Obama e Hamilton- As coisas estão mudando.

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Apesar de não levantar nenhuma bandeira racial, a eleição de Barack Obama como primeiro presidente negro dos Estados Unidos representa uma grande conquista.

Se pensarmos que há pouco mais de cem anos ele poderia ser escravo e há cinquenta deveria ceder seu lugar no ônibus á um branco, Obama chega a presidencia da nação mais rica do planeta com uma série de desfios que vão de questões ambientais, culturais, economicas, passando pelo combate ao terroristo, retirada das tropas do Iraque, diálogo com Irã, embargos econômicos, bio combustiveis…

Coincidentemente, sua eleição aconteceu na mesma semana em que o mundo testemunhou a merecida conquista do título mundial de Lewis Hamilton, o primeiro homem negro campeão de Fórmula 1. 2565919432_065e369d491

Muito mais por Obama, mas também um pouquinho por Hamilton, esperanças são renovadas no sentido de que estamos no caminho certo.

Ainda que o preconceito esteja presente nos embates do dia a dia, parece que nos aproximamos de uma condição onde  a cor da pele deixa de ser referência de qualquer coisa, afinal, hoje o homem mais poderoso do mundo é negro.

É claro que, se a cor da pele não tira méritos, também não é suficiente para embasar expectativas otimistas, de qualquer forma, como cidadãos do mundo, temos nesses episódios motivos para nos alegrarmos, afinal de contas, ainda que não chegamos ao nível de consciência ideal, nessa semana nos aproximamos um pouquinho mais do planeta onde, finalmente, seremos todos iguais.

Parabéns aos dois e boa sorte á todos nós.

Ciência e fé- a partir de uma narrativa reencarnacionista.

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“Swarnalata nasceu na índia e começou a ter recordações de outras vidas aos 3 anos, quando, em uma viagem a uma cidade próxima, pediu subitamente ao motorista que seguisse “pora aquela rua” que a levaria á “minha casa”. Por vários anos ela relatou coisas e eventos de sua vida anterior como uma menina chamada Biya Pathak, descrevendo sua casa e o carro da família.” –A física da alma- Amit Goswami pg95

Experiências como a relatada impressionam.

Como alguém pode descrever locais, pessoas, circunstâncias que aconteceram há séculos, muitas vezes em idiomas desconhecidos, sem que tivesse acesso ao que relatam ?

Além disso, são relativamente frequêntes descrições de experiências de regressão hipnótica onde o individuo supostamente se vê em outros ambientes como se fizesse parte dele.

Diante da incontestabilidade do fenômeno é natural que queriamos explicações e aí entra a reencarnação, afinal de contas, ninguém seria capaz de descrever contextos do passado tão detalhadamente se, de fato, não estivesse lá, certo ?

É o que pensamos. No entanto, a questão é : O fato de alguém descrever um evento passado sem que estivesse presente físicamente se encerra na explicação da reencarnação ?

Se hoje sabemos da existência de um inconsciente coletivo, onde informações são armazenadas na psiquê dos indivíduos a partir do acesso a uma espécie de mídia comum, se cada vez mais entende-se que a mente não se encerra na caixa craniana e interage com o mundo, inclusive no colhimento de informações intuitivas, se nossa disponibilidade mental é capaz de produzir pulsões energéticas que podem perfeitamente serem captadas inclusive através de emulações da realidade, se ainda estamos discutindo a possibilidade de realidades paralelas e se podemos ou não interagir com elas, se ainda não sabemos o quanto nossas experiências físicas ficam impressas na realidade transitória, permitindo acesso ao passado ou futuro através do conceito da relatividade e a partir de captação mental, porque devemos encerrar as explicações referentes as experiências de narrativas de outras vidas- seja em hipnose ou em casos como o relatado acima- única e exclusivamente como ” a prova científica da reencarnação” ?

Ora, apesar dos fenômenos, estamos distantes do conhecimento necessário para que as explicações posteriores não esbarrem em possibilidades, especulações ou conceitos pessoais baseados na fé.

Se é fé, não há o que se argumentar.

No entanto, se a tentativa é de revestir a fé com discurso científico, então só descarte as outras possibilidades se puder exclui-las com explicações adequadas.

Entenda que não tenho aqui a menor pretenção de negar ou provar a teoria reencarnacionista.

Não se trata disso.

A intenção é lembrar , não só aos reencarnacionistas, mas a todos os que buscam na ciência a validação de sua fé, afinal de contas, muitas vezes após conclusões pessoais a partir de um fenômeno real, cria-se embates que, no fim das contas, descamba para o invevitável: “minha religião é cientifica.”

Esqueça isso.

Por mais que ciência e fé não sejam necessáriamente excludentes, uma não existe como meio de validar a outra, até porque partem de referenciais antagonicos : Uma crê sem a necessidade de ver. Crê porque crê. A outra só crê quando vê, testa, experimenta, comprova, repete e explica.

Fé é expressão intuitiva da alma.

Ciência é a certeza comprovada em estudos e laboratórios, de modo que, quando vira ciência, deixou de ser fé.

Vivemos em um mundo cheio de possibilidades onde nosso conhecimento é tão raso que julgamos “sobrenatural” tudo o que transcende nossa ciência.

Chegará o dia em que tudo será natural e, sem nenhum tipo de frenesi pseudo teo-cientifico, entenderemos que é só questão de percepção.

A consciência se expande a medida em que reconheço que cada fenômeno não passa de uma possibilidade no sentido de que eu entenda que a vida é muito mais do que decretamos a partir de nossas limitadas referências baseadas em tempo e espaço.

Não é porque determinados fenômenos podem ser comprovados, que podemos , a partir disso, darmos a eles as explicações que julgamos mais adequadas e taxá-las de “cientificas”.

Uma coisa é o fenômeno, outra a explicação.

E o problema é que, a partir de tais explicações, alimenta-se uma grande industria religiosa/esoterica, onde pessoas são levadas a acreditarem que “está tudo provado”.

Cada um acredita no que bem entender e ninguém tem o direito de questionar, mas que seja ou por fé ou por ciência.

É com sabedoria e discernimento que um dia conheceremos as explicações, quando possivelmente sem graça, concluiremos: e eu pensava que sabia…