Fidelidade partidaria.

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Primeiro eles pigarreiam, calibram a voz e dizem em tom austero ” Conseguimos um grande feito que é a possibilidade de cassarmos políticos infiéis aos partidos pelo qual foram eleitos.”

Avanço ! – todos pensam. Afinal de contas, isso dificulta as facilidades de “aliciamento” político, ainda que o presidente Lula insista que nesse governo isso não acontece e, se acontecer, ele não sabe de nada.

Mas o fato é que a fidelidade partidaria garante ao eleitor que aquele em quem votou não irá virar a casaca e, durante o mandato, permanecerá fiel ao programa do seu partido.

Agora, me responda com toda a sinceridade: que partido tem programa ?

Pegue os maiores : PMDB- apoiou todos os governos desde Sarney. PSDB- Na oposição vota contra medidas que, na situação, apoiou. Que coerência ? PT – Na situação, faz tudo completamente ao contrário do que pregava na oposição. Coerência ? Isso pra ficar nos maiores.

Se por um lado a fidelidade partidaria garante que o político não se desvincule do partido, a pergunta é : o que garantirá que o partido não se parta, desvinculando-se de si mesmo ?

Parace que, como nunca antes na história desse país, tudo continua do mesmo jeito.

E-MAIL:”Joguei tudo para o alto e me esvaziei”

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Como vai amigo ? Amigo porque entre segunda e hoje (quinta feira) devorei todo o seu blog.

Sou do interior de Minas Gerais e cheguei aqui através de uma indicação em uma comunidade no orkut mostrando o link para o artigo “porque não tenho religião”.

Justo esse tema ! Ele me despertou curiosidade porque vivo em meio a uma grande crise emocional exatamente por esse motivo.

Durante 22 anos participei ativamente das atividades da igreja que eu e meus pais frequentamos a vida toda. Eu era engajada, cantava no louvor, ministrava na escola dominical e era respeitada por todos.

Meus pais também são ativos lá e sempre se orgulharam dos meus trabalhos.

Não sei dizer quando ou porque aconteceu, mas devagarzinho eu fui deixando aquele lugar. Não tive nenhuma decepção, guardo com carinho as lembranças de tudo o que vivi , só que parece que nada que estava lá me fazia bem como antes.

Permanecer naquele lugar, com todas as responsabilidades que eu tinha estava me matando lentamente porque por dentro eu chorava.

Chegou uma hora em que falei para todos que não dava mais e fui embora.

No começo foi dificil para minha familia mas depois entenderam, mas para os amigos da igreja virei maldita.

Ninguem me liga mais, todos se afastaram e falam por tras dizendo coisas horriveis.

Se eu tinha um pouquinho de fé aos poucos ela foi morrendo porque percebi o quanto estava cega achando que aquele povo me amava. Amava nada ! Eles queriam meus trabalhos enquanto eu era conveniente.

Até Deus foi embora porque nunca mais consegui falar com ele ou sentir o que eu sentia.

Desculpe o desabafo sendo que nem nos conhecemos mas espero que me entenda.

Hoje não acredito mais em nada e me sinto vazia.

Responda quando puder.

 

Resposta:

 

A sensação que eu tive enquanto lia seu e-mail, é que você construiu toda sua vida em cima do que seus pais projetaram em você.

 

Pelo que li, eles parecem ser gente boa e estão te apoiando. Mas quando me diz que “Durante 22 anos participei ativamente das atividades da igreja que eu e meus pais frequentamos a vida toda” e“Meus pais também são ativos lá e sempre se orgulharam dos meus trabalhos “ dá a entender que sua identificação com a igreja está muito ligada a identificação que tem com seus pais.

 

Só que chega uma hora – cada um tem seu tempo para ela chegar- que precisamos dessa ruptura em busca da própria identidade e, geralmente, esse caminho passa em algum momento na contra mão do caminho dos pais, principalmente se o caminho deles não tem a ver com você.

 

Sem perceber, pais tendem a projetar nos filhos suas próprias expectativas de vida e isso pode gerar um grande peso.

 

Talvez tenha chegado a hora de buscar seu próprio caminho e isso não deve alimentar culpa. Um dias as pessoas partem.

 

Seu problema é que você calçou suas referências de vida, em cima de algo que não era seu.

 

Não estou dizendo que você não deve frequentar igreja ou ter os amigos que tinhas, mas, se decidir por isso, que seja por vontade própria porque felizmente você chegou em um ponto em que o coração está rejeitando o que não é genuíno.

 

Você ainda cita o peso que se tornou ter tantas responsabilidades e depois fala da sensação de decepção por parte dos que eperavam de você dedicação.

 

Reparou de onde vem o mal ? Expectativas mais expectativas que, somadas, promoviam em você uma cobrança interior que terminou por tirar a alegria das coisas.

 

Construa seu próprio caminho sem culpa, entendendo que felizes aqueles que tem coragem de virar o leme e seguir seu coração. É isso o que você deve fazer.

 

Só cuidado para não misturar fé nessa história.

 

Sim, porque certamente Deus não coloca nenhuma expectativa sobre você e nem fica chateado porque deixou de ir a igreja ou se envolver em trabalhos eclesiasticos. Como disse em outro e-mail postado aqui, igreja não é tijolo, pedra, cimento e predio com registro em cartório, mas está em você.

 

Trabalho eclesiastico, não é necessariamente promover uma instituição, cantar no louvor ou cuidar da escola, mas é viver com integridade, cuidando uns dos outros e dando sabor ao contexto que está, seja ele qual for.

 

É simples.

 

Seja você, ouça seu coração e sobretudo não se culpe.

 

Tem horas que precisamos seguir nossos próprios caminhos e, se no começo parece difícil, com paciência e bom senso perceberemos que as coisas são assim mesmo e que essa só é a primeira vez que você parte.