Mundo moderno, melhore- com Chico Anysio

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E-MAIL: “Novo Flavio? Fale sobre você.”

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Sempre fui seu ouvinte e agora tenho conhecido um novo Flavio atraves do seu blog…mais espiritualizado, abrangente….é isso mesmo ?

De repente você já era assim e como ouvintes não tinhamos como saber mas tenho gostado desse novo Flavio.

Eu lembro da sua voz em uma rádio evangélica, você é evangélico ?

Essa pergunta é porque gostaria de saber um pouco mais de onde vem suas inspirações porque vejo que você escreve todos os dias aqui.

Conte um pouco da sua história!

Pode me responder pelo blog ?

Muito obrigado e continue nesse caminho que está show !!!

 

 

Resposta:

 

Gostei do seu e-mail, obrigado !

 

Comecei no rádio em 1991 aos dezesseis anos. Naquela época a musica Gospel aparecia como símbolo de rompimento de uma atmosfera religiosa cheia de rituais e preconceitos.

 

Para mim aquilo representava a possibilidade de uma viagem onde, através da música, seria possivel avançar em direção a uma condição de abrandamento religioso em favor da espontaneidade, graça e corações verdadeiros.

 

Eu não queria ser locutor famoso e sequer imaginava o quanto minha carreira decolaria; eu só queria ser útil.

 

Foi assim que comecei na Imprensa Gospel, que naquela época, despertou um gigantesco movimento de abertura principalmente entre as igrejas evangelicas.

 

Só que, ainda naquela fase, percebi sinais de mudança onde liberdade começava a virar “grife” e uns prevaleciam sobre os outros.

 

Foi se cristalizando uma condição de poder, dinheiro, intrigas e situações que não eram parecidas com as que inicialmente me motivaram.

 

Não quero citar nomes ou entrar em detalhes mas vi o suficiente para entender que aquele lugar não era para mim e, se quisesse manter a espontaneidade de alma, tinha que ir embora já que, percebia em muitos, mecanismos de cauterização da consciência onde se justificava o injustificável.

 

Minha ruptura com essa processo não se deu só no ambito profissional e foi muito desgastante.

 

Enquanto meus antigos amigos se afastavam, recebia inumeras cartas de ouvintes dizendo coisas do tipo “ você falava coisas tão bonitas e de repente se “desviou”, “quer dizer que era tudo por dinheiro?” “você só queria um tampolim profissional”.

 

Para quem não está acostumado com o vocabulário religioso, “desviado” é todo aquele que por qualquer motivo deixa o grupo e prefere caminhar com as próprias pernas.

 

Como sempre tinha sido, decidi que minha consciência não estava a venda e, mesmo tendo que pagar um preço alto, mais do que todo o reconhecimento e grana que teria se permanecesse, era preciso seguir adiante e me manter coerente com o que sempre procurei ser: honesto comigo mesmo.

 

O começo foi mais difícil porque para preservar as instituições as pessoas tendem a isolar e ver com maus olhos os que vão embora em nítido movimento de auto defesa. Até entre alguns parentes vivenciei isso.

 

Mas toda essa experiência que aqui está resumidíssima, ajudou a forjar em mim o Flavio que você diz estar gostando de conhecer.

 

Você pergunta se sou evangélico: Não sou.

 

Não me enquadraria de maneira alguma a uma instituição religiosa, seja ela qual for.

 

Acho que o evangelho a gente guarda no coração e isso tem implicações na vida , afinal, somos aquilo que cremos.

 

Não acredito nas religiões como meios de propagação do evangelho ou de qualquer outra mensagem, porque, de fato, isso só acontece entre humanos, no caminho e tendo o dia a dia como pano de fundo, de modo que , de fato, igreja sou eu e você.

 

Para mim o conceito de espiritualidade deve ser algo presente na consciência de cada um, fazendo com que eu nunca consiga desvincular aquilo que sou daquilo que faço.

 

Por isso que o blog tinha que ser assim.

 

Não consigo fazer nada que não seja parecido comigo e, mesmo em todas as rádios em que trabalhei, coloquei muito de mim em tudo.

 

Depois de tanto tempo de experiência , escolhi mudar de ambiente, saindo de São Paulo, vindo para Porto Alegre porque tenho sentido claramente que é tempo de transformação.

 

Sei que a exposição que me permito aqui nem sempre faz bem a “imagem” mas, posso te confessar uma coisa ? Faz tempo que deixei essa preocupação pra lá.

 

Acho que o nascimento do meu filho em 2003 reforçou o sentimento de que, de fato, só vale o que plantamos no coração das pessoas e nada se compara ao que semeia o bem.

 

Foi por isso que comecei no rádio e é isso que me move.

 

Esse blog cresceu muito em quatro meses e dia desses tive a alegria de ler nas estatíticas do wordpress que estamos entre os seis que mais crescem.

 

O que virá depois eu não sei.

 

Mas como nunca me arrependi de colocar o coração em  nada, sei que dessa vez não será diferente.

 

Procuro caminhar olhando para o dia chamado hoje e, o que será amanhã, não cabe  mim.

 

Enquanto isso, é bom saber que encontro você pela jornada.