarefa e que isso pode ser estressante.

 

A esses eu sempre respondo que, o pior estresse é a falta de caminho.

 

Certo dia eu estava brincando de desenhar com meu filho de cinco anos.

 

Ele desenhou a si próprio em uma paisagem bonita, fazendo churrasco em uma grande mesa.

 

Quando lhe perguntei porque tinha feito uma mesa tão grande e se não colocaria ninguém mais com ele, pensou, pensou e pediu para que eu completasse o desenho:

 

– Quem você quer que venha comer esse churrasco com você? Perguntei.

 

– Pode ser minha namorada ?

 

Crianças nessa idade tem várias namoradas. Eles perguntam “quer namorar comigo ?” a outra responde “sim” e, pronto. Já estão “namorando”.

 

Mas como, apesar disso ele “ainda” não tem namorada, resolví inventar uma.

 

– Pai, você fez uma namorada barriguda ! – foi a reclamação depois do desenho.

 

Confesso que não era só barriguda, se existisse a tal namorada na folha de papel pesaria uns 150kg.

 

– Mas qual o problema Flavinho ? Se ela é sua namorada você gosta dela e, se gosta ela deve ser legal. – tentei argumentar politicamente correto.

 

– Você estragou meu desenho – ele falava com olhos marejando.

 

Vou dar um jeito.

 

Ele se animou.

 

Peguei a caneta e rabisquei aqui, alí, fiz com que a barriga virasse um avental, o papão um nó que vinha até o pé, dando um jeito para que a perna grossa virasse parte do avental, ou seja, risquei de tudo o que é lado e consegui tirar uns 90 dos 150kg.

 

Ele sorriu, agradeceu e disse que agora a “namorada” estava mais bonita.

 

Para modificar aquele desenho, tive que ver na imagem o que ela não era, para, a partir de então, moldá-la de acordo com a realidade que, em principio, só acontecia na minha imaginação.

 

É assim para tudo.

 

Situações aparentemente irremediaveis só parecem assim porque irremediavelmente nos encerramos em nossas próprias limitações.

 

Nada é estático, de modo que tudo o que hoje aparenta ser rígido, de fato não é.

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