No planeta das ilusões. Desabafo…

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Permita-me um desabafo ?

Acabei de ouvir no rádio a notícia de que o Itaú – que ontem anunciou fusão com o Unibanco- anunciou lucro de janeiro a setembro de 5 bilhões, 900 milhões de reais.

Achou o valor grande ? Talvez os diretores do banco não, já que ele representa queda de 8% em comparação ao mesmo periodo do ano passado.

Ouvi e vim correndo escrever ainda sob impacto que essas informações produzem em mim.

Bancos são necessários, lucro é fruto de trabalho bem feito, mas, sinceramente, não consigo conceber que qualquer instituição acumule soma nessa dimensão.

A dor no estômago aumenta a medida em que todos encaram com absurda naturalidade que o dinheiro esteja tão mau distribuido.

Enquanto tem gente morrendo de fome, morando na rua, sem remedios, educação, saneamento… pouquissimos concentram tamanha riqueza.

Não discuto se é lícito, se uns trabalharam para isso e outros não, se é merecimento; não é isso. A questão é que construimos uma sociedade onde disparidades como essas são aceitas com impensável naturalidade.

Cinco bilhões, novecentos milhões de reais ! Tem idéia do que é isso ?

Criamos um sistema que depende de bancos e isso justifica e avaliza um enriquecimento paradoxal a medida em que, no mundo, milhões ainda passam fome.

Não são só os bancos.

 O Vaticano que prega o amor, paz e ajuda aos necessitados, possue uma estrutura bilhonária com terrenos, emissoras de comunicação, escolas, faculdades(pagas), e tentáculos nos governos de grandes países, acumulando muito mais dinheiro do que o Itaú.

No Brasil igrejas compram canais de televisão e investem milhões com dinheiro de fiéis, pastores arrendam horários inteiros em rede nacional para “pregar o amor’.

É por isso que aceitamos coisas como essas.

É por isso que 80% da população é feliz com o presidente que tem, simplesmente porque “hoje o Brasil melhorou” .

Melhorou porque ?

Porque é possivel comprar um carro em 60 vezes pagando, no fim das contas, o valor de tres carros ?

Porque as pessoas abrem crediário até para comprar uma meia, fazendo com que lojas de varejo, roupa, supermercado virem bancos com juros altíssimos ?

Porque as pessoas se endividam pagando “pequenas parecelas” que depois consumirá todo o pequeno orçamento que não aumenta nunca enquanto os deputados ganham o que ganham ?

Porque escandalos de corrupção são chamados de “perseguição da mídia” e os corruptos renunciam e depois se reelegem ?

Porque o PAC, anunciado com grande estardalhaço só foi implementado em 9% do previsto e o presidente se diz satisfeito ?

Porque famílias são sustentadas com uma bolsa família enquanto penam para arrumar trabalho ou colocar os filhos na escola?

Porque a renda continua sendo mau distribuida sem o menor sinal de mudança ?

A crise de valores que aceita condições como essa não é exclusiva do Brasil a medida em que o mundo enfrenta uma crise, fruto de sua própria ganância e irresponsabilidade.

Comecei falando do lucro do Itaú mas, acho que isso simboliza um pouco do que fizemos do planeta que aceita a fome e a miséria como algo natural, diante de instituições que, cada vez mais ricas, pingam gotinhas de caridade enquanto destoem no povo o sentimento de que o sol deveria brilhar para todos.

Continuamos vivendo no planeta das ilusões.

Desculpe o tom, mas não encontro outro para isso.

Eleições americanas.

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Depois de dois desatrosos mandatos de George W Bush, ficou mais do que claro para o mundo que o poder americano não é suficiente para manter nenhuma hegemonia.

Não dá mais para presidente nenhum fazer o que bem entender em nome da liberdade, democracia ou o que quer que seja, travando guerras que ninguém acredita.

No caso da guerra do Iraque, Bush peitou a ONU, falsificou evidencias que justificariam a invasão e, diga-se de passagem, beneficiou-se do atentado de 11 de setembro a medida em que criou um símbolo que validaria todas as suas ações autoritárias e descabidas que viriam a seguir. 1189615_us_obama_250_178

Sem um Bin Laden, não invadiria Iraque, Afeganistão, enforcaria Sadam Hussein e adotaria inumeras medidas sempre lembrando da necessária “guerra anti terror”.

Foi com terror que se reelegeu.

Em sua última campanha contra o senador John Kerry, o presidente americano se beneficia dos atentados contra torres gêmeas quando colocou uma nação em pânico, enfatizando que estavam sob ataque e, em tom messiânico apresentando-se como o salvador.

Dois mandatos depois, vemos um presidente enfraquecido e desmoralizado, possivelmente não elegendo outro republicano e uma nação em crise.

É nesse cenário que os americanos irão decidir hoje quem ocupará o cargo mais influente do mundo.

Barack Obama aparece a frente de Jhon Mc Cain, mas diante do confuso sistema eleitoral americano, fica dificil até fazer prognósticos.

image_39368983O fato é que hoje o mundo prende a respiração e espera de que o povo dos EUA não precisem aparecer de novo depois das eleições, segurando cartazes escritos “sorry” em videos da internet.(veja o video abaixo)

   Muito mais do que um presidente “guerreiro” ou “religioso”, o mundo espera alguém aberto ao diálogo e consciênte que o mundo não é o mesmo. 

Não é mais possivel uma nação simplesmente se impor sobre o resto do mundo. É necessário uma grande discussão em torno do aclamado “america way of life” e do quanto isso tem impactado negativamente, não só a própria economia domestica, mas a de todo o mundo.

Sobretudo esperamos consciência.

Que os anos Bush tenham servido de aprendizado para que de fato trabalhemos por dias melhores.