Quando o humor era bom.

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Não é só musicalmente que temos memória curta.

Nossa cultura é cheia de grandes expoentes em todas as areas e, na minha opinião, um dos humoristas mais inteligentes do nosso país está cada vez mais esquecido a medida em que gente sem “Tom” tenta ser engraçada.

Chico Anysio tinha piadas de duplo sentido sim, mas não abria mão da crítica a comportamento e política.

Sempre com muita graça vale a pena relembrarmos um dos seus grandes clássicos : o inesquecivel Alberto Roberto.

Nesses videos ele entrevista os cantores Paulo Ricardo e Agnaldo Timóteo.

Em tempo de tons, bancos e zorras resta uma enorme saudade.

Divirta-se:

Entrevista com Paulo Ricardo:

Entrevista com Agnaldo Timoteo:

Para o dia ficar melhor.

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Triste quando nos encerramos em nosso próprio tempo e acreditamos que tudo o que é, sempre foi, e que antes, nada existiu.

Culturalmente vivemos um pouco disso.

A necessidade do lucro aliado ao fato de que as grandes massas tendem a gostar do que é perecível, fazem com que grandes expoentes da nossa cultura sejam esquecidos.

Pior quando isso mexe com o signficado que tem apreciar uma boa música, ler um bom livro, ver um bom filme.

Não que tudo que seja novo seja ruim. Claro que não !

Mas discernir o valor das coisas, passa pelo reconhecimento do que o passado nos trouxe.

Preste atenção nesse vídeo, nos acordes, expressões e sons de um belo retrato daquilo que, com toda a simplicidade, demonstra que o talento está acima de toda a pirotecnia e descartabilidade de parte das músicas de sucesso.

É relaxar, voltar no tempo e viajar ao som de Cartola ao lado de seu velho pai:

E-MAIL:” Fale sobre o ateismo”

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“Flavio, leio muito seu site, gosto do jeito simples que vc escreve coisas complexas e por isso mandei esse e-mail para falar sobre ateismo.

Pelo que você escreve fica fácil sacar que a linha é teísta.

Respeito a crença de todos mas não sei como as pessoas conseguem conciliar a crença em deus com esse mundo fétido, ainda mais as que amam a vida.

Desde que me entendo por gente ouço as estorinhas de ceu e inferno, adao e eva, juizo final enquanto em nome de deus acontecem guerras.

Sempre que tentam me convencer do contrario fazem ameaças veladas como que eu tivesse que fingir ser um cristão para fugir do tal inferno…. E não adianta dizer que não é porque vão dizer o que ? que aquele povo todo que vive falando de deus acredita mesmo em tudo que diz ?

Se todos tem direito de acreditarem no que quiserem tbm outros tem direito de não acreditarem.

Se deus existisse não existiria maldade. Se fosse como dizem, não existiria doenças e guerras. O mundo é esse caos todo e ainda temos que acreditar nele senão ele nos pune ? Ainda que seja assim prefiro minha incredulidade honesta do que esse monte de asneiras com medo da tal “salvação”.

Desculpe o desabafo e continuo lendo seu site.”

 

 

Resposta :

 

Aqui no blog tem um artigo com o título “fé” ( abaixo o link) que fala um pouco mais sobre esse tema.

 

No entanto, queria destacar que concordo quando diz: “prefiro minha incredulidade honesta do que esse monte de asneiras com medo da tal “salvação”.”

 

Até porque qualquer tipo de crença baseada no medo, não é crença, é fuga, seja a crença teista ou ateista.

 

Há muito tempo Deus viou uma marca.

 

Quando Nitschie anunciava a “morte de Deus”, talvez não tivesse percebido que, desde antes, ele já virara um simbolo de poder e dominio.

 

Em nome de Deus travou-se ( e ainda trava-se) guerras sangrentas, criou-se pavores coletivos que começa no medo do inferno e termina na negação da nossa própria essencia e perda da individualidade.

 

Formou-se um estado de inconsciente coletivo onde, em nome de Deus, muitos obedecem a poucos permitindo um ambiente onde roubo em todos os níveis é permitidio.

 

Instituições amontoam bens e mandam e desmandam na consciencia alheia impondo-lhes penitencias, ritos, pagamentos, para que se sintam aliviados do medo que eles proprios lhes incutem.

 

Sim, porque o medo é o combustivel desse ambiente.

 

Quanto mais amedrontados estiverem, mais devotos e mais obedientes.

 

E tudo isso em nome de Deus.

 

Além disso todas as injustiças mundiais, pestes, doenças e a sensação de que o inferno é aqui, diante da velada ameaça : cuidado, se você questionar pode sofrer eternamente.

 

Melhor ser ateu.

 

Mas, agora pense comigo, e se tudo o que a gente fala sobre Deus, na verdade fossem projeções pessoais e coletivas que afunilam em um simbolo que proporciona controle?

 

Digo isso porque acredito que muito do que se fala e faz em “nome de Deus” na verdade é fruto de uma imagem construida e mantida em nome do poder.

 

Apesar disso, não sou ateu. Não sou assim como você não demonstrou ser e, sinceramente, pessoalmente nunca vi ou ouvi um.

 

Você só pensa como pensa, porque ouve uma voz aí dentro, mais conhecida como “consciência”.

 

Quando ela não está adormecida, situações como a que nós dois relatamos incomodam a ponto de não conseguirmos tapa-las com areia.

 

Aí cutucamos, remexemos e, dependendo de que ponto do caminho você estiver, descambará para um dos polos.

 

Em um polo simplesmente melhor dizer : Não compactuo com isso e quero excercer o direito de ficar na minha, não crer em nada e ser ateu.

 

No outro você prefere lidar diretamente com as questões e entende-las melhor.

 

O que eu entendi é :

 

– A nomeclatura “Deus” não quer dizer nada. São só as letras D- E- U– S e só. Portanto, usar essas letras antes ou depois de qualquer frase não quer dizer absolutamente nada. Isso reforça a consciência que, para falar “em nome de Deus”, palavras não tem efeito e sim atitude e isso tem a ver com amor.

 

– Não existe humano que, de um jeito ou de outro, não alimente certa expectativa pelo eterno e o desejo pelo que transcende.

Isso me reforça a sensação de que Deus ( ou como queira chamar) vive em nós e se relaciona individualmente com cada um, desconstruindo o conceito que temos sobre “igreja”. Para mim “igreja” como conhecemos não passa de uma das possibilidades de excercemos vida comunitária e terapeutica, porque, de fato, templo não é tijolo, cimento e registro em cartório mas sou eu e você. Se Ele mora em nós, porque devo chamar um prédio de “casa de Deus” ?

 

– Deus é bom.

Só quando você começa a lidar com essa questão é que percebe o quanto está moldado culturalmente para acreditar o contrário. Desde cedo somos ameaçados que “Deus não gosta disso” de forma que fica quase impossivel crescermos sem a sensação de que Ele é vingativo, vaidoso e mal.

É assim que pensa a sociedade e assim que agem as igrejas a medida em que colocam como condição de relacionamento homemXDeus punições, ritos, sacramentos, dogmas, condições sejam quais forem boas ou  más, quando de fato acredito que nada podemos fazer.

É como digo sempre para o meu filho : Não existe nada que você faça que pode me fazer deixar de amar, assimo como não há nada que me faça te amar mais. O amor é e pronto. E como é difícil acreditar nisso na prática !

 

– Lidamos com nossas próprias escolhas.

Dizer que não acredita em Deus porque o mundo vai mal é o mesmo de dizer que, se tudo der certo a responsabilidade é toda dele.

Vivemos no mundo das possibilidades e , se quisermos, temos vários caminhos a seguir. A escolha de cada um demanda suas próprias consequências, sejam elas boas ou ruins e isso gera efeitos individuais e coletivos. Existem sindromes e doenças atuais que não passam do resultado de escolhas erradas que fizemos ao longo de gerações. Argumentar que “Se Deus fosse bom o mundo seria bom” esconde um pensamento simplista e paternalista onde o homem tenta se eximir de sua própria responsabilidade.

 

– Religioso é aquele que justifica seu ateismo por discordar de dogmas impostos por sacerdotes. É como assumir que acredita tanto no que dizem, que não existe a possibilidade de que Deus não seja nada daquilo. Melhor ser ateu do que tentar desvenda-lo.

 

Quanto mais complicamos as coisas mais distantes ficamos.

 

Até porque, aqui entre nós, não vejo muita diferença em me declarar “ateu” ou “religioso”. Acredito que nos dois casos estaria me encerrando em rótulos e, a partir de então, me fechando para crescer, evoluir e, quem sabe, mudar.

 

Somos seres em movimento assim com a vida não para. Independente de nossas crenças temos dúvidas, anseios e angústias e isso nunca terminará.

 

Pacificar a mente é entendermos que  duvidar não faz mal e que nem sempre precisamos acolher as explicações que nos dão como verdades absolutas.

 

Deixa que o tempo fale e não tenha medo de pensar.

 

A capacidade de reavaliar nossos conceitos e submete-los a consciência é que nos torna melhores e fazem com que grandes questões existenciais se transformem em pequenas dúvidas sem muita importância.

 

Diante dos dilemas da vida, o mais importante é saber que, no fim das contas, tudo converge para o bem, desde que seja essa nossa vontade.

 

Se entendermos que muitas vezes o mal tem cara de bem e o bem pode trazer mal, desconstruimos um mundo inteiro de medos e fantasmas.

 

Deus é bom. E, pessoalmente, tudo o que me faça pensar ao contrário não passa de nomeclatura de um símbolo criado pelo homem e usado para gerar angustia e medo.

 

Para mim, basta saber que Ele é bom e o resto se explica com naturalidade, paciência e sabedoria.

 

Obrigado pelo e-mail e, se der, veja o video abaixo:

 

 

Link artigo fé : https://flaviosiqueira.wordpress.com/2008/08/22/fe/

Mande seu e-mail : flaviosiqueira@rocketmail.com