A lição final.

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Por quanto tempo você viverá?

Horas, dias, mêses, anos? Quase ninguém tem a resposta, com excessão daqueles que, de um jeito ou de outro, recebem uma sentença determinando que, a partir daquele momento, seus dias estão na contagem final.

Estranho nos arrepiarmos com essa possibilidade diante do fato de que, na prática, todos estamos na contagem regressiva. É só questão de tempo: um dia não estaremos mais aqui.

De qualquer maneira, receber a notícia de que sua vida terminará em poucos mêses enquanto você goza de juventude, disposição, planos e uma bela família, abalaria a qualquer um.

Rany Pausch, professor de ciências da computação da Universidade Carnegie Mellon também se abalou, mas reagiu e não deixou que o abalo esmagasse a possibilidade de viver seus últimos mêses com alegria, perto da família. Em sua última palestra fez questão de falar de vida, de como lidaria de maneira prática e corajosa com uma sentença de morte sabendo que, tendo forças, fortaleceria seus filhos e esposa.

No último post eu falava sobre mudar a frequência para ouvir os sons da vida.

Mesmo diante de uma sentença de morte podemos encontrar sentido.

É sempre uma qestão de escolha.

Confira um trecho do livro – A Lição Final -Randy Pausch com Jeffrey Zaslow: 

“Estou enfrentando um problema de planejamento.

Embora em geral eu esteja em excelente forma física, tenho dez tumores no fígado e me restam apenas alguns meses de vida.

Sou pai de três crianças e sou casado com a mulher dos meus sonhos. Seria cômodo ficar me lamentando, mas isso não faria bem a eles nem a mim.

Então, como viver esse meu tempo tão limitado?

O óbvio é ficar com minha família e cuidar dela. Enquanto posso, estou com eles todos os instantes e tomo as providências logísticas necessárias para lhes facilitar o caminho na vida sem mim.

O menos óbvio é como ensinar a meus filhos o que eu lhes ensinaria nos próximos vinte anos. Agora eles são jovens demais para essas conversas. Todos nós, pais, desejamos ensinar os filhos a distinguirem o certo do errado, o que consideramos importante e como lidar com os desafios que a vida lhes trará. Também queremos que conheçam histórias de nossas vidas, uma maneira de ensinar-lhes a lidar com suas próprias vidas. Meu desejo de fazer isso me levou a ministrar uma “palestra de despedida” na Carnegie Mellon University.

Essas aulas costumam ser filmadas. Naquele dia eu sabia o que estava fazendo. A pretexto de promover uma palestra acadêmica, tentei me colocar dentro de uma garrafa que um dia aportasse à praia, para meus filhos. Se eu fosse pintor, teria pintado para eles. Se fosse músico, teria composto uma música. Mas, como sou professor, dei uma aula.

Falei da alegria de viver e de quanto eu apreciava a vida mesmo me restando tão pouco tempo. Discorri sobre honestidade, integridade, gratidão e outras coisas que estimo. E me esforcei ao máximo para não ser enfadonho.

Para mim, este livro é um meio de continuar o que iniciei naquele palco. Como o tempo é precioso e pretendo passar a maior parte dele com meus filhos, pedi ajuda a Jeffrey Zaslow. Todos os dias passeio de bicicleta pela vizinhança, um exercício fundamental para minha saúde. Durante 53 desses longos passeios de bicicleta, falei com Jeff pelo fone de ouvido do meu celular. Depois ele passou horas a fio ajudando a transformar minhas histórias suponho que poderíamos denominá-las 53 “aulas” –neste livro.

Desde o início sabíamos que nada substitui um pai vivo. Mas planejar não significa obter soluções perfeitas; significa fazer o melhor possível com recursos limitados. Tanto a palestra de despedida como este livro representam minhas tentativas para fazer exatamente isso. ”

No dia vinte e cinco de julho desse ano, Randy voltou para a casa deixando mulher, filhos e a lição de que é possível dar sentido e fazer com que tudo trabalhe para o bem: mesmo uma sentença de morte.

“Não podemos trocar as cartas que recebemos, apenas jogar com elas” Randy Pausch.

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