Algema ou redenção ?

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Se eu tocar no que para mim é sujo, certamente me sujarei.

Se entrar onde me assombro, de um jeito ou de outro verei fantasmas pra tudo o que é lado.

O que te parece intolerável, pode ser aceitável para mim, de modo que se não andarmos conforme nossa consciência, seremos guiados por ventos e assombrações.

Aqueles que precisam de leis se agarrarão a elas, sem saber que a lei existe como condutor- moldado ao tempo em que vivo- em direção a consciência.

Se eu fizer meu caminho sob a ameaça dos fantasmas do meu inconsciente, acreditando que o objeto, o lugar ou ambiente tem poderes inerentes para o bem ou para o mal, serei escravo da lei que, através de ritos e fórmulas promete me impermeabilizar.

Da simples proteção contra o mal olhado as complexas mudanças essenciais em busca do poder, seguimos, conforme acreditamos, em rota de fuga daquilo que, teoricamente, nos assombra.

Se o objeto maldito for só um objeto para você, não tenha medo de tocar, porque ele só será um objeto. Se você se impressiona com lugares sagrados e recorre a eles em busca da paz, saiba que o sagrado vive em você e lugares, são só lugares.

Para o bem ou para o mal, o que nos atormenta ou refrigera vive no coração.

Aquele que anda em consciência, sabe que , não das montanhas, do céu ou do inferno, mas é dentro de nós que está a janela que , aberta, deixa a luz entrar ao passo que fechada, mantém tudo na escuridão.

Não é fora, mas dentro de você que convive ao mesmo tempo sua algema e sua redenção.

Talvez seja hora de olhar para dentro , encarar seus monstros e se libertar de si mesmo.

O que é oração ?

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Escrevi esse texto para o video que está no post anterior. Mas sei que tem gente que acessa no trabalho, as vezes sem possibilidade de ver o video agora.

Quando puder, veja o video mas, para esses casos, o texto segue na íntegra:

O que vem em sua mente quando ouve a palavra “oração ?”

 

Uns chamam de reza, outros oração nao importa o nome : voce acredita na possibilidade de , ao fechar os olhos, as maos, mudar o tom de voz, se estabelecerá uma especie de conexao com Deus ?

 

Será que temos a disposição um canal de comunicação com o céu, onde podemos, não só agradecer, mas também pedir ?

 

Será que eu posso pedir algo, esperando que, do alto, vou receber ?

 

Sempre que buscamos explicações para algo, partimos de nossas referencias limitadas ao tempo e ao espaço.

 

Além disso, de um jeito ou de outro, estabelecemos inconscientemente uma relação de causa e efeito, onde oração é a causa e a resposta o efeito.

 

Sem oração , o céu se cala ?

 

Se para você oração for o conjunto de ritos que, alimentados pelo ambiente, reforçado pelo tom de voz, olhos fechados…ou qualquer outro tipo de posição, chamará atenção do sobrenatural que, satisfeito com minha devoção me atenderá, a resposta é muitas vezes o céu se cala.

 

Afinal de contas, será que tudo o que pediu ao longo de sua vida foi concedido ?

 

Nesse caso, a não concessão pode ser interpretada como o silencio dos céus.

 

Mas, e se Deus não pensar como nós ?

 

Se ele não precisar da minha aparencia de contrito, voz comedida , palavras bonitas em ambientes sagrados para me ouvir ? E se oração, na verdade for compreendida por ele como o que eu sou.

Oro quando falo, caminho, penso, vivo…e até quando questiono.

Porque ele se espantaria com minha revolta e se intimidaria com minha birra ?

Oramos o tempo todo a medida em que aceitamos viver com consciencia, em busca da sabedoria e calçados na paz.

Não as palvras e o esteriótipo mas a vida e as atitudes; nós somos a oração.

 

E, quando é assim, o silêncio dos céus é resposta.

 

O não é resposta e a concessão convive com a possibilidade da negação a medida em que entendo que oração é a vida e as respostas a ela, igualmente, acontecem no caminho e podem ser sim ou não.

 

Oração não é fechar os olhos e repetir palavras bonitas, mas a vida é minha oração.

 

Palavras bonitas tem seu espaço, reflexão faz bem, verbalizar o que sinto ajuda mas, saiba, o que conhecemos como oração é somente a externalização do que, de fato, acontece no coração.

 

Que a sua vida seja oração, sem angústias ou traumas, mas com o coração pacificado e a sensação de que você é ouvido o tempo todo.

 

Mesmo quando não fala.

 

Mesmo quando não ouve nada.

Manifesto do Pedro Cardoso.

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O que tem de mal na nudez ? Nada, se o mal não estiver nos olhos de quem vê.

Quem tira a roupa em casa, para tomar banho ou nadar, não tem nenhum tipo de pudor ou moralismo.

Mas, no mundo do dinheiro, a nudez virou negócio para vender, de cerveja a bolsas, de carro a cigarro, passando por sandálias, shampoo e o que a “criatividade” alheia permitir.

Se o povo consome a nudez como produto, atores e atrizes ( me refiro aos reais ) se vêem em situação difícil a medida em que são exigidos cada vez mais a explorarem a nudez, não como elemento artistico, mas como forma apelativa.

Por favor, não endosso aqui nenhum discurso moralista contra a nudez, não se trata disso. Mas da banalização do corpo como meio de ganhar dinheiro vendendo produtos.

Sobre isso, o ator Pedro Cardoso fez um manifesto anteontem na primeira sessão do filme “Todo mundo tem problemas sexuais” , no Festival do Rio, com discurso antinudez no cinema e na TV.

Algumas frases do manifesto:

 “Minha tese: a nudez impede a comédia e o próprio ato de representar. Quando estou nu, sou sempre eu a estar nu, e nunca o personagem.” 

O ator disse que, nas mãos das “empresas que exploram a comunicação em massa”, a nudez, que fora “uma conquista contra excessos da repressão à vida sexual”, tornou-se “apenas um modo de atrair público”.

Apontou “conivência de escritores e diretores –alguns deles, em algum momento, verdadeiros artistas; outros, nunca!”.  “é sobre as atrizes que a opressão da pornografia é exercida com maior violência”. E afirmou que “é freqüente que cineastas de primeiro filme exibam a amigos, em sessões privê, cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz” e indagou: “Até quando, nós, atores, atenderemos ao voyeurismo e a disfunção sexual de diretores e roteiristas, que nos impingem essas cenas macabras?”.

Se isso impactará de alguma maneira nas produções, o tempo dirá. Mas ao menos que sirva de reflexão do quanto as imagens e fantasias nos hipnotizam e são usadas contra nós mesmos em favor de gente que só pensa no lucro.

Seus olhos vêem aquilo que está no coração. O que tem te motivado ?

Pense nisso.

O dever solitário.

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Por Ricardo Gondim.

Nasci com um destino: a meta de me assumir e forjar uma identidade. Tenho de ser eu mesmo. Portanto, vim ao mundo condenado à solidão existencial. Jamais conseguirei ser outro alguém. Não há como fugir de ser eu mesmo. Nunca encontrarei um semelhante idêntico. Sem alternativa, só posso construir a mim mesmo. Andarei sempre sozinho a talhar um carimbo existencial. Minha sina é ser exclusivo, irrepetível.

Meu inferno foi querer vestir armaduras alheias. Devo moldar-me a uma imagem original. Meu céu deixou de ser um lugar, para transformar-se em uma trilha por onde aprendo a arte de humanizar-me. Nessa oficina de vida, reconheço os limites do meu medo, as excentricidades da minha ousadia, os enganos do meu narcisismo e a fraqueza da minha soberba; testo também a riqueza da minha sensibilidade, a fertilidade do meu tirocínio e a profunidade da minha poesia.

Nasci com o dever intransferível e imediato de edificar uma Ricardice íntegra; não perfeita, só honesta – consciente de que sempre encontrarei pessoas mais inteligentes, mais bonitas, mais ricas, mais famosas, mais poderosas, mais competentes e, à medida que envelheço, mais jovens, que eu.

Meus parâmetros para o sucesso deixaram de ser comparativos. Reconheço que não possuo cacife para me contrapor a ninguém. Minha meta sou eu. Quero ser o melhor de mim mesmo. Há pouco tempo aprendi a me medir com a única trena que possuo: meus valores.

Permito que apenas o meu coração me cobre. Só ele pode exigir bondade, benignidade, mansidão, estima e delicadeza. Só a minha consciência pode julgar as motivações escondidas em cada escolha que faço. Assumo o compromisso de permanecer um espectador exigente de meu espetáculo. Serei o primeiro ouvinte de cada discurso meu.

Sinais.

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E se em tudo na vida houvesse um sinal e a dificuldade em identificá-los, estivesse ligada a nossa pequena percepção ?

Se os fenômenos da natureza, fascinios da biologia, descobertas da física, mistérios da mente, beleza das crianças, capacidade de amar, sentir, perdoar, aprender, sonhar, querer, arrepender, consolar, acreditar, avançar, entender…se tudo fosse uma espécie de vestígio de que o sagrado habita em nós ?

Se pudessemos ouvir o som que sai das pessoas e reparássemos que aquilo que são tem o poder de compor melodias, teriamos outro conceito de música.

Se olhássemos com olhos de ver, perceberiamos que o belo e virtuoso saem do coração e refletem lá fora; não o contrário.

Talvez entendessemos que, paradoxalmente, nossa força está na fraqueza, principalmente quando ela nos coloca contra o espelho e reflete nossa humanidade.

Esqueceriamos as devoções a templos, estruturas e instituições, porque saberiamos que nós somos o templo.

Não mais nos frustariamos com o futuro, pois viveriamos a cada dia sua porção. E isso nos bastaria.

De nossas bocas seria o sim e o não, e dos nossos corações brotariam todas as nossas impressões.

Se soubessemos que em tudo na vida habitam sinais, andariamos mais atentos e prestariamos atenção em sutilezas do dia a dia.

Procurariamos ser mais sensiveis com o que nos cerca e valorizariamos o que pressentimos.

Talvez, acreditássemos mais em nós mesmos e olhariamos para nossas intuições como pistas do caminho a seguir.

Acreditariamos menos nos homens, teriamos menos líderes e procurariamos nos preencher do que é bom sabendo que as respostas habitam em nosso íntimo. Com isso, dificilmente nos decepcionariamos com alguém.

Valorizariamos mais o silêncio e apreciariamos a presença de quem amamos como verdadeiros presentes.

Se soubessemos que em tudo na vida habitam sinais, seriamos gratos.

Deixariamos de esperar as tormentas e dilúvios para entendermos o que diz a brisa e o rio.

Trocariamos as gritarias e as demonstrações de fé e bondade, por calmaria e sorrisos humildes.

Procurariamos ler a vida e, atentos, identificariamos sinais que, não através de luzes, explosões ou grandes espetáculos mas, na simplicidade do que é, no caminho, nos cerca e ,em silêncio, jorra vida do que parece ser a mais insignificante banalidade.

Ontem você conseguiu perceber por quantos sinais passou ?

Nas últimas horas tudo pareceu normal ?

Se repensar no dia desde que acordou, conseguirá identificar, nas sutilezas, mensagens ?

Pense.

Refaça os caminhos, reposicione as referências.

Ainda hoje outras virão. Aliás, agora. Percebe ?

Esteja atento, diante de você, de onde menos imagina, respostas para suas perguntas.

Pare de olhar para o mesmo lado. É aí dentro, bem mais perto do que tem procurado, que estão as chaves que tem buscado.

Em tudo na vida existem sinais.

Agora.

Consegue perceber ?