Reveja “Eu sou” (video)

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Vale rever:

Entrevista com Marcelo Braga.

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Tenho escrito muito aqui no blog e minhas colunas no Tudo Radio sobre a revolução na comunicação.

Sobre isso, li nessa semana uma entrevista sensacional dada pelo Marcelo Braga, diretor superintendente da rede Mix de rádio e TV, para o Blog do Lampadinha.

Para todos os que gostam de comunicação, vale a pena:

BL. Como eu disse Marcelo, hoje em dia está cheio de gente de saco cheio de rádio, mas ninguém para de ouvir música e nem rádio, seja no micro, no carro ou no seu player de mp3. Sabendo que a música não para de ser consumida, o que o rádio tradicional esta fazendo pra não perder a guerra contra a internet e os Ipods?

MB. O rádio, como a TV tradicional, os cds, os dvds, nada mais são do que MEIOS (daí o nome, “mídia”). Cada um desses suportes organiza uma informação, seja ela uma expressão de arte, jornalismo, esporte e etc, e entrega para quem a consome. Assim foi, historicamente. Ocorre que o consumidor desses “produtos” (posso chamar assim?) têm acesso a esta produção por outros canais que não existiam há pouco tempo. Sendo objetivo, esses meios vêm perdendo sua função (o cd já perdeu!), e aqueles que se recusarem a enxergar isso terão problemas no curto/médio prazos.

O rádio tem uma questão adicional que fará acelerar esse processo. A mídia de massa conforme conhecemos, também está condenada, mas por outra razão. O consumidor não quer mais que alguém decida por ele, o que, quando e como alguma informação deve ser consumida. É a era dos filtros pessoais! Quer um exemplo? No ano passado, na média, a TV Globo (quer exemplo melhor?) perdeu quase 30% de sua audiência média. Alguém dirá “mas foi por causa da TV Record”. Ok, a Record cresceu cerca de 7% no mesmo período, logo, para onde foram esses consumidores?? Acabaram? Morreram? Claro que não, apenas mudaram seus hábitos de consumo. TVs a cabo, TIVOs e internet são a explicação óbvia. E esse problema também acontece no rádio, com os Ipods e a Internet (sempre ela). A facilidade de acesso à produção musical, fez com que nunca tenha se consumido tanta música na história da humanidade. O que parou de vender foi o suporte, a mídia, o plástico, o cd! E quem se negar a enxergar isso, ou pior, achar que tudo será como sempre foi (direitos autorais, por exemplo), vai morrer de fome logo, logo.

O resultado é a pasteurização. Fica tudo parecido, as receitas se repetem, a cópia é mais fácil do que a criação.

BL. Mas então o que a rádio MIX tem feito pra não perder o time e esses ouvintes para a internet?

MB. O caminho é estar presente onde o consumidor está, e do jeito certo. A Mix está na Internet, sendo vista e consumida pelo público da Internet, do jeito da Internet. Não há outra forma. A Mix também está na TV, por exemplo, com a MIXTV Jovem. Naquele veículo temos linguagem de TV, timing de TV e tratamento de TV, por isso temos ótima audiência. Passamos de 2 ou 3 pontos de audiência todos os dias, mas a marca MIX é a mesma!!!! A Rádio Mix já é “MIX”, e não só “rádio” Mix. Não temos só ouvintes, temos consumidores.     

BL. Você concorda que hoje em dia a criatividade no rádio anda em baixa?

MB. Não diria que a criatividade anda em baixa. Digo que a competição por um universo de consumidores e anunciantes cada vez menor, é o que torna tudo mais complicado. As emissoras são negócios, e devem dar lucro, resultado. Com o movimento provocado pelos tópicos da primeira resposta, as emissoras precisam ficar cada vez mais classe “C” (as classes A e B se deslocam para Ipods e Internet…), cada vez mais reativas, ao invés de propositivas (não tocam o que acreditam, mas aquilo que o público sinaliza que quer ouvir), e mais ajustes terão de acontecer nos próximos anos, apenas para retardar o inevitável: nosso negócio mudou (não disse acabou). O resultado é a pasteurização. Fica tudo parecido, as receitas se repetem, a cópia é mais fácil do que a criação. Não digo que não é possível ser criativo e competitivo, mas copiar envolve menos riscos ao seu emprego. O resultado é esse que se ouve. Pena.

BL. Então você concorda com as pessoas que dizem que as rádios repetem sempre as mesmas músicas e que não há uma atualização constante em  seus playlists?

MB. Sem dúvida. É isso mesmo que acontece. Hoje até aumenta a competitividade das emissoras, mas certamente acelera o desgaste do meio, na forma que conhecemos hoje. Como emissoras musicais, nossa matéria prima está à venda nas lojas (e à disposição nas redes P2P na Internet). Já pensou se a novela Duas Caras estivesse à venda para qualquer canal que quisesse comprá-la e exibi-la? A TV estaria igual. É a evolução. Ou involução?

BL. Caraca é mesmo! Você falou que a cópia é mais fácil que a criação, pois é, as rádios copiam tanto umas as outras que copiam até quando uma rádio diz que é primeiro lugar, pô, ai já é demais né?!

MB. A pobreza do Rádio não é apenas financeira. A pobreza moral é ainda mais acentuada, infelizmente. Como o ouvinte médio não tem como checar, instala-se o vale-tudo. Sobre a Mix, posso assegurar que nossos dados são fornecidos pelo Ibope. Aliás, sempre que alguém disser “primeiro lugar”, sem citar a fonte, é mentira. E é o que acontece nas demais emissoras. Como informação, a MIX foi a única Rádio Jovem líder GERAL de audiência, segundo o Ibope, nos últimos QUINZE ANOS na grande São Paulo. Quanto à liderança no segmento de atuação (Jovem, claro), nos últimos 7 anos, a MIX liderou CINCO (!), é a atual líder, e só perdeu por 23 meses para a Jovem Pan, quando o Pânico na TV virou um fenômeno. E só. Qualquer coisa diferente disso, é conversa fiada e falta de vergonha na cara, o que só empobrece o nosso já pobre meio.

BL. Putz, entendi, agora falando um pouco de tecnologia no rádio. A digitalização do rádio finalmente está chegando ao Brasil, digo rádio digital mesmo, não rádios que tocam mp3 e dizem que são digitais por isso. Como a rádio MIX está se preparando para essa nova fase do rádio?

MB. Pessoalmente sou cético quanto à solução dos problemas do Rádio pela digitalização. Eles são maiores do que isso. Esse processo de digitalização já começou nos EUA, um mercado maduro e de referência, faz muito tempo, e nada aconteceu (assim como a digitalização da TV). Tudo muito legal, tudo muito bonito, mas faltou combinar com o consumidor. Existem problemas técnicos no Rádio digital, ainda sem solução, como o “synch” dos dois sinais (digital e analógico), por exemplo. A MIX é a emissora mais importante do maior mercado, e uma referência nacional, por sua Rede de emissoras, e estamos atentos ao processo e torcendo por ele. Quando for do interesse do nosso consumidor, estaremos prontos, antes, não.

BL. Na TV o synch até hoje não está resolvido, se você estiver assistindo a Globo pela SKY e o seu vizinho a Globo pela antena normal, o gol na casa dele sai antes do que na sua, totalmente broxante.

MB. E no rádio é muito pior, porque no momento em que o sinal digital enfraquece, o sintonizador vira para o sinal analógico (adiantado), e quando o sinal digital melhora outra vez, volta para a recepção digital, bem atrasada!!!! Uma loucura, você não consegue ouvir nada…. nem uma coisa e nem outra. 

BL. E mesmo que se resolva essa problema do synch, ainda tem a história do valor do decoder, porque não adianta nada ter o Rádio digital todo bonitão se o decoder custar quinhentos reais, o povão não vai comprar.

MB. Pois é. Existem outras facilidades prometidas pelo Rádio Digital, como por exemplo, tornar o AM um sinal de muito mais qualidade, comparavável ao FM de hoje. Legal, mas vai convencer ao consumidor que o AM, depois de anos de queda de audiência, relevância e faturamento, agora é legal outra vez!! Aí, se você conseguir convencer, é só convencer o cara a comprar um receptor de AM digital!! Viu, que fácil? Como eu disse antes, os problemas do rádio são muito maiores do que isto, mas quem souber ver e entender, vai superá-los com tranquilidade.

O Rádio vai perder para a Internet, e ponto final.

BL. Então você acha que o futuro pertence ao rádio digital ou a internet vai dominar geral, ou seja, o rádio perdeu pra internet?

MB. O Rádio vai perder para a Internet, e ponto final. Nosso negócio terá de se reinventar. A Embratel prevê um investimento de mais de 2 bilhões de reais nos próximos dois anos, para implantação do WIMAX no Brasil. Em São Paulo (capital) devemos ter o sistema operando em um ano e meio, segundo a Embratel. Já imaginou o que isso significa para o meio rádio? Sintonizadores de rádio pela Internet instalados em carros!! O mesmo para devices portáteis como players e celulares!!! Ao invés das 40 emissoras de FM em SP, como opção, você terá dezenas de milhares de opções, fora as emissoras customizadas…. E os celulares com recepção móvel de TV? Imagine as pessoas vendo a novela dentro do metrô, no celular, ao invés de ouvir rádio. É, esse negócio vai mudar, e sobreviverão as marcas estabelecidas. O resto…

BL. Putz, você me surpreendeu com essa resposta, juro que eu pensei que você tivesse uma outra na manga pra essa pergunta! E como o rádio vai se reinventar então?

MB. O rádio sempre foi, como eu disse, uma forma de distribuição de conteúdo (de toda espécie). O que vai acontecer é que o conteúdo será distribuído por outros canais, outros meios, e o rádio terá de se reinventar, mais uma vez, como aconteceu com o surgimento da TV. Só que desta vez as mudanças serão muito mais profundas. O quadro não me parece simples… pergunte aos executivos de gravadoras de discos e eles vão te dizer o tamanho da encrenca. Daqui a uns dois anos, pergunte aos executivos dos estúdios de cinema, e por aí vai.

BL. O interessante é que mesmo com esse futuro a frente a rede MIX de rádio não para de crescer, qual é o tamanho dela hoje e o que a difere das outras redes?

MB. A Rede Mix, em número de ouvintes, é a maior do Brasil. São 23 emissoras em todo o Brasil. Somos líderes em São Paulo, fora nossa presença de ponta no segmento jovem, em praças como Rio de  Janeiro, por exemplo. Rede focada no Jovem, com a velocidade do Jovem, com a linguagem do Jovem, e padrão em todo o Brasil. Vá a Manaus ou Brasília, e a emissora Mix que você vai ouvir, é a mesma!!! A Rede da Transamérica, como exemplo, tem vários “formatos”. Em alguns lugares ela é jovem, em outros é popular, em outros é de outro jeito…. Imagine a Coca-Cola sabor laranja em SP, sabor uva no Rio, sabor pão de queijo em Belo Horizonte… uma beleza, não? Aqui na Rede Mix, não. Somos como a TV Globo. Viaje, procure a Mix, e siga ouvindo a rádio que fala com você, do seu jeito… e do mesmo jeito sempre.

BL. As rádios sempre tocam umas versões alternativas das músicas dos seus playlists, e eu percebi que você é o cara que mais pede versões alternativas das músicas que tocam na Rede MIX, e com raras exceções, sempre acaba sobrando para as músicas nacionais. Pergunto isso porque dificilmente se altera uma versão gringa. Vamos pegar o Fall Out boy por exemplo, se a nova música dos caras é uma porrada e vem com guitarra pra caramba, toca assim mesmo. Então você não acha que as músicas nacionais deveriam tocar em sua versão original como as músicas gringas?

E por vezes, deixamos de tocar uma música só porque não se enquadra na expectativa de nosso público, e o novo single do Fall Out Boy é um destes casos…

MB. Na verdade, nós não pedimos versões diferentes para os artistas e gravadoras. Normalmente nós mesmos fazemos os ajustes que julgamos interessantes. Quero ressaltar que isso tem duas funções. A primeira delas é deixar a MIX sempre diferente da concorrência (para melhor), e a segunda e ajustar as músicas para que melhor atendam aos interesses do nosso público, e ninguém conhece o nosso público melhor do que nós mesmos. Não queremos mudar o trabalho de ninguém, tampouco pós-produzir o material dos artistas, apenas queremos entregar o melhor ao nosso público, na opinião do público. Vale lembrar que nenhuma música “remixada” pela (ou para a) MIX é veiculada sem o “de acordo” prévio do artista e da gravadora.

Sobre as músicas internacionais, nós mexemos também!! Dentro dos recursos que nos são disponibilizados. Em alguns casos recebemos o material “aberto” do exterior. Caso contrário, mexemos com a ajuda de remixes, acapellas e outras possibilidades. E por vezes, deixamos de tocar uma música só porque não se enquadra na expectativa de nosso público, e o novo single do Fall Out Boy é um destes casos……

BL. Hummmm saquei, agora falando um pouco do Marcelo Braga, diferente de muitos engravatados que dirigem rádios por aí, você coloca a mão na massa mesmo, e além locutor você é DJ, e já faz tempo. Como que você consegue lidar com isso e mais as reuniões do dia-a-dia?

MB. Estabelecendo prioridades. Faço reuniões com Depto. Financeiro, mas gravo chamadas. Fecho negócios com empresas e parceiros, mas ouço as músicas que vamos tocar na Mix. Uma parte é o prazer, a outra é a obrigação, mas ambos são importantes, logo, faço tudo com enorme satisfação, desde a reunião com o Jurídico até a reunião com a Produção da Mix. E esse envolvimento em todas as áreas (desde sempre), facilita a minha tomada de decisões. É sempre mais fácil deliberar quando você sabe do que está falando. E não perder contato com seu consumidor é determinante para o sucesso do projeto, por isso, sempre estou nos eventos e shows da Mix e toco como DJ nas baladas por todo o País. Vejo nosso público, falo com ele, meço suas reações, e depois aplico no dia-a-dia. Mas cansa muito, acredite….rs 

BL. Pra terminar então, porque a galera do Blog tem que ouvir a rádio MIX?

MB. Proponho que os leitores do Blog ouçam a Mix e depois ouçam as nossas concorrentes. Comparem o nível de qualidade, o padrão de nossos apresentadores(as), nosso nível de produção, linguagem, afinidade com seus gostos, e depois respondam, cada um deles, a essa pergunta. Cada um terá seu motivo, mas certamente todos terão a Mix como preferência. É o que o Ibope tem dito nos últimos 8 anos!!!! E os que não ouvem, sejam bem-vindos!!!!

Por trás de um sorriso.

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Por Chris Gialluca

Queria ter o poder de ler pensamentos! Não. Queria ter o poder de ler intenções. Queria poder ler olhares e expressões lá na fonte… Lá onde eles nascem. Queria saber o que vai na mente de quem me sorri. Talvez eu descobrisse quanto um sorriso pode ser traiçoeiro… Talvez eu nem mais quisesse sorrir. Talvez, até preferisse o choro ao riso, como diz o Pregador.
Mas, se eu conseguisse saber o que há por trás de cada expressão, onde ficaria o segredo da vida? Onde eu acharia a magia do primeiro olhar? E o jogo de esconder e revelar tão bonito e fascinante?
Se eu tivesse o poder de ler pensamentos e intenções, nada me estaria escondido, e os maus pensamentos e as más intenções desfilariam na minha frente como pessoas bem arrumadas! Se eu pudesse conhecer intenções, eu conheceria todas as pessoas. Talvez, as minhas intenções se tornassem más.
Se eu pudesse ler pensamentos e intenções, acharia que poderia ser como Deus. Talvez até me sentisse Deus…
Pensando melhor, agradeço a Deus só pela intuição, e pela incapacidade de enxergar além dos olhos de alguém. Agradeço a Deus porque existem segredos escondidos para mim e mistérios que não posso desvendar.
Só peço a Ele que guarde os bons das intenções dos maus. Que me guarde do olhar que mata, da mente que pensa o mal, mas não deixa a língua dizer…
Porque, se Deus que conhece todas as coisas me proteger, eu não preciso saber. Só preciso que Ele me esconda. Eu só preciso que Ele saiba por mim.

Sequestro em Santo André: espetáculo do horror.

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Após cem horas, a polícia entrou no apartamento onde o ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22, mantinha a ex-namorada e a amiga dela, ambas de 15 anos, reféns, e o saldo foi trágico: as duas reféns baleadas e uma delas com poucas chances de sobreviver.

O caso, recheado de peculiaridades como a entrega de uma ex refém de volta ao cativeiro feita pela própria polícia, a dificuldade em acertar uma linha de negociação,informações desencontradas e, mais uma vez, parte da imprensa espetacularizando as tragédias.

Pouco se falou nisso, mas em uma das inumeras entrevistas que deu, o sequestrador disse estar se sentindo como uma “vedete”. Ele se comparava as celebridades que alcançam fama imediata.

Se todos buscam seus minutos de fama, o rapaz parece ter percebido que, enquanto mantivesse aquele circo, permaneceria diante das cameras e dentro dos lares dos brasileiros.

Esse caso me lembrou alguns filmes como “O quarto poder” com John Travolta e Dustin Hoffman e “Um dia de cão” com Al Pacino. Nos dois casos, levados por inusitados motivos, cidadãos desesperados sequestram e, diante da exposição, se empolgam com seus atos.

Alguém se lembra do caso Isabella Nardoni que, por incontáveis dias monotematizou jornais, movimentou reporteres, agregou gente fantasiada e sorridente com cartazes em frente as delegacias ou casas de acusados diante de reporteres e vendedores de pipoca, um verdadeiro espetáculo do horror ? Que fim levou?

Essa exposição é capaz de mexer com nossas fantasias e alimentar uma de nossas caracteristicas mais perigosas: a vaidade.

Lindemberg, que era considerado pacato pelos amigos e ciumento pelas amigas da namorada,poderia perfeitamente se assemelhar a muitos jovens que cruzamos, tanto na periferia, quanto nos bairros de classe média.

Trabalhava, tinha amigos, jogava futebol e, de repente, surtou.

Como agir ? A resposta não é simples mas o fato é que , disputar entrevistas, fazer histórico da vida, colocar parentes e amigos no ar, alugar apartamentos na redondeza para posicionar cameras, não ajuda em nada a não ser em satisfazer nossa mórbida curiosidade o que, por sua vez, rende audiência e dinheiro para as TVS.

Parece que o argumento de que o circo é armado em nome da “informação”, justifica a espetacularização da tragédia.

O país acompanhava esse caso, não porque fosse único ou pior do que tantas outras tragédias que estão acontecendo nesse momento, mas como forma de, em mais um “reality show”, aguardar pelo desfecho na expectativa de saber se no fim a mocinha morre.

A preocupação é tanta, que dois ou três dias depois ninguém mais lembra de nada e seguimos em direção a próxima novela da vida real, assim como foi no caso Isabella.

Criam comoção, reforçam o tom da tragédia, carregam as narrativas, hipnotizam o público que, sedento por uma pseudo justiça, grudam em frente a televisão enquanto esperam pelo próximo capítulo.

Gostamos disso, alimentamos essa industria que transforma um sequestrador em celebridade.

Compramos o que nos vendem e acreditamos no que nos dizem, entre outras coisas, que vale qualquer coisa pelos minutos de fama.

Se a tragédia não virasse show, situações como a dessa semana ainda aconteceriam, mas, talvez em muitos casos o resultado seria diferente, afinal de contas, quando a luz vermelha das cameras acendem, ninguém preve como será a reação de quem aparece, além da pressão adicional em quem está responsável pelas negociações.

 O fato é que, com raríssimas e honradas excessões, jornalismo virou show e, se no fim das contas o que vale é o dinheiro, que venham as tragédias.

Somos todos cúmplices.

Nos preocupamos com a vida da menina da mesma maneira que torcemos para a mocinha da novela.

Para nós, real é o que aparece na tv e só enquanto está na tela. Depois do tiroteio, tragédia e morte entram os comerciais.

Hora de prestar atenção, afinal de contas, vem aí as ofertas do supermercado e rações para cachorro.

E não perca ! Depois das imagens do sequestro em ângulos exclusivos, mais uma edição de sua novela preferida.

Até a próxima tragédia show.