Fé remove montanhas?

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Provavelmente você já ouviu alguém bradar que a fé remove montanhas.

Especialmente no Brasil, fé é palavra recorrente: na megasena, no “professor” do time de futebol, na igreja e assim por diante.

Existem os que tem “fé que as coisas melhorarão” ou aqueles que, diante de alguém que sofre e, sem poder fazer nada, solta um “tenha fé em Deus”.

Acontece que de fé em fé, alguns grupos se formam:

Os que acreditaram muito, não foram correspondidos a medida da fé; se decepcionaram.

Os que viram na fé mais um recurso “tático” e tentam usá-la como uma especie de ferramenta de barganha espiritual.

Os que, mesmo diante dos conflitos para sustentá-la, e intimamente desgastados, preferem não atrair a “ira divina” e simplesmente mantém a aparência de fiéis, mas com o coração cansado e a mente anestesiada.

Os que atribuem o fruto do seu esforço a virtude de sua fé, por acharem que, nesse caso, colherão mais “beneficios” e serão vistos como especiais.

Os que preferem nem pensar nisso.

Mas, afinal, a fé remove montanhas ?

Confesso que já me perguntei mais de uma vez até onde devemos ir “pela fé” e o que isso significa de verdade.

Tenho aprendido que fé é um estado de espírito.

Não se parece com um amuleto que lhe garante sorte em momentos difíceis.

Ter fé, é um jeito de olhar a vida onde, íntimamente, sei que tudo coopera para o meu bem.

Exagero ? Meio de me enganar ? E as inúmeras tragédias que se abatem ?

Ao longo da minha vida já passei por algumas pessoais e delas tenho extraido muitas lições.

Uma delas é que eu sempre tenho a oportunidade de escolher o que eu vou fazer com o problema.

Ou deixo ele me destruir, ou olho para ele, o acolho, extraio o que preciso e depois jogo fora.

Simples ? Não. Nem sempre é. Mas é um excercicio contínuo que vai te ensinando a identificar que muitas vezes o bem tem cara de mal e o mal tem cara de bem.

Que a vida tem várias estações e que nem sempre as coisas serão exatamente como gostaríamos.

Mais adiante vejo que o bem que imaginara para mim, me faria mal, de modo que não sei se aquilo que tanto quero é uma armadilha criada por minhas próprias inseguranças.

Vivemos no mundo das possibilidades, onde tudo acontece o tempo todo, mas nossa limitada capacidade de percepção, só indentifica o que estamos condicionados a ver.

Enquanto você pensa em determinada causa, saiba que existem bilhões de possibilidades referentes a ela, enquanto para você só existe uma.

Olhar sua vida a partir de outro ponto, mudar as referências, repensar as possibilidades, lhe abre caminhos que, se não te levarem para onde você quer, te levarão para onde você precisa ir.

Fé, é saber que está indo no caminho certo, mesmo que aparentemente não seja o melhor.

Sim, porque reconheço a dificuldade de, diante das tragédias, sem controle sobre o dia mau, simplesmente acreditar que está indo no caminho certo, mas, não disse que seria fácil.

Quando você for orar, rezar, oferendar ou qualquer outra coisa, ao invés de pedir por algo, peça por percepção.

Abra os olhos, repense seu caminho, reconheça as possibilidades e não se desvie por seus próprios desejos.

As vezes, é preciso andar no escuro, nem sempre o caminho será conhecido mas não viva jogado pelo vento; aprenda a perceber as coisas.

Para que a fé remova montanhas, antes precisa remover as vendas que nos impedem de olharmos para os lados e nos limitam a nossos próprios medos.

Acredite em você, se aquiete e sinta o mundo de possibilidades a sua volta.

Sendo assim, mesmo com tristezas, andará em paz, sabendo que fé não é encerrar sua existência em bens ou vontades, mas a certeza de que você não está aqui por acaso e, independente de como as coisas estão, caminha para dias melhores, mesmo que através de curvas, desvios, e tropeços.

Sei que é difícil, mas a gente chega lá.