Obamamania.

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Quem lê o blog, provavelmente sabe que, na minha opinião, a eleição de Barack Obama representa um avanço em questões raciais.

É um alívio ver a era Bush terminar depois de dois sangrentos, conturbados e confusos mandadatos- para dizer o mínimo.248610834_22802eaddc1

No entanto, confesso que começo a me incomodar com a “Obamamania”.

Por mais que o novo presidente americano tenha ótimas credenciais, me preocupo com a imagem que começa a se construir para o homem mais poderoso do planeta.

Se Bush foi capaz de criar um Osama, o Obama vem – obviamente em outro polo- ungido pelo pós trauma de uma era desastrosa.

É só uma sensação, mas confesso que todas as vezes que vejo um homem ganhar super poderes e acreditar que os merece fico preocupado.

O mundo precisa que ele faça um excelente mandato porque, mais um Bush, teria consequências desastrosas, no entanto, Obama tem se revelado um personagem misterioso.

Surgem nos EUA revelações sobre sua biografia, datas incompativeis, histórias que não se encaixam.

É hora de expectativas esperançosas e muita torcida, assim espero.

Mas, conhecendo um pouco da natureza humana e levando em consideração os poderes que o novo presidente terá, fica aqui um chamado a reflexão e uma questão: Será que não estamos exagerando na dose ?

O tempo dirá.

Saindo da caverna.

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Engraçado como nos condicionamos a sermos iguais.

Parece que estamos sempre em busca de respaldo intelectual para validar anseios, sentimentos, teses…

Aliás, as pessoas tem buscado validar suas crenças em tudo que tenha, ao menos, aparência de confiável.

É o domínio da media.

Se a maioria diz ser assim, então deve ser- pensam muitos.

E assim caminhamos sem saber porque ou muito menos para onde.

Enquanto alguns buscam, a partir de sua própria consciência, a possibilidade de melhorar seu ambiente, outros insistem em se alimentar de “celebridades”, e bobeiras do tipo.

Perdoe-me se exagero, mas ás vezes sinto que vivemos em uma sociedade quase que absolutamente desprovida de razão.

Somos facilmente levados pelo vento e acreditamos em quase tudo o que nos dizem.

É mais fácil se deixar levar.

O incomodo é menor para aqueles que tem a religião, gostos, preferências, diversão e perspectivas da media, mas, diante disso , quem é você ?

Se escolhe fazer parte da media, andar com as multidões e deixar que pensem por você, é só seguir o fluxo.

Caso contrário esteja aberto a questionamentos, não tema contrariedades e comece por aceitar a si mesmo.

Nesse caso o caminho é íngreme, nem sempre fácil, mas posso garantir que nada se compara a colocar a cabeça para fora da caverna e perceber que existe vida lá fora.

Quando você entende que é sempre uma questão de percepção, a vida faz sentido, tudo passa a ter graça e seu coração se enche de gratidão.

Ás vezes começa com a intenção, que leva para a ideia, talvez o desconforto, e a incapacidade de ficar parado.

Vivemos em uma caverna onde alguns dizem que não vale a pena sair. Uns ameaçam, outros ridicularizam mas, quem sai, encontra vida.

Afinal de contas, é conhecendo a verdade que, de fato, seremos libertos.

Pense nisso.

De Vinicus de Morais

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Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai apaixonado – a insensatez de um coração constantemente apaixonado.


E porque te fiz com o meu sêmen homem entre os homens, e te quisera para sempre escravo do dever de zelar por esse alqueire, não porque seja meu, mas porque foi plantado com os frutos da minha mais dolorosa poesia.


Da mesma forma que eu, muitas noite, me debrucei sobre o teu berço e verti sobre teu pequenino corpo adormecido as minhas mais indefesas lágrimas de amor, e pedi a todas as divindades que cravassem na minha carne as farpas feitas para a tua.


E porque vivemos tanto tempo juntos e tanto tempo separados, e o que o convívio criou nunca a ausência pôde destruir.


Assim como eu creio em ti porque nasceste do amor e cresceste no âmago de mim como uma árvore dentro de outra, e te alimentaste de minhas vísceras, e ao te fazeres homem rompeste meu alburno e estiraste os braços para um futuro em que acreditei acima de tudo.


E sendo que reconheço nos teus pés os pés do menino que eu fui um dia, em frente ao mar; e na aspereza de tuas plantas as grandes pedras que grimpei e os altos troncos que subi; em tuas palmas as queimaduras do Infinito que procurei como um louco tocar.


Porque tua barba vem da minha barba, e o teu sexo do meu sexo, e há em ti a semente da morte criada por minha vida.


E minha vida, mais que ser um templo, é uma caverna interminável, em cujo recesso esconde-se um tesouro que me foi legado por meu pai, mas cujo esconderijo eu nunca encontrei, e cuja descoberta ora te peço.


Como as amplas estradas da mocidade se transformaram nestas estreitas veredas da madureza, e o Sol que se põe atrás de mim alonga a minha sombra como uma seta em direção ao tenebroso Norte.


E a Morte me espera em algum lugar oculta, e eu não quero ter medo de ir ao seu inesperado encontro.


Por isso que eu chorei tantas lágrimas para que não precisasse chorar, sem saber que criava um mar de pranto em cujos vórtices te haverias também de perder.


E amordacei minha boca para que não gritasses e ceguei meus olhos para que não visses; e quanto mais amordaçado, mais gritavas; e quanto mais cego, mais vias.


Porque a poesia foi para mim uma mulher cruel em cujos braços me abandonei sem remissão, sem sequer pedir perdão a todas as mulheres que por ela abandonei.


E assim como sei que toda a minha vida foi uma luta para que ninguém tivesse mais que lutar:


Assim é o canto que te quero cantar, Pedro meu filho…