Sequestro de Santo André: Quando os mundos se chocam.

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Ainda sobre o caso do sequestro em Santo André, o hospital onde a menina Eloá, baleada na cabeça e virilha, acaba de anunciar sua morte cerebral.

O que leva um rapaz de 22 anos, trabalhador, sem histórico de crimes ou violência a agir desse jeito ?

Sem me deter nesse caso, quero usar esse exemplo para destacar alguns aspetcos.

Um deles é que nunca imaginamos o que acontece dentro do outro. Em cada ser humano vive um mundo próprio, de forma que, ao tentar desvendá-lo baseados em nossas próprias referencias de certo ou errado,nos enganaremos.

Se, em cada um de nós vive um mundo, corremos o risco de esquecer-nos que nossos mundos coexistem com o mundo do próximo. Essa convivencia torna-se conflituosa a medida em que acredito que tenho o direito de dominar o outro.

Em menor ou maior grau, como vimos no sequestro dessa semana, sinto-me no direito de terminar com o outro mundo só porque ele contrariou ao meu.

Exatamente como acontece nas guerras entre países.

Nas conversas que o sequestrador teve com a polícia e a imprensa,  jusificava sua atitude argumentando que, se a ex namorada recusava-se a conversar, demonstrava o quanto era egoista, logo lhe dava o direito de se vingar.

Simples, lógico,justo…para ele.

Se minhas referências de julgamento são baseadas unicamente nas minhas próprias leis, corro o risco de cometer atrocidades.

Todos temos em nossa natureza o contraditório, a coexistencia da capacidade de praticar o bem e o mal ao mesmo tempo; somos ambiguos.

No entanto nossa ambiguidade arrefece a medida em que entendo que meu mundo só se completa se eu souber conviver em paz, aprender na caminhada, respeitar as diferenças no mundo do outro, lembrando que, isolado em meus próprios valores serei cada vez mais ambiguo e egocentrico.

O caso de Santo André representou um extremo, mas, infelizmente, no dia a dia é possivel observar atitudes de sobrepujamento de ideias, culturas ou vontades. Um mundo engolindo o outro, sem saber que, ao fazê-lo, entrou na fila para que o próximo seja o seu.

O desafio é coexistir em paz. Aceitar o não, aprender a crescer na contradição.

Na próxima vez que olhar um “semelhante”, lembre-se que dentro dele vive um outro mundo e que entende-lo requer constantes exercicios de tolerância, humildade e sabedoria.

Afinal de contas, se souber conviver pacificamente mesmo quando é contrariado, aprendendo também nos conflitos, suas fronteiras desaparecerão, haverá mais horizontes, seu mundo será bem melhor.

Pense nisso.

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