Por outros jardins.

Padrão

Minha última coluna no tudoradio.com

Faz tempo que tenho comentado aqui sobre novas possibilidades de mídia.
Quem acompanha minhas colunas, sabe que, quase sempre, insisto na necessidade de reciclagem profissional, em repensarmos o jeito que fazemos comunicação e a obrigatoriedade em nos adaptarmos ao tempo onde cada um pode ter seu próprio jornal, rádio, tv…só que na web.
Desde meus primeiros textos, primeiro no Planeta e, depois no Tudo Rádio, insisto que não é questão de tendência: Se as plataformas estão mudando, inevitavelmente mudará o conteúdo.
Puxo a orelha de gente que pensa que isso é bobagem, respondo e-mails de profissionais e apaixonados pelo rádio e outros veículos sobre o assunto, quando sou convidado a palestras ou bate papo em universidades vou,e as conversas sempre caem no mesmo ponto: o rádio como conhecemos hoje vai acabar ?
Diante disso e, antes de entrar propriamente no assunto, é importante que você sabia que, a não ser em pequenas doses, nunca tinha tido a oportunidade de sair de casa. Andar por outros jardins, ver as paisagens a partir de outros ângulos, repensar minhas escolhas a partir de outras referências, era algo que eu só conhecia por livros, estudo e muita observação, da janela, em direção ao movimento do outro lado.
Posto isso, há quatro meses, ainda que sem a intenção, saí de casa e atravessei o portão.
Inicialmente eu só iria regar umas plantinhas lá no jardim, mas enquanto regava pensei: porque não plantar umas sementes também?
Plantei e rapidamente começaram a crescer.
O crescimento inesperado, demandou de mim atenção, energia, cuidado e, quando me dei conta, já via as coisas do outro lado do portão.
Há quatro meses inaugurei um blog para dar satisfação a tantos ouvintes que me escreveram quando saí da Band. A idéia era contar que eu estava me mudando para Porto Alegre e, eventualmente, postar as novidades em terras gaúchas.
Acontece que rapidamente o tráfego aumentou. Com o aumento, eu escrevia mais e, escrevendo mais, comecei a notar na prática que agora eu tinha um canal próprio de comunicação.
Um blog é um canal de comunicação ? O que isso tem a ver com o rádio ?
É comunicação sim e, não só com o rádio, mas para todos que se comunicam por vocação é importante perceber o quanto um blog, site, radio web, um video no youtube…podem ser importantes ferramentas de comunicação, além de importantes canais agregadores de conteúdo para a própria mídia convencional.
Com o blog no ar vi que poderia, não só colocar textos mas, vídeos. Já que dá pra colocar vídeos, virei uma espécie de “Juruna” moderno aqui de Porto Alegre a medida que só saio de casa com minha câmera e, sempre que vejo ou penso em algo legal, gravo, edito e ponho no blog.
Aí, com liberdade, fui me obrigando a romper com fronteiras internas que no dia a dia somos levados a criar e comecei a falar sobre tudo, só que a partir de outra perspectiva: vendo as coisas de outro jeito.
De repente já tenho milhares de pessoas lendo os textos, vendo os vídeos e, sem perceber, ainda que segmentado,um canal próprio de comunicação.
Continuo no rádio e, em poucos dias, novidades aqui pelo Tudo Rádio, mas hoje queria que você pensasse nessa minha experiência.
Talvez, olhando pela janela, você até perceba o movimento da rua, mas, ponha o pé no jardim.
Se perceber que dá pra ir adiante, atravesse a rua, molhe as plantas, de repente plante uma semente, observe o jardim dos outros, veja a vida a partir de outra perspectiva e acrescente ao que já conhece, tudo o que irá aprender.
Cada vez menos seremos profissionais do rádio ou da tv, do jornal, do que quer que seja. Sobreviveremos como profissionais de comunicação que sabem o que dizem e, independente da mídia, entendem que, mais do que a forma, comunicar tem a ver com o conteúdo.
Antigamente o principal conselho para um radialista iniciante era: ouça muito rádio. Hoje acho que o conselho deve ser: Ouça muito rádio e busque conhecimento em tudo o que comunica.
Ou você acha que é só coincidência que profissionais de outros veículos tem ganhado tanto espaço no rádio ?
Quer ser relevante ? Não quer perder o “bonde” e ficar obsoleto ?
Mais do que nunca as ferramentas estão nas suas mãos. Veja quais são as suas e siga adiante.
A partir de agora, mais do que um profissional de rádio, considere-se um profissional da comunicação.
Acredito que você ainda tem muito a dizer.
Vá em frente !

O descaso dos bancos.

Padrão

Apesar da crise mundial, os bancos ainda são as instituições que mais lucram.

Especialmente no Brasil, onde as taxas de juros são estratosféricas, ano após ano são recordes de faturamento a custa de, entre outras coisas, tarifas mais tarifas.

Apesar de todo o volume de dinheiro que movimentam, com raríssimas excessões, dificilmente vemos preocupação das instuições em atender bem quem vai á agência.

Como geralemente faço tudo pela internet, dicilmente tenho que ir mas, dia desses, tive que enfrentar uma fila no Santander da Av Bento Gonçalves em Porto Alegre.

Escolhi um horário onde teoricamente as agências estão mais vazias e, quando cheguei na área de atendimento, me deparei com aproximadamente quinze pessoas na fila, um caixa atendendo e dois fechados sendo que um deles era o preferencial.

Na fila, três ou quatro idosos e uma gestante pacientemente esperando.

Não me contive e fui falar com a atendente perguntando se o caixa preferencial não iria abrir, já que naquele momento idosos e gestante estavam na fila normal. Os bancos são obrigados a providenciarem atendimento diferenciado a eles.

Como quem não quisesse perder tempo comigo, ela foi logo tratando de me dispensar : “Segunda mesa a esquerda, fale com o gerente”.

Fui falar com o gerente que estava em atendimento. Olhei ao redor e todos estavam atendendo.

Esperei até que o gerente livrasse e, quando livrou, fui falar com ele :

– Não sei se você viu, mas sua agência está trabalhando com um caixa aberto e, enquanto a fila tem idosos e gestante ,nenhum caixa preferencial.

– Estamos com problemas de pessoal- ele se limitou a responder.

– Mas acredito que seus clientes não tem a ver com isso, quanto mais que os bancos são obrigados a providenciar atendimento diferenciado a quem necessita.

– É que o resto do pessoal está em horário de almoço.

– Mas vocês não planejam uma escala para que os clientes não sejam penalizados ? perguntei

Irritado ele olha para o sub gerente na mesa a frente e diz:

– “Fulano” , só tem a “fulana” no caixa.

– Estou indo pra lá ! Terminando aqui já vou.

Desisti de esperar e fui para o caixa eletrônico.

Se entre os quinze da fila eu não fosse o único a reclamar, provavelmente situações como essa não se repetiriam com tanta frequência.

O problema é que nos acostumamos com o mal atendimento e a falta de respeito e achamos que simplesmente não adianta reclamar.

Quando todos cumprem seu papel e não permitem que seus direitos sejam desrespeitados, a sociedade ganham por inteiro.

É questão de bom senso.

Um real por um sonho.

Padrão

Um amigo recebeu de outro amigo um e-mail que repasso a você.

Quem me conhece sabe que sou totalmente contrario a correntes de todos os tipos mas, se temos aqui uma oportunidade de ajudar, porque não ?

Eis a mensagem:


“Antes de pensar na imensa quantidade de pessoas que visitam o teu site, pensei em dar a você mesmo a oportunidade de participar comigo numa campanha maravilhosa que meu amigo, e colega de trabalho por quase sete anos, Carlos Edmar Pereira, está fazendo em favor da única filha dele, Clara, que nasceu com Paralisia Cerebral.
 
Após o impacto inicial de receber a notícia que a primeira e tão aguardada filha nascera com uma doença incurável; e que o Governo Brasileiro não podia oferecer nada a Clara, meu amigo Carlos Edmar Pereira honrou o apelido carinhoso com o qual era tratado na empresa: “Carlos Online”. Claro, Carlos ganhou esse sobrenome por suas qualidades cybernéticas e pela grande capacidade de pesquisa.
 
Usando esse dom, Carlos fez uma extensa pesquisa sobre a Paralisia Cerebral e descobriu que existe possibilidade de cura, através do uso de células tronco, na China. De posse de todos os dados disponíveis, Carlos pôs no ar um site super informativo (http://www.umrealporumsonho.com.br/
) com muitos casos de pessoas que foram curadas usando o tratamento com células tronco (http://www.umrealporumsonho.com.br/othercases.html) e com um pedido de ajuda muito simples: UM REAL POR UM SONHO.
 
Sim, o pedido do Carlos é para que todos os que puderem o ajudem com UM REAL para que ele possa levar Clara para a China, pois lá esse tratamento já existe e custa cerca de quarenta mil dólares.
 
Tenho vários motivos para me engajar nessa campanha do UM REAL POR UM SONHO.
 
1. O primeiro deles é a minha amizade e admiração pelo Carlos. 
 
2. Não tenho dúvidas que ele faria o mesmo por uma filha minha que tivesse o mesmo problema que tem a Clara.
 
3. Carlos fez e faz tudo que está ao alcance dele. O que não está, ele e a esposa entregam aos cuidados de Deus e dos amigos, conhecidos e anônimos.
 
4. Se a Clara conseguir a cura, isso pode significar esperança para muitas outras crianças que nascem ou nascerão com o mesmo problema.
 
5. Sei muito bem o que é ter um parente próximo com um problema de saúde desses, pois tenho uma prima (mais velha que eu) que sofre de algo parecido. Veja o vídeo feito por um rede de TV da Paraíba com meu tio e minha prima em
http://www.youtube.com/watch?v=UuEU1CE2fB4
 
6. O tratamento a que Clara se submeterá é feito com células tronco extraídas do cordão umbilical de recém nascidos. Esse material, normalmente é jogado lixo após o nascimento. Portanto, não se trata de células tronco extraídas de embriões ou bebês abortados. Mesmo que fosse células tronco de embriões eu apoiaria, pois creio que seria uma forma de transformar em vida aquilo onde muitos só enxergam morte.
 
7. A forma simples, transparente, direta e fácil que o Carlos montou o site para receber doações (
http://www.umrealporumsonho.com.br/donate.html) permitindo um acompanhamento semanal da campanha, através de um jornalzinho (http://www.umrealporumsonho.com.br/news17092008.html) e de um gráfico de arrecadação.
 
8. Para mim, o amor de Pais e Mães por seus filhos é a melhor ilustração, em carne e osso, do amor de Deus por nós. Afinal, só mentes muito mesquinhas podem imaginar que Aquele que inventou Pais e Mães ama menos do que Suas (de Deus) criaturas são capazes de amar.
 
Achei que a melhor forma de ajudar nessa campanha, além de contribuir financeiramente, seria escrever uma mensagem pessoal a cada uma das pessoas da minha agenda de contatos. Nada de só copiar e colar ou encaminhar, pois eu mesmo recebi e deletei várias mensagens sobre a campanha da Clara, pensando tratar-se de spam. Por isso, estou conclamando os meus amigos (as) a fazerem o mesmo. Juntos, podemos fazer uma grande diferença na vida de Clara.
 
Claro que as circunstâncias são diferentes pra você, haja vista a enorme quantidade de pessoas que visitam o teu site, todos os dias, e lêem o que você escreve. Caso você também tenha decidido se engajar nessa campanha, penso que poderíamos adicionar mais um canal ao teu site. Algo do tipo: VAMOS AJUDAR CLARA. Lá, teríamos os links para o site da campanha e a publicação semanal do jornalzinho, além de possibilitar aos seus leitores acompanhar todo o desenrolar desse drama real.
 
Bom, meu amigo, por enquanto é só. Fico aqui no aguardo de sua opinião.
 
Um beijão saudoso.
 
Bento Souto

Sobre o amor e a lei.

Padrão

Muitas vezes nossos atos mais eloquentes não passam da antítese de pulsões interiores, de modo que o maior corrupto que conheço, é o maior legalista a quem fui apresentado um dia.

 

Moralismo adoece a alma.

 

Não me refiro a comportamentos reconhecidamente abertos de gente que fala e assusta os puritanos, mas aos que, puritanos na aparência, abrigam na alma monstros inconfessáveis.

 

Ou não são nas rodas de respeito entre senhores acima de qualquer suspeita que se flagram pedófilos ? Será que aquela senhora com dedo em riste, olhando para a vida de todos, medindo a saia da vizinha, gostaria que seus pensamentos virassem filme ? Você ainda se surpreende com lideres religiosos controladores e moralistas pegos com a boca na butija ?

 

Quanto mais faço questão de ostentar aos outros meus meritos, saiba, maior a distância entre o que digo e o que, no íntimo, vivo. Se minha postura na vida é de juíz, rápido no gatilho, pronto para expedir sentenças aos falhos, contraditórios, dúbios, errantes e perdidos, agradecendo a Deus porque “não sou como esses”, estarei confessando minhas piores intenções justamente na ambíguidade entre meu discurso e o que de fato sou.

 

Aquele que anda em busca de reconhecimento, pensando que por sua própria elevação e seu grande poder de superioridade existencial, esta acima do pequenino, será menor do que aquele que só caminha olhando para o chão, sem coragem para levantar a cabeça.

 

Moralismo adoece a alma.

 

Antes de jogar a primeira pedra, olhe para o seu coração. Se pensa que está acima dos pequenos, examine sua consciência.

 

Que cada um cuide de si mesmo e das suas intenções, lembrando que você nunca sabe o que se passa dentro do outro.

 

Lembre-se que encontramos forças quando reconhecemos nossa fraqueza e todo o poder começa quando você se esvazia daquilo que lhe dá sensação de grandeza.

 

É só o amor que nos leva por esse caminho e nos imprime a consciência no coração, sabendo que para essas coisas, não existe lei.

Quando a tragédia chega.

Padrão

E quando a tragédia chega ?

 

Desde de que a menina Eloá, morta nesse fim de semana depois do sequestro de Santo André, fico com a imagem do pai dela saindo de maca ainda no começo das negociações, totalmente estafado e perdido.

 

Não tenho a menor idéia de como eles estão agora e do que tem feito para suportar tamanha dor.

 

Para os que assistiram a tudo, sofreram e depois mudaram de canal, foi só mais uma história triste dos dias atuais, mas e para quem mergulha em águas tão escuras e profundas ?

 

Do carma á maldição, explicações não faltam.

 

Tem os que acreditam que é fatalismo, questão de estatística e poderia ser com qualquer um. Já ouvi explicações de que uma possivel injustiça que as vítimas teriam cometido em supostas encarnações, justificaria os males atuais. Ou aqueles que dizem que é a mão de Deus pesando.

 

Em todas as explicações vejo crueldade porque, de fato, ninguém pode determinar a razão das tragédias.

 

Por mais que todos estamos expostos a ela, não sabemos o que faz com que o pai de Eloá esteja dopado agora enquanto eu me preparo para buscar meu filho , todo feliz e cheio de histórias para contar, lá na escola.

 

Qualquer explicação soará simplista e cruel.

 

No entanto, diante da tragédia me lembro de algumas coisas:

 

Me lembro da sensação do inexplicável, de que não somos só carne e sangue. Lembro que uma das maiores sensações que tive depois que meu filho nasceu, foi a de que alí começava uma vida que nunca iria terminar.

 

Não consigo encerrar tudo o que somos na matéria, sem dimensionar o fato de que não sabemos todas as coisas.

 

Me recuso a limitar a existência nos meus conceitos de tempo e espaço.

 

Sempre que a tragédia recai e, no primeiro momento pode derrubar a qualquer um, depois, com o tempo, nossa capacidade de reação é ativada.

 

O start pode ser uma imensa vontade de dar sentido ao ocorrido, em buscar explicações, em saber que não foi por acaso. Nosso movimento em busca de razões, geralmente nos possibilita percebermos novos cenários a medida em que relativizamos o que antes davamos importância demais.

 

Senso de sobrevivencia, diriam alguns. Pode ser.

 

Nem todos saem em busca de sentido. Outros preferem se aquietar e deixar que as feridas se curem. As marcas permanecerão, mas, com o tempo, serão aplacadas.

 

Se olharmos para a vida sem nos condicionarmos ao que podemos tocar, perceberemos que na tragédia não existe matemática.

 

Cada caso é um caso e cada um seguirá pelo próprio caminho de maneira absolutamente peculiar.

 

Assim é a vida. Aqueles que esperam linearidade nos acontecimentos se decepcionarão porque, de fato, todos estamos expostos ao mal.

 

O que nos diferencia é a capacidade de lidarmos com ele e isso muda tudo a medida em que antes que virassem dor,o bem ou  o mal aconteceram dentro de nós.

 

Por mais doloridas e brutais que sejam, temos a capacidade de, depois do choro, da sensação de perda, da vontade de jogar tudo para o alto, das noites insones, da depressão e da angústia, olharmos para tudo o que aconteceu e, pasme, encontrar sentido.

 

É sentido que só diz respeito a quem o encontra e, por mais que desejemos abrir mão daquilo para voltar ao passado, não podemos dizer ao certo como seria se não fosse como foi.

 

São as combinações da vida que,no fim das contas se conectam as possibilidades das tragédias. Torçamos para que nunca nenhuma recaia sobre nós .

 

Mas se um dia recair, depois da dor, lembremos que em nós existe a capacidade da reconstrução. Que depois do choro, é possivel seguir em frente. Que nossos valores mudarão e que sempre poderemos melhorar. Depois da tragédia tendemos a não querer mais nada, a perdermos o sentido mas, uma hora vem a brisa, a sensação de que internamente tem algo novo que, contraditóriamente nasceu da dor.

 

Tudo isso é um jeito que você encontrou para não ser pego pela tragédia e se prefere acreditar assim, que assim seja. Talvez seja isso que você me diria.

 

Pode ser. Como disse antes, não tenho explicações para a tragédia.

 

A única coisa que sei é que, estranhamente, todos carregamos no coração a capacidade de lidarmos com ela e, por pior que seja, sairmos melhores.

 

Se é assim, melhor acreditar que no dia mal não estarei sozinho e mesmo com as luzes apagadas, encontrarei o caminho a seguir