O Alfabeto

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Letra A – Abre-alas do alfabeto. Talvez por isso tenha se tornado tão arrogante e ambiciosa. Mete-se em quase tudo que a gente fala ou escreve. Sua única característica simpática é a de ser a responsável pela designação das coisas do gênero feminino. Também é a culpada pela crase, por puro assanhamento.

Letra B – Se não é a mais bonita, certamente é a mais sensual. É a única na qual eu tenho vontade de dar um beliscão. Conseguem imaginar a palavra bunda iniciando por outra letra? Beleza pura.

Letra C – Parece uma boca aberta. Por causa disso originou palavras como canto e comunicação. Tenta revogar o uso da palavra alfabeto na língua portuguesa, argumenta que é um termo de origem estrangeira e que o certo seria usar apenas abecedário. Cínica.

Letra D – Sente-se depreciada. Descobriu que não é nada além do que a metade de um B, e, para piorar a situação, a metade de baixo. Desenvolveu enorme complexo de inferioridade. Deprimente.

Letra E – Tentou abandonar o alfabeto e arranjar um emprego como ancinho. Como não tinha cabo, e ancinho nem sequer começa com E, não conseguiu. Esquisita.

Letra F – Muito perigosa, se empunhada pelo cabo torna-se uma arma. Não é à toa que originou palavras como: faca, ferimento, fatalidade… Letrinha foda.

Letra G – Também parece uma boca aberta, só que uma boca cheia. Os colegas de alfabeto tratam-na, gentilmente, por gordinha. A palavra que mais gosta de formar é guloseima. É uma glutona.

Letra H – Muito estranha. Quando comanda a palavra faz questão de não ser notada. Quando se coloca dentro de uma, costuma ou arrumar problemas com o pobre do X ou diminuir o tamanho das coisas. Somente é apreciada pelos compositores de bossa-nova. Um tanto hermética.

Letra I – Se o D tem complexo de inferioridade, imaginem esta de agora. Tão magra que mal se nota a sua presença nas palavras. Algumas inclusive pararam de utilizá-la, o que não é de admirar. Sobrou-lhe dar origem a palavras como: imbecilidade, inaptidão, idiotice, incompetência e coisas do gênero. Completamente insignificante.

Letra J – Lembra um I que está sempre sentado, descansando. Coisa de velho, o que é estranho para quem é responsável por juventude e jovialidade. Deve ser pura janotice.

Letra K ( em memória ) – Já foi tarde. Só servia para complicar a grafia de nomes femininos como Carim e Cátia. Letrinha Kalhorda.

Letra L – Devagar, quase parando. Culpa provavelmente do pé grande. Se acha grande coisa só porque a palavra letra começa com ela, mas na verdade é mais reconhecida por palavras como langor e lentidão, e pelo tamanho do pé. Uma verdadeira lesma lerda.

Letra M – Igual uma galinha com as asas abertas para abrigar os pintinhos. Muito maternal

Letra N – Não gosto dela. Acho meio sem personalidade, quase uma nulidade. Nada mais a declarar.

Letra O – Normalmente utilizada para designar as coisas do gênero masculino. Letra desagradável, inclusive na forma que parece a de um cu.

Letra P – A maior responsável pela pornografia na língua portuguesa. Deu origem à denominação dos principais palavrões e perversões conhecidos. Culpada pela existência de obscenidades como pênis, pederasta e presidente, entre várias outras. Uma puta.

Letra Q – Sempre achei que cu deveria se escrever com ela. Tem até o rabo.

Letra R – Quase sempre ela é bastante razoável. Nunca porém quando resolve andar aos pares, torna-se então, junto com o fumo e o álcool, uma das principais causas de irritação da garganta.

Letra S – Uma serpente. Sempre arrumando confusão com as outras. Tem predileção especial por implicar com o C e o Z mas não poupa nem o infeliz do X. Quando o C conseguiu um cedilha para se defender, ela passou a andar em dupla. Sacana.

Letra T – Na verdade não é uma letra e sim um taco. Deve ser utilizado ao inverso do que está. Segure a parte vertical com as duas mãos e bata com a horizontal, de preferência na letra O .

Letra U – Se tivesse alça seria um penico. Em todo o caso, se o aperto for grande, pode urinar dentro dela, mas depois despeje e seque. Não gosta de ficar úmida.

Letra V – Parece um U de regime mas não é. Foi criada especialmente para denominar os principais órgãos sexuais femininos. Causa muito nobre. Só que depois ficou com vergonha e inventou a virgindade. É verdade, juro.

Letra W ( em memória ) – Foi sacaneada. Invejosos, o U e o V uniram-se e pediram sua eliminação. “Ou ela ou nós duas” foi o ultimato que deram. Na disputa até que o W estava se dando bem, principalmente contra o V que só vale metade dele. Desistiu quando o U desfilou na sua frente ostentando um trema. Não precisou ser eliminada, suicidou-se.

Letra X – Vive atormentada. Sabe que é a próxima que está sujeita a ser eliminada. Sua única esperança é que sem ela a Xuxa passaria a ser uma mama e todos a preferem assim como é, com as duas e mais o resto. Letrinha xaropona.

Letra Y ( em memória ) – Retirada por pressão da igreja católica. Os seminaristas não podiam vê-la sem imediatamente imaginar aqueles montes de vênus que aparecem nas pinturas bíblicas. Corriam para o banheiro interrompendo as aulas de teologia. Ydiotas.

Letra Z – Nunca entendi porque o primeiro algarismo é escrito com a última letra. Zero para este alfabeto.

Do blog do Julinho: http://julinhomazzei.wordpress.com

Pela moral e bons costumes- A história de Vitor e sua família.

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No ano passado uma arrasada avó, sem a menor condição de criar dignamente um bebê recém nascido, leva o menino para a casa de um casal pedindo para que cuidassem dele.

 

O casal, que já estava disposto a adotar uma criança, prepara um quarto e recebe a criança como filho.

 

Com o tempo, Vitor aprende a reconhecer neles seus pais e, apesar da pouquíssima idade, cria vinculos com o novo lar.

 

Quase um ano depois, um juíz da cidade de São José do Rio Preto decide que deixar a criança com o casal pode ser um “atentado” contra a moral e os bons costumes e resolve que o bebê deve ser retirado de seu quarto azul, verde e com bichinhos no teto e encaminhado a um abrigo para menores.

 

Foi isso o que aconteceu.

 

Aos prantos e , sem poder desobedecer a “lei”, os pais são obrigados a abrir mão do filho permitindo que ele aguarde em um abrigo enquanto tentam, por vias legais, trazê-lo de volta.

 

De repente Vitor se reconhece em um lugar totalmente estranho.

 

Os cuidados dos pais cede espaço a funcionários que dividem atenção com dezenas de outros meninos e meninas abandonados a própria sorte a espera de uma família.

 

O bebê de nossa história tinha uma família, mas o juíz decidiu que aquela não era adequada.

 

Durante um ano os pais brigaram na justiça mas, enquanto o processo corria, a criança – já um ano mais velha- foi adotada por outra família.

 

Demonstrando amor e bom senso, os “pais inadequados” abrem mão da guarda do Vitor alegando que “Ele já está com outra família há oito meses. Como vou tirar o menino dessa família agora? Como vai ficar a cabeça dele? Se você me perguntar o que eu quero: eu quero lutar por ele. Mas se perguntar o que eu devo fazer: eu devo abrir mão. Por amor a ele. Ele já criou vínculo, criou laço com aquela família”

 

Em um país com altíssimo indice de crianças abandonadas, o casal tentará adotar outro bebê sabendo que ficarão eternamente com uma marca: “O amor pelo Vitor não tem como tirar. O que vai acontecer é uma outra fase, uma outra situação. Eu vou ter que começar como se fosse um segundo filho. Vou ter que aprender a lutar por uma outra criança.”

 

Enquanto isso, Vitor cresce em seu terceiro lar.

 

Para finalizar uma pergunta: Você mudará sua impressão e concordará com o juiz quando souber que a mãe adotiva é uma transexual ?

 

Triste o mundo onde a “moral” e os “bons costumes” ainda tem o poder de decidir o que é melhor para uma criança e uma família.

A lição de Moussambani

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 A vida de Eric Moussambani nunca foi fácil.

Nascido e criado no interior da pequeníssima Guiné Equatorial, o menino negro, de origem humilde virou símbolo de superação nas Olimpiadas de Sydney em 2000.

Apesar do recorde como o mais lento nadador das Olímpiadas, o rapaz de 22 anos que nadou os 100 m livre no estilo “cachorrinho” com o tempo de 1min52s72, tempo inferior ao obtido pelo húngaro Alfred Hajos em Atenas-1896, pois aprendera a nadar um mês antes, é lembrado até hoje por conta de uma grande lição.

Enquanto os outros competidores, já fora da piscina, secos e com seus uniformes observavam atônitos, Eric dava um recado ao mundo : não importava ser o último, naquele dia ele precisava se superar e provar para si mesmo que chegaria ao final. E chegou.

Só que ao bater na raia, o representante de Guiné saiu da piscina como simbolo dos jogos olímpicos, mostrando que a superação deve ser uma meta pessoal, onde, apesar do que os outros fazem, vale minha disposição e fé no meu trabalho e até onde posso chegar.

Para relembrar esse dia, um video com produção e texto do meu primo, Rafael Siqueira.